Tropa de Elite 2- O inimigo agora é outro

Título Original- Tropa de Elite 2- O inimigo agora é outro
Título Nacional- Tropa de Elite 2- O inimigo agora é outro
Diretor- José Padilha
Roteiro– Bráulio Mantovani
Gênero- Policial/Ação
Ano- 2010

– A elite dos filmes nacionais…

O fenômeno que se iniciou com o primeiro filme persiste na sequência. Só que agora com muito mais força, penetração e dimensão. O alvoroço causado por Tropa de Elite já tinha sido marcante, porém com o 2 atinge um alcance nunca antes imaginado no cinema nacional. O filme vem batendo todos os recordes de bilheteria e de números de exibições, sem falar na multidão que arrasta para os cinemas desde sua estréia, tanto é assim que a nossa review sai bem atrasada, visto que tivemos que esperar um pouco para que a agonia da estréia diminuísse para se poder ter uma sessão minimamente agradável e que possibilitasse uma boa diversão para nós. Deu certo! Ainda bem! O que posso adiantar é que o filme realmente é tudo isso que vem sendo veiculado pela mídia e muito mais. Aqui, para o Power Cinema, o que importa é a qualidade do filme em geral e não o sucesso em termos de $ que ele vem fazendo, apesar disso ser muito importante também.

A história prossegue alguns anos após os eventos do primeiro filme. Agora, o antes Capitão Nascimento (Wagner Moura), é Comandante do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) e André Matias (André Ramiro) é Capitão. Só isso daí já é um lance bem bacana do roteiro, pois mostra a evolução dos personagens com o tempo. Aliás, o senso de integração com a história é muito bem montado e realmente fica a aquela impressão de veracidade dos eventos, como se o espectador estivesse vivenciando o passar do tempo daquelas pessoas. Nem tudo são flores, porém, Nascimento está separado de sua mulher no primeiro longa, Rosane (Maria Ribeiro), que já está casada com um desafeto do ex-marido, um militante dos direitos humanos, Fraga (Irandhir Santos). O filho do ex-casal já nasceu, Rafael (Pedro Van Held). O lado curioso; o Capitão da PM Fábio (Milhem Cortaz), do primeiro filme, agora é Comandante. Confesso que quando vi fiquei bem surpreso, mas achei bacana.

Os eventos são contados de trás para frente, ou seja, o filme começa pelo final e então Nascimento retrocede, contando tudo que o levou até aquele ponto. A rebelião em Bangu teria sido o marco de tudo e foi a partir de uma situação improvável ocorrida ali que Nascimento termina conseguindo chegar ao posto de Sub-Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Os eventos vão discorrendo e tudo é muito bem articulado e mostra como os políticos participam da sujeirada toda do tráfico, coisa que qualquer pessoa com algum senso crítico já sabia, mas muitas gostam de virar a cara para a realidade e se fazerem de inocentes e dizer que não é bem assim. A questão é que Tropa de Elite 2 joga a “merda no ventilador”, literalmente, parafraseando a própria produção. E o faz com tamanha maestria, audácia, coragem que finalmente podemos abrir a boca e dizer que temos um filme com “bolas” de verdade nesse Brasil. Um longa que não teve medo, que foi em frente, arriscou e foi brilhante em sua execução.

Quem pensa que a produção é só ação, politicagem e violência está totalmente errado. As críticas a sociedade estão lá, assim como no primeiro, principalmente a organização dos Direitos Humanos. Quem nunca se perguntou sobre a atitude desses caras nas épocas desses casos de grande repercussão? Por que eles sempre só aparecem nestes momentos? Então. Tropa de Elite 2 tem a coragem também de levantar essa questão e colocar o “dedo na ferida”. O que causa o furor em torno da obra é sua linguagem extremamente contundente e aproximada com as frustrações e anseios que toda (ou grande parte) da sociedade brasileira tem com relação aos problemas relativos à segurança. Além disso, consegue tecer brilhantemente o nascimento das milícias e o envolvimento dos políticos com as mesmas e muito mais. Por fim, o drama pessoal de Nascimento foi muito bem composto, sem ficar piegas ou bobo. Muitos pais passam pelas mesmas dificuldades que ele com seus filhos e não há “melancolismos”, crises existenciais, há a realidade de continuar vivendo e lutando para melhorar tudo aquilo e essa é a lição que a personagem de Wagner Moura nos passa.

Está evidente pelas linhas escritas até aqui que temos um filme muito bem construído em termos de roteiro, mas e quanto ao resto? Será que mantém o mesmo nível? A resposta é: Com certeza! As interpretações em sua maioria são excelentes, Wagner Moura é um baita ator, um verdadeiro monstro mesmo, André Ramiro é um novato com algum futuro se souber agarrar a chance; assim como no primeiro Milhem Cortaz, está excepcional como o malandro, submisso, meio bobo Fábio que dá o toque de comédia. Por fim, Fraga e Rocha (Sandro Rocha. Aquele que diz é “preciso fazer rir para poder sorrir” do primeiro filme) fecham as atuações acima da média no longa. A direção de Padilha é precisa quase todo o tempo, apesar de alguns interstícios estarem um pouco mal compostos (como nas idas e vindas nos flashbacks), de resto é tudo ótimo. A parte sonora está na média. A produção opta por aquele tom meio documental, um pouco menos que na primeira versão, mas ainda o mantém. Ficou tudo muito bem afinado e os frutos da repercussão do original fizeram muito bem a esta sequência e tudo foi muito bem aproveitado.

Então é isso. Um absurdo não acontece mais no nosso país. Como podia uma nação como a nossa, assolada pela corrupção, pelas desigualdades, falta de segurança, nunca ter tido uma produção digna que mostrasse mesmo, sem pudores, os podres dos políticos, suas alianças escusas? Uma produção que focasse naqueles que realmente fazem com que toda esta situação se perpetue. É possível que este filme possa mudar a cabeça de algumas pessoas e fazê-las refletirem um pouco mais sobre a importância de votar, pois como se pode ver em certo momento da exibição, tudo isso é alimentado e gerenciado de lá, de Brasília. O voto é nossa única arma e chegou a hora de podermos usá-la! Façamos com consciência então. Resta torcer para que aconteça com Tropa de Elite 2 o que aconteceu com Cidade de Deus, que Hollywood dessa vez não me venha com bobagens, dizendo que o filme é “facista” e veja os méritos dessa grande produção do nosso cinema e a indique nas categorias do Oscar de 2011. Se alguém ainda não assistiu não perca mais seu tempo! Corra! O melhor filme já feito neste país não pode passar despercebido.

Intensidade da força: 10,0

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