Resident Evil 4: Recomeço

Título Original- Resident Evil: AfterLife
Tïtulo Nacional- Resident Evil 4: Recomeço
Diretor- Paul W.S. Anderson
Roteiro- Paul W.S. Anderson
Gênero- Ação/Terror/Ficção
Ano- 2010

– Uma salada indigesta…

Resident Evil (RE) é daqueles filmes que são difíceis de serem analisados, por um lado mereceriam uma nota 1 ou 2 se fosse levar em conta o fato de se tratar de uma adaptação, do outro se trata de um filme de ação com alguns méritos aqui e acolá. Vou tomar uma posição um pouco mais pendente para a desconsideração de que se trata de uma adaptação do famoso jogo da Capcom para videogames que notabilizou o gênero “survival horror” (ao pé da letra horror/terror de sobrevivência). Isso porque muito pouco ou quase nada dos elementos mais marcantes da obra que se funda se mantém na versão para as telonas.

O começo de tudo lá em RE 1 remonta a colméia que era uma das diversas instalações de pesquisas da Umbrella, corporação biomilitar que desenvolvia tecnologias armamentistas, como biológicas e testava um vírus mortal(T-vírus) que tinha pretensão de criar supersoldados, mas obviamente algo dá errado (ou parecia ter sido assim) e o vírus escapa contaminando todos daquele espaço e depois o mundo inteiro. A história prossegue em RE 2, 3 e agora no 4, neste último Paul Anderson (PWS) usa a velha fórmula de passagem do tempo para justificar determinadas mudanças sem ter que explicar nada a quem assiste. O problema é que quando Anderson faz isso, ignorando o conhecimento do público geral sobre o jogo, ele subestima a capacidade de raciocínio destas mesmas pessoas ao lançar mãos de versões “anabolizadas” dos Zumbis, o repentino aparecimento em primeiro plano de Wesker (Shawn Roberts) e outras aberrações que se sucedem durante todo o longa. Isso não seria somente percebido por fãs do jogo, mas por pessoas minimamente atentas aos eventos transmitidos.

A história até que tem um arco relativamente lógico com RE 3, no qual a “super heroína” Alice (Milla Jovovich) está numa caça à Umbrella tentando dar uma de justiceira mundial. Contando com os clones ainda mostrados no final do último Resident Evil, ela invade o quartel general da Umbrella com uma facilidade assustadora, destoando por completo da imagem do game e até mesmo daquela passada nos filmes em que a corporação parece ser onipotente, onipresente, ou seja, uma entidade que deveria prever e se precaver contra uma possível investida dessas. As incoerências só prosseguem. Numa cena para lá de sem sentido e previsível ela luta com Wesker e milagrosamente o vence, um acidente acontece e ela sobrevive! Meu DEUS! É uma aberração tão grande, mas tão grande que desafia qualquer lógica, mesmo aquelas a lá Esquadrão Classe A!

Após esse embate ela viaja pelo mundo num monomotor para lá de tosco e se encontra com Claire Redfield (Ali Larter) que a ataca num primeiro momento, pois estava envenenada e havia perdido a memória por conta de um dispositivo colocado nela pela Umbrella(lembrem-se que no final de RE 3 Alice deixa o grupo para ir em sua caçada e os demais vão a um local em que não haveria infecção). Elas se unem assim mesmo e continuam sua volta ao mundo onde, mais uma vez, milagrosamente encontram um grupo de sobreviventes no topo de um edifício em Los Angeles. Ela espantosamente pousa o avião no topo do prédio e informa que não poderia salvá-los, a partir de então começa a jornada de todos em que muitos irão morrer rapidamente sem mesmo falarem mais que duas linhas no filme, deprimente. Com a ajuda de um deslocado e sem propósito Chris Redfield (Wentworth Miller) além do carismático Luther (Boris Kodjoe), eles vão tentar descobrir os segredos que ainda persistem naquele mundo caótico e fugir dos zumbis, que agora contam com mais recursos para atacar os inimigos, inexplicado, no entanto.

O longa é uma mistura tosca de pinceladas dos jogos Resident Evil 4 e 5 para videogames. Os zumbis foram claramente inspirados nas versões destes jogos, porém sem a explicação para o certo aumento de sua inteligência e capacidades. A aparição do super monstro com o machado típico do RE 5 (jogo) traz alguma emoção, mas a luta, apesar de cheia de efeitos fica devendo em sua condução. O filme, aliás, se salva muito pelos efeitos em 3D, pois usa os mesmos recursos de Avatar e percebe-se o incremento gigante frente às produções simplesmente convertidas. Todavia, acaba por aí, no mais Resident Evil 4: Recomeço é um filme extremamente fraco como adaptação (se é que se pode dizer isso), bem como filme de ação com toques de horror/terror.

Há defeitos técnicos gritantes (como nas cenas da invasão dos clones no começo do filme até a cena da explosão do helicóptero). PWS tenta minimizar isso com os truques da câmera lenta (que enchem o saco certas horas), mas não consegue. Some-se a isso o fato de possuir erros grotescos de roteiro (que ele também assina), continuidade e edição. Este filme é o “menos” ruim de todos, mas ainda assim muito, mas muito longe de fazer jus ao nível excepcional que, especialmente os 3 primeiros jogos da série criaram. Os fãs podem chorar. Contudo há alguma diversão, se você assistir em 3D! Se não, tenha medo, muito medo!

Intensidade da força: 4,0

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