Karate Kid

Título Original- The Karate Kid
Título Nacional- Karate Kid
Diretor- Harald Zwart
Roteiro- Christopher Murphey/Robert Mark Kamen
Gênero- Ação/Drama
Ano– 2010

– Não ficou tão mau assim…

A vontade de apedrejar esse filme era enorme. Os trailers me irritavam profundamente por ver Jaden Smith (Dre) interpretando um personagem marcante de minha adolescência e, ainda mais por estarem desvirtuando a concepção básica de um filme icônico da década 80/90. Apesar das enormes trapalhadas causadas por usarem o nome Karate Kid e o filme ser sobre kung-fu; ao invés de adolescentes mais adultos usarem quase crianças como protagonistas da história; o pano de fundo ser na China ao invés dos EUA há salvação sim em Karate Kid. O filme diverte em alguns momentos, possui boas cenas de luta e Jackie Chan (Mr. Han) não ficou mal como a reencarnação de Mr. Myagi imortalizado por Pat Morita.

Tudo começa quando a mãe de Dre, Sherry Parker (Taraji P. Henson), resolve se mudar para China, aparentemente por causa de uma melhor proposta de trabalho que a termina levando para lá. O seu filho não aceita bem tudo isso, mas é relativamente obediente e não cria muitos problemas num primeiro momento. Assim que chegam ao novo país o choque já é grande. As pessoas são muito competitivas e pouco receptivas a estrangeiros, em especial o jovem Cheng (Zhenwei Wang) que vai ser o rival/inimigo de Dre durante todo o desenrolar do longa. Por ter um temperamento estourado as coisas se complicam ainda mais na adaptação de Dre a sua nova realidade.

A perseguição do grupo liderado por Cheng é bem intensa e incessante e torna a vida do protagonista um verdadeiro inferno. Ele ainda cria uma certa simpatia com a jovem Meiying (Wenwen Han) e termina piorando sua situação com o grupo que o perseguia. Como se não bastasse, os jovens chineses ainda sabiam lutar kung-fu, e muito bem por sinal, aterrorizando e imobilizando qualquer atitude de Dre a fim de evitar isso. Num dos momentos de encrenca surge Han que salva o pequeno herói de ser ainda mais espancado pelos brigões e é a partir de então que o contato entre eles o levará ao aprendizado das artes marciais.

O filme segue a linha básica de outros no estilo. O protagonista tem algum problema e daí resolve aprender artes marciais, um mestre improvável que não quer treiná-lo no começo, mas depois volta atrás por algum motivo qualquer e então vem toda aquela fase dos treinamentos curiosos e intrigantes que parecem nada acrescentar, mas que são a essência da arte marcial. Essa linha é fielmente seguida em Karate Kid e faz remissões bem diretas ao original, apesar das diferenças no método. Aqui ao invés de encerar o carro e pintar a cerca o protagonista vai tirar e colocar a jaqueta incessantemente, além ter que parar bolinhas de tênis, entre outras coisas. É legal o desenvolvimento, mesmo que tenha ficado um pouco alongado nessa parte.

Um dos escorregões do filme é a duração. Ele se estende demais na parte inicial, tentando criar uma empatia do espectador com as personagens principais, mas isso não ocorre, pois ou um é péssimo ator sem nenhum carisma (Jaden Smith) ou a história do outro é tão rasa e mal desenvolvida que chega a ser constrangedor ao invés de envolvente, no caso Mr. Han. Ainda assim, naqueles momentos em que há um embate de verdade se tem alguma vibração e o longa consegue passar um certo interesse. A parte técnica não é ruim, tampouco acima da média, apenas não compromete. Eles tentam compensar a completa falta de talento de Jaden com toques de comédia e buscam dar uma valoração demasiada ao envolvimento dele com a jovem chinesa, bem como a uma possível “garra” de herói presente no ator principal que nunca convence.

Mesmo com seus defeitos o filme consegue alcançar alguma qualidade em determinados momentos. A cultura oriental é fascinante por si só e o fato de ter levado a produção para ser rodada na China contribuiu demais no alívio frente aos aspectos negativos. O curioso é ver como certas pessoas são realmente pegas na armadilha tecida pelo time técnico do longa, vibrando e se envolvendo com as baboseiras do protagonista, comprovando que a estratégia funciona com algumas pessoas. Bom, o Power Cinema já é vacinado contra isso e não caiu nesse truque barato, mas não dá para desmerecer a obra como um todo por conta disso. É fato que não se trata de um filme de todo ruim e entre as pedidas do momento Karatê Kid não faz feio e é uma alternativa a se considerar. Então se for assistir é provável que encontre alguma diversão.

Intensidade da Força: 5,5

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