A Ressaca

Título Original- The Hot Tub Machine
Título Nacional– A Ressaca
Diretor- Steve Pink
Roteiro- Josh Heald/Sean Anders/John Morris
Gênero- Comédia
Ano- 2010

– Louco demais!!!

O que imaginar de um filme que tem um título em inglês que traduzido ao pé da letra fica como “A banheira quente do tempo”? Nada muito convencional, mas junto a isso poucas esperanças de que o longa valesse alguma coisa. O que ainda faz do cinema algo tão interessante é justamente essa capacidade de surpreender. Confesso que ao decidir dar uma chance a este título, por pura falta de opção e já havia 15 dias sem ir aos cinemas não esperava quase nada, mas ainda insisti pelo elenco que compunha a obra: John Cusack (Adam), Craig Robinson (Nick Weber), Rob Corddry (Lou Dorchen). Os dois últimos são figurinhas carimbadas em comédias no estilo das de Judd Apatow e também nas com o Seth Rogen. Aprecio o trabalho deles, mesmo que suas participações sempre sejam bem pequenas nestes outros trabalhos. Apesar de John Cusack dar as caras num tipo que não lhe é muito comum em sua carreira, ele realiza o trabalho que já era esperado, o de ser o sério do grupo que nessas horas também fica divertido porque destoa dos demais.

Tudo começa quando Lou sofre um acidente e os 3 amigos, outrora separados, resolvem se unir para tirar o amigo da depressão. A idéia era reviver o tempo das loucuras do passado (anos 80) e mostrar que a amizade entre eles ainda existia e cada um podia contar com o outro para o que desse e viesse. Quando chegam no local, agora acompanhados também de Jacob (Clark Duke) eles comprovam que muita coisa mudou e que o lugar não é mais o mesmo dos tempos áureos de suas adolescências. Ocorre que, durante a noite, a jacuzzi do quarto começa a funcionar estranhamente (enquanto de dia estava “acabada”) e eles não pensam duas vezes e caem na água com litros de bebida. A aventura tinha tudo para dar algum problema, mas não na dimensão que termina por acontecer.

Eles viajam no tempo e quando se dão conta disso notam que apesar de parecerem os mesmos quando se olham estão diferentes na visão dos outros e ao seu redor as coisas também mudaram. As pessoas estão se vestindo diferente, cortes de cabelo curiosos e a pousada está a pleno vapor! Quando se batem com pessoas que conheciam de tempos passados aí tudo começa a fazer sentido! Eles haviam viajado no tempo! Dentro da banheira! É hilário demais eles tentando dar um ar de seriedade ao evento. Quando surge um Sr. que faz a manutenção do equipamento as coisas ficam ainda mais estranhas e sem sentido. É tudo muito improvisado como se fosse aquelas histórias impossíveis que criamos quando somos crianças ou quando estamos bêbados. O filme tem a proposta de não se amarrar a nada com algum sentido e segue essa linha até mesmo no final o que eleva demais o balanço pela coragem dos envolvidos em se manterem fiéis a um propósito.

A intenção inicial de todos ao descobrirem que viajaram no tempo é de tentar refazer os mesmos passos do passado para que o futuro não fosse alterado, porém nada disso ocorre, obviamente. Agora, quando pensamos que poderia ser trivial a forma como isso ocorre (eles simplesmente jogariam tudo para cima e iriam fazer diferente, pois todos eram insatisfeitos com suas vidas no presente), não, eles realmente tentam cumprir os passos do passado, mas sempre algo conspira contra e as coisas vão acontecendo parecido, de forma muito inusitada, mas não igual. É aí que está outro “x” da questão no programa que o longa se desafia a apresentar e também mais um de seus aspectos positivos.

É difícil apontar defeitos em A Ressaca (outra tradução tosca em terras tupiniquins). A idéia base já foi tentada em outros filmes, mas nunca conduzida de uma forma tão firme em seu propósito em simplesmente ser totalmente insana! O que se pode imaginar era que a produção caísse na imbecilidade típica deste tipo aventura, mas não ocorre. As piadas seguem um estilo bem despojado, mas não há abuso de constrangimentos para tentar fazer rir, mas sim a gozação com eles próprios, os anos 80 e quebrar as amarras de seguir um caminho dito como o “certo” na vida de cada um. Enfim é uma ótima pedida para se divertir pura e simplesmente sem esperar nada de muito elaborado. Ainda que John Cusack esteja apagado, não compromete e o ponto alto fica por conta (já esperado por mim) de Rob Corddry e Craig Robinson que em papéis de protagonista num filme realmente bem feito conseguem mostrar seu potencial na totalidade. É possível que não agrade quem gosta de buscar explicação em tudo ou que não aceita bem histórias sem nenhum propósito, mas é uma comédia! O que importa é rir e nisso “A Ressaca” se sai muito bem.

Intensidade da força: 8,0

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