Os Mercenários

Título Original- The Expendables
Título Nacional- Os Mercenários
Diretor- Sylvester Stallone
Roteiro- Sylvester Stallone/Dave Callaham
Gênero- Ação
Ano- 2010

– De volta para o passado…

Essa sempre foi a principal motivação para fazer Os Mercenários aliás, esse tem sido sempre o objetivo de Stallone com seus projetos desde o seu bom retorno aos cinemas com Rock Balboa (Rocky VI). Com Os Mercenários a coisa não é diferente. A intenção de saciar a sede dos saudosistas pelos bons filmes de ação do final dos anos 80 e anos 90 é bem cumprida, embora tenha falhas graves na execução. A maior prova de tudo isso é a boa média de notas que vem sendo dadas ao filme pelos espectadores comuns, em contrapartida às notas baixas dos críticos. No caso, tais notas não são pura birra ou vontade de ser “cult”. O filme peca demais em coisas bobas que chegam a dar certa vergonha quando passam.

A história é a mais banal possível, mas isso não é o ponto principal de crítica. Um grupo de elite de soldados que trabalham por dinheiro é contratado por Mr. Church (Bruce Willis) para por fim a uma crise numa pequena ilha no Caribe governada por um ditador militar. A soma de dinheiro que eles iriam ganhar parecia valer o risco da difícil empreitada num primeiro momento. Lá se iam Barney Ross (Sylvester Stallone) e Lee Christimas (Jason Statham) para uma espécie de reconhecimento do local antes da infiltração. Nesse primeiro contato eles conhecem Sandra (Giselle Itié) que irá conduzi-los pela ilha. Algumas coisas dão errado e eles saem fugidos de lá, mas sem não antes detonarem dezenas de coisas, na melhor cena do filme, juntamente com a primeira.

A questão é que Barney fica balançado por Sandra e depois de ouvir a “triste” história de Tool (Mickey Rourke) ele tem um ataque de humanidade e resolve voltar a ilha para salva a donzela em apuros. Tudo bem até aí. Estes pretextos vazios que justificam toda uma carnificina adiante sempre foram e serão os motores dos filmes de ação mais “clássicos”. Os que fogem a isso viram ícones do cinema “cult”, mas Os Mercenários nunca teve essa pretensão. Os demais membros do grupo resolvem se juntar e não deixar o companheiro ir sozinho para uma luta já perdida. São eles: Ying Yang (Jet Li; Toll Road (Randy Couture; Hale Caesar (Terry Crews) e Christmas. Armado até os dentes e cheio de disposição o pequeno grupo irá explodir muitas coisas, acabar com um exército inteiro de soldados aparentemente bem treinados, trazendo aquelas típicas reminiscências a Bradock, Rambo e outros clássicos do gênero.

Isso tudo ainda não seria suficiente para desmerecer o propósito da obra. O problema ficou na execução de tudo isso. As cenas ficaram extremamente entrecortadas em determinados momentos que chega a ser difícil acompanhar como os eventos discorrem. As pequenas chances dadas para Jet Li lutar são todas muito pobres e mal compostas, desperdiçando o pouco que o ator poderia oferecer. Era muito melhor terem usado Jet Li como no filme “Rogue” em que ele faz as vezes de um matador letal, aliando golpes precisos com muitos tiros para completar seus objetivos, mas quiseram deixá-lo muito caricaturado e ele virou o bobo da corte do grupo. A luta de Randy Couture e Steve Austin foi muito bem pensada, mas o encerramento ficou digno de pena com a cena do fogo. Eles não conseguiram manter um pingo de fidelidade no fim da luta. Para encerrar, o desmoronamento da mansão é de doer de tão mal feito que ficou, não era necessário que ficasse com o jeito “tosco” que se apresentou. Isso depôs contra demais no balanço do filme.

Enfim as atuações se salvam por parte de Jason e Stallone, muito mais por Statham. Quem acompanha o ator sabe que ele é um talento jogado fora nessa crise do cinema de ação, pois ele consegue aliar a capacidade de lutar com a boa dinâmica carregando armas e no filme isso foi muito bem aproveitado, o mesmo acontece com Terry Crews que ficou ótimo como o “heavy arms” do grupo. Suas aparições salvam a última cena do completo desastre. Quanto a Giselle fica claro que sua escolha foi por ser um rostinho bonito e combinar com o estereótipo latino clássico dos americanos, porque ela atua pessimamente no filme (devia se inspirar um pouco na compatriota Alice Braga que já não é lá essas coisas, mas frente a Itié dá um banho). Não fossem essas inconsistências mencionadas o filme mereceria a ovação do público geral, mas não é esse o caso e os críticos, dessa vez, infelizmente estão com a razão. O filme é um passatempo bem passageiro e não vai marcar, porém deixa o espaço para melhoras em possíveis continuações. Um bom começo na bilheteria ele já vem tendo.

Intensidade da força: 5,5

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