O mundo imaginário do Doutor Parnassus

Título Original- The Imaginarium of Doctor Parnassus
Título Nacional– O mundo imaginário do Doutor Parnassus
Diretor- Terry Gilliam
Roteiro- Terry Gilliam/Charles McKeown
Gênero- Fantasia/Drama/Aventura
Ano- 2009

– Uma imaginação para lá de curiosa…

E se você tivesse um poder capaz de fazer com que sua imaginação ajudasse as pessoas a se realizarem internamente? O que este poder teria de vantagem? Além de ajudar o próximo? Hmm…e se por ter esse poder você fosse imortal? Melhorou? Então, esse é o mote principal da produção em tela. O mundo imaginário do Dr. Parnassus é um título ainda de 2009, mas que só deu as caras por aqui somente por agora e, para dificultar, no circuito arte de cinemas. Uma pena tamanha demora e a restrição a poucos cinemas, pois o filme é muito bom. Até surpreendente! Você verá porque logo adiante. O longa ainda traz Heath Ledger (Tony) no seu último trabalho que foi até interrompido antes da finalização desse filme por ocasião de seu falecimento. Aqui, mais uma vez, se pode perceber todo o talento em evolução que Heath vinha demonstrando e a perda para o cinema que sua morte representa.

A história, ainda que um pouco surreal e pouco desenvolvida no longa, representa a dualidade do ser humano em vista aos seus desejos básicos (vaidade, riqueza, beleza, juventude, fama). É uma forma de tratar esses aspectos sob uma ótica mais dispersiva e leve, porém que agregou o valor novidade e criatividade à trama pela forma como tudo é conduzido. O Dr. Parnassus (Christopher Plummer) é um Sr. que vive numa espécie de teatro itinerante, num trailer com mais alguns ajudantes que servem para conduzir as apresentações que no começo tem o intuito de arrecadar fundos. A sua filha Valentina (Lily Cole), o jovem Anton (Andrew Garfield) e o divertido anão Percy (Verne Troyer) são os demais componentes que realizam junto com o Dr. Parnassus as apresentações.

O vida de todos não é nada fácil, especialmente Valentina que está numa idade de mudanças e se sente muito frustrada com toda aquela realidade dura e privada de qualquer chance de crescimento e realização de sonhos. Anton é apaixonado por ela, mas não é muito levado a sério e por isso nunca conseguira se aproximar da maneira que gostaria da filha do Dr. A questão toda é que a apresentação tinha um segredo. Uma espécie de espelho (um papel espelhado de fato) que quando as pessoas passavam eram transportadas a outro mundo, neste lugar se podia ver suas ambições se tornarem realidade, ainda que a primeira “vítima” não deixe claro isso. O problema todo é que nesse mundo existe um outro indivíduo que dá uma outra opção as pessoas que embarcam naquele espaço. Essa alternativa é mais sedutora, pois é sempre um vício dos viajantes, mas tais vícios são apresentados de uma forma mais fácil de ser alcançada, enquanto a outra opção sempre envolve uma espécie de desafio que busca enobrecer a alma de quem a escolha.

A história segue com aquele jeito inexplicável até a chegada de Tony. É a partir desse momento que tudo será explicado de maneira mais clara para todos que assistem. Entrar em maiores detalhes estragaria a experiência de assistir o filme, pois um dos segredos é deixar o espectador “voando” para que assim possa se esforçar para tentar entender os acontecimentos e a medida que são esclarecidos a pessoa continuará buscando mais explicações, pois o esclarecimento oferecido não é muito aprofundado, pois se trata de uma história fantástica e nesse sentido tudo é passível de interpretações diferentes. Vai caber a você decidir qual a melhor teoria para a sua concepção.

O filme apresenta um roteiro interessante pela forma criativa como trata os acontecimentos e pelo debate que trava sobre o ser humano e suas atitudes, mas sem perder o tom leve, mesmo apresentando figuras que normalmente estão envolvidas com sentimentos que causam suspense e espanto ao homem. As atuações de Christopher Plummer, Heath Ledger e Colin Farrell são os pontos de destaque do filme. Aqui foi feito um truque pela equipe técnica a fim de substituir Heath Ledger, logo no começo do filme um dos aventureiros tem sua fisionomia alterada e isso passar a ser algo passível de acontecer. É claro que foi inserido justamente para justificar as mudanças que ocorrerão com Tony nas vezes que ele ingressa no mundo imaginário e assim completar o filme, mesmo com a morte de Ledger. A arte do filme é um ponto altíssimo e por isso recebeu indicação ao Oscar em 2010.

O mundo imaginário é belíssimo e cada viagem é uma nova experiência visual que inclusive poderia cair muito bem se fosse apresentada em 3D. Apesar de apresentar certas inconsistências de roteiro, direção, edição e continuidade, tais problemas ficam diminuídos frente a qualidade superior de outros pontos que compõem a obra. Se você quer assistir uma experiência diferente no cinema que te faça pensar, mas sem forçar a barra ou deixar de ser uma história leve não perca a chance de conferir esse longa. Agora corra, pois ele já deve estar se despedindo das salas de arte de sua cidade.

Intensidade da força: 8,0

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