Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo

Título Original- Prince of Persia: The Sands of Time
Título Nacional- Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo
Diretor- Mike Newell
Roteiro- Boaz Yakin/Doug Miro
Gênero- Aventura/Ação/Fantasia
Ano- 2010

– O sucessor de Piratas do Caribe?

A empreitada a qual foi incumbido Príncipe da Pérsia (PoP) não é das mais fáceis e simples. A Disney abriu os cofres (cerca de $200 milhões) para que a produção ficasse digna de ares de blockbuster e assim pudesse substituir à altura a mais rentável franquia do estúdio. O resultado ficou muito bom, de logo adianto. Apesar de algumas falhas e escorregões aqui e acolá a experiência ficou muito divertida, movimentada e emocionante em alguns momentos, sem esquecer de que a adaptação do game ficou disparadamente muito acima de qualquer outra feita até então para os cinemas. PoP começa a moldar seu espaço no panteão dos filmes grandiosos para grandes massas, mas será que a Disney terá a paciência e visão necessária para entender caso o filme fique abaixo do que se planejou num primeiro momento?

O jogo Prince of Persia original é um clássico que remonta aos primórdios dos videogames, mais especificamente computadores que foi a plataforma berço da série. Nessa história basicamente um jovem príncipe teria que salvar uma bela donzela das garras de um malfeitor e também salvar todo o império ameaçado por seus planos. Numa aventura repleta de pulos por buracos com espetos, inimigos que lutavam com espadas curvadas e pisadas em plataformas que ativavam/desativavam armadilhas, esse jogo foi um grande sucesso na sua época e marcou um tempo. Os tempos passaram e novas versões foram lançadas, mas sem grande brilho. Até que em 1997 a Ubisoft resolveu arriscar mais uma vez e dar um enfoque novo de enredo ao game, mas mantendo aspectos únicos do original de 1989. Saía Prince of Persia: The Sands of Time responsável pelo renascimento da série e também maior fonte de inspiração para o longa metragem.

Na história original o jovem guerreiro persa não tinha nome e assim prosseguiu até pouco tempo quando finalmente teve sua identidade revelada. No filme essa é a primeira diferença notável. O jovem intrépido Dastan (Jake Gyllenhaal) representa o protagonista da história com diferenças marcantes referente ao original. Aqui cabe uma explicação. O longa não conta a história do jogo, mas faz uma adaptação que pela primeira vez ficou muito bem encaixada graças a supervisão do produtor da obra original que esteve sempre cuidando dos rumos que davam a sua cria. Isso demonstra todo um comprometimento da equipe envolvida no projeto desse filme e a seriedade com que encararam tudo, não apenas querendo uma fatia a mais de dinheiro, mas sim recriar e representar um novo universo quase inédito em telas de cinema abordado dessa forma.

Os acontecimentos ficaram um pouco rasos em relação ao original que é mais frio, intrincado e menos suscetível a clichês, porém tal abordagem poderia afastar o público e um dos intuitos é que esse filme se tornasse uma produção para massas e para isso “amaciar” os fatos se faz necessário, pena que exageraram um pouco no lado “soft”, especialmente no final do filme. Por sinal o grande escorregão do longa está no final que ficou corrido, mal explicado e terminou destoando de todo um encadeamento que vinha sendo desenvolvido até ali. Duvido muito que o autor do game tenha participado ativamente dessa parte porque simplesmente não condiz com a forma que ele cria a história nos seus jogos e até mesmo como vinha sendo desenvolvido até aquele momento.

O príncipe Dastan é envolvido numa teia de intrigas que traria repercussões cataclísmicas caso não fosse parada. O seu Tio Nizam (Ben Kingsley) arquitetava um plano que envolvia o uso das Areias do Tempo. Essa areia detinha o poder de voltar o tempo de quem tivesse o seu controle e para isso Nizam não mediria esforços. Logo no começo Dastan é acusado da morte do seu pai o Rei Sharaman (Ronald Pickup) e é obrigado a fugir da perseguição do reino, inclusive dos irmãos Garsiv (Toby Kebbell) e Tus (Richard Coyle). Acompanhado pela bela Tamina (Gemma Arterton) ele tem que escapar e provar que é inocente na morte do Rei, na verdade Dastan tem esse objetivo, enquanto Tamina quer a adaga que Dastan possui e pode controlar as Areias do Tempo. Ele havia roubado o artefato na invasão ao reino da jovem princesa.

Muitos percalços estarão no caminho da dupla e, no começo, a rebelde princesa sempre tenta tomar a adaga do príncipe atrapalhando demais a progressão. Esses momentos, no entanto contribuem para a descontração e rendem cenas divertidas que agradam bastante em sua maioria. A construção do romance do par é bem feita e mesmo que fique boba no final, ainda assim é muito superior a grande maioria dos filmes de comédia romântica que se vê por aí. Além das intrigas do par, o bando de comerciantes/mercenários liderados pelo Sheik Amar (Alfred Molina) agregam ainda mais momentos descontraídos ao desenrolar da aventura.

Tudo em PoP é grandioso. O dinheiro foi muito bem aproveitado. Os cenários ficaram soberbos e dão um banho noutra produção recente do gênero aventura (Fúria de Titãs) e mostra como aproveitar bem um orçamento quando se tem uma equipe técnica competente. As cenas de ação são muito bem feitas quase todo momento, a fotografia é outro destaque positivo, bem como a trilha sonora bem adequada e o roteiro quase sempre bem amarrado, não fosse o final totalmente corrido e mal desenvolvido.

Por fim, as atuações estão boas em sua maioria, apesar de Jake Gyllenhaal vir sendo contestado por sua falta de carisma (o que tem certa verdade) ele caracteriza muito bem em outros pontos, como nas cenas de luta e quando usa parkour e isso demonstra comprometimento do ator no papel e deve ser levado em consideração. A princesa Tamina não desaponta e Ben Kingsley, apesar de um pouco abaixo do seu normal, não destoa ou contribui negativamente para o balanço final. Então é isso. Se você busca um ótimo divertimento no estilo aventura, com cenários grandiosos, um pouco de mistério de uma cultura não muito explorada nos cinemas e um novo fôlego num gênero extremamente carente de bons filmes. PoP é sua opção e, não fosse seus pequenos contratempos técnicos e de atuação seria fácil o melhor filme do ano até então. Enfim, não liguem muito para as críticas! Dêem uma chance! Garanto que será difícil se arrepender.

Intensidade da Força: 8,0

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