Alice no País das Maravilhas

Título Original- Alice in Wonderland
Título Nacional- Alice no País das Maravilhas
Diretor- Tim Burton
Roteiro- Linda Woolverton/Lewis Carroll
Gênero- Fantasia/Aventura
Ano- 2010

– A expectativa pode atrapalhar…

O maior problema que Alice nos País das Maravilhas vem sofrendo é esse. A expectativa por um filme espetacular. Convenhamos, não era para menos. Um filme desse estilo com Tim Burton na direção e Johnny Depp no elenco é normal que se tenha uma grande esperança, mas isso também pode gerar um efeito reverso. O próprio Homem de Ferro 2 vem passando por isso e talvez a possível continuação de Batman passe também por esse desafio. O filme conta a história de Alice (Mia Wasikowska), agora uma adolescente, que retorna ao mundo fantástico que tem uma rainha que possui um exército representado por cartas de um baralho, um gato que evapora no ar e um chapeleiro nada convencional. Então, Alice retorna a esse mundo quando tenta fugir de uma cerimônia de casamento arranjado na sociedade aristocrática da Inglaterra.

O problema é que Alice não lembrava que já estivera nesse mundo antes, quando criança, e todos esperavam a brava criança Alice que os salvara no passado, mas essa é confusa e um pouco perdida e insiste em afirmar que aquele mundo não existe, que é apenas um sonho. A questão é; o mundo estava com problemas. A Rainha de Copas (Helena Bonham Carter), também conhecida por Rainha Vermelha tinha tomado o trono de sua irmã a Rainha Branca (Anne Hathaway) e todos sofriam com seu reinado frio e cruel. A missão de Alice, mais uma vez, era salvar todo aquele mundo do reinado da Rainha Vermelha, mas isso não seria nada fácil, pois ele contava com a ajuda de um poderoso dragão que a todos aterrorizava e era o grande trunfo conta a Rainha Branca.

A jornada começa com a jovem heroína conhecendo seus céticos aliados Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e todos os demais seres confusos e divertidos que habitavam aquele lugar peculiar. Imediatamente eles são atacados pelo exército da Rainha Vermelha liderado por Stayne (Crispin Glover) e tentam fugir, mas o Chapeleiro é capturado para ajudar Alice a fugir. A partir de então ela irá enfrentar muitos desafios e se dar conta de que aquele lugar é mais real do que ela pensa e que sua jornada envolve também um auto descobrimento e que o momento de sua maturidade irá chegar quando ela compreender seu papel naquela aventura.

A verdade que se passa na história é a confusão de quem foi assistir esperando algo diferente do que está exposto. Sim, o filme tem defeitos técnicos, inclusive visuais, coisa impensável em se tratando de Tim Burton e que foi questionado por alguns críticos como uma preguiça do diretor por estar amarrado à ditadura Disney de como conduzir suas produções. O que pode ser uma verdade, já que Burton preza pela liberdade em suas produções que é quando se pode perceber sua qualidade para produzir histórias únicas pela mistura peculiar de cores e construções, além do figurino que são marcas registradas de sua mentalidade criativa. É verdade, muito do Tim Burton está em Alice no País das Maravilhas, mas não tudo e isso pode ser o motivo das duras críticas que o filme vem sofrendo apesar da ótima bilheteria que vem alcançando (é possível que chegue a ótima marca de 1 bilhão de dólares).

Sempre mal acostumados com um diretor mágico, capaz de fazer filmes com uma marca características. Em Alice temos um filme muitas vezes genérico e que peca por erros inadmissíveis, como por exemplo, o soldado Stayne e seu cavalo que ficaram muito artificiais e robóticos em seus movimentos, algo nítido e que impressiona mais em como passou pela pós-produção da forma que ficou. Sem falar do 3D precário do filme, muito fraco mesmo que nem de longe lembra o estardalhaço que se fez em cima do filme durante os períodos de pré-lançamento do longa. A batalha final realmente carece do apelo emotivo necessário para passar a grandiosidade que tenta, ficando minimizada e infantilizada demais. O filme fica aquém do que poderia e merecia ser nas mãos de alguém como Tim Burton.

Todavia, nem tudo em Alice é ruim ou fraco. O filme tem boas atuações no elenco, conta com uma trilha sonora ótima e muito ajustada, sem falar do figurino impecável na maior parte do tempo e os próprios cenários, que apesar de inconsistentes, apresentam momentos do Tim Burton que todos gostaríamos de ver. Por fim, vale lembrar que a jogada pensada pela Disney como esperta em manter o título original de Alice in Wonderland e não “Underworld” caiu muito mal e gerou mais combustível para a expectativa errada do grande público que esperava uma espécie de refilmagem do clássico mais conhecido, sendo que aqui se conta a história depois dos eventos do original mais conhecido.

Enfim o filme tem um balanço final sólido, mas que não impressiona como se esperava e ainda peca pela inconsistência. Uma pena, pois era justo pela presença de certos nomes que se imaginou que fariam o melhor dessa história numa transposição para a telona, mas não foi isso que aconteceu infelizmente. Ainda assim, vale a pena assistir o filme e se divertir com o mundo fantástico trazido para o cinema.

Intensidade da força: 7,5

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