O Livro de Eli

Título Original- The Book of Eli
Título Nacional- O Livro de Eli
Diretor- Albert Hughes/Allen Hughes
Roteiro- Gary Whitta
Gênero- Ficção/Ação/Faroeste
Ano- 2010

– Faroeste repaginado…

O novo filme de Denzel Washigton que chegou às telonas brasileiras consegue trazer duas temáticas que andam em baixa entre as produções americanas no momento, o faroeste e a ficção científica pós-apocalíptica. Aquele jeitão Mad Max é bem revivido nessa produção recém lançada, apesar do mote principal dos eventos não guardar muita similaridade ao clássico de Mel Gibson. Nesse filme temos Eli (Denzel Washigton) uma pessoa aparentemente comum naqueles idos devastados destacados no longa, mas que guarda consigo algo de muito valor que fora perdido durante uma guerra que devastou a humanidade.

Num mundo destruído em que as pessoas foram obrigadas a regredir nos comportamentos humanos mais civilizados para poderem sobreviver, Eli se arrisca atravessando o mundo numa espécie de peregrinação que não fica muito evidente inicialmente porque razão está sendo feita. Durante esse caminho se busca mostrar o estado em que o mundo se encontra, com um grande enfoque nas paisagens com aquele tom meio acinzentado e amarelado que deixa tudo quase monocromático. Nesse caminho ele irá ter que se deparar com outros humanos que vivem de caçar andarilhos ou pessoas perdidas como Eli, mas que nesse caso não terão vida fácil ao se deparar com a personagem. Até parece que Eli tem uma espécie de superpoder devido a suas habilidades acima da média quando enfrenta os desafios e assim os inimigos conhecem sua capacidade de ser implacável com quem se coloca no seu caminho.

Durante suas andanças ele alcança uma espécie de cidade/vilarejo que tem todo aquele jeito de cidade dos filmes de faroeste típicos, com a diferença que aqui as pessoas estão num estado mais deplorável devido aos estragos da guerra. É nessa vila que Eli irá se deparar com Carnegie (Gary Oldman) e Solara (Mila Kunis), o primeiro é o chefão da cidade, nada passa desapercebido por ele ou sem sua autorização, enquanto a outra é uma atendente num bar, mas que pode prestar “outros serviços” se assim Carnegie desejar. Na expectativa de apenas passar pelo vilarejo para reabastecer suprimentos Eli resolve dar uma parada para conseguir seu intuito. É claro que nem tudo corre como ele planeja e termina por despertar a atenção de Carnegie após uma briga num bar com os capangas do chefe local.

Carnegie tinha uma obsessão por uma espécie de livro que até essa altura ninguém sabe qual é ainda, mas ele sempre fica enviando grupos à caça desse livro, mas nunca consegue se apoderar dele. Ele é uma pessoa ainda do mundo pré-guerra e por isso sabe ler, coisa rara nessa realidade. O livro poderia ser uma arma a seu favor na subjugação de mais pessoas pelo poder da convicção, mas para isso ele precisava do objeto de forma que as pessoas cressem no que ele pregava. Qual não é sua surpresa ao saber que o forasteiro que entrara em sua cidade carregava o tão precioso livro que ele tanto almejava. Inicialmente ele tenta convencer Eli a se juntar a ele, mas sem sucesso parte para a abordagem agressiva a qual desencadeará uma caçada com efeitos devastadores para ambos. Nessa caçada a personagem de Solara termina se misturando e parando ao lado de Eli.

O filme não busca explicar muitas coisas para quem está assistindo. Fica tudo por conta de pequenas explicações e o resto que seja formado pela idéia de cada um. As referências a filmes de “Western” e “Sci-Fi” também dão um “ar” nostálgico e diferente a experiência, sem falar no aspecto visual que contrasta com as produções mais rotineiras do momento. Tudo isso junto rende a O Livro de Eli uma caracterização única que o faz fugir da linha comum de outros longas e o elevam a um patamar superior tornando a experiência de assisti-lo muito mais interessante. Junte-se a isso a boa interpretação de Denzel Washigton bem como a de Gary Oldman. Se você procura um filme diferente, mas que continue na toada de ação sem se deixar cair na armadilha do genérico, é possível que O Livro de Eli seja sua resposta. Não perca a chance de assisti-lo, é bem possível que não se arrependa.

Intensidade da força: 8,0

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