Ilha do Medo

Título Original- Shutter Island
Título Nacional- Ilha do Medo
Diretor- Martin Scorsese
Roteiro- Laeta Kalogridis/Dennis Lehane
Gênero- Suspense/Policial/Drama
Ano- 2010

– Uma dupla que sempre dá certo…

Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio é uma das duplas mais bem sucedidas do cinema atual, sempre que juntam sai coisa boa. É o mesmo efeito com outra dupla famosa, mas que tem até trabalhado em espaços de tempo mais longos que é Tim Burton e Johnny Depp. Em Ilha do Medo temos uma certa mudança na tendência da dupla que ultimamente fazia filmes diferentes da proposta abraçada por este longa. Tem-se aqui um filme mais voltado para o lado do suspense, com toques de drama que até predominam em determinados momentos e algum aspecto policial com um toque mais “noir” pelo jeito como se trajam as personagens de DiCaprio (Teddy Daniels) e Mark Ruffalo (Chuck Aule). É baseado no livro de Dennis Lehane, ponto que pode até ser percebido sem nem mesmo se saber anteriormente pela forma que a história é conduzida.

Ted é chamado até a ilha para averiguar o desaparecimento misterioso de um dos pacientes, Rachel Solando. Ela teria sumido de uma maneira praticamente impossível de se conceber devido ao caráter de alta segurança da instituição de tratamento. Essa ilha abrigava toda sorte de criminosos que haviam sido dados como loucos, e nesse local que se buscava cuidar de uma maneira menos hostil tais pessoas. Naquele tempo (idos dos anos 50) a psicologia e suas vertentes ainda eram muito pouco aceitas e tudo que se fazia ainda era ditado por métodos arcaicos baseados na brutalidade, ou “exorcismo” da loucura de dentro dos pacientes. Nessa instituição o Dr. Cawley (Ben Kingsley) buscava conduzir uma forma de tratamento que mudasse o paradigma daquele momento na psicologia.

Quando chega ao local Ted, juntamente com Chuck já visualiza que fugir dali era algo impensável e comprova tal aspecto quando visita o interior dos prédios. A segurança é bastante forte, ainda mais para os padrões da época, atestando que algo errado havia acontecido na “miraculosa” fuga de Rachel. Ted também encontra uma forte resistência de Cowley para conduzir sua investigação e isso vai deixando-o mais e mais frustrado e irritado. Alguns acontecimentos estranhos se somam e vão deixando o mistério cada vez mais intrigante. Ele vai se enterrando nessa trama e fica completamente perdido no meio de seus trabalhos, a partir de então a resistência passa a ser mais e mais forte às suas investigações e ele se vê forçado a usar artifícios extremos para conseguir seus objetivos.

O problema de tudo isso é que Teddy não era um policial comum. Ele tinha problemas e muito graves em seu passado, durante suas lembranças recorrentes ele sempre vê o que seria o fantasma de sua esposa sempre dando uma espécie de “dica” para que ele prosseguisse no seu intuito. Até onde tudo isso vai levá-lo? Só indo assistir para conferir. O que se pode dizer é que um filme que tinha tudo para ser mais um se torna algo muito bom graças à qualidade imposta por Scorsese por trás das câmeras e a um Leonardo DiCaprio que a cada dia se prova um ator capaz e não somente um “rostinho bonito”. Existem algumas coisas toscas no filme, mas é óbvio que são propositais. Se vê que o filme quer fazer uma espécie de homenagem a estas histórias que foram contadas no formato do passado do cinema e Scorsese consegue seu intuito com muita propriedade.

Em Ilha do Medo, ao contrário de O Lobisomem, se pode ver o que um bom diretor pode fazer com um roteiro que em mãos menos habilidosas poderia ser muito ou totalmente desperdiçado. Uma história já vista em outros longas, mesmo que com pequenas diferenças vira uma obra sólida e de boa qualidade. A tentativa de homenagear os filmes antigos do gênero fica ainda mais evidente na trilha sonora que é até engraçada de tão fora de época para as produções atuais. Em suma o filme é muito bom, uma pedida rara no estilo, que apresenta qualidade e merece ser vista por quem curte cinema. Então peguem suas pipocas e se preparem para momentos bastante empolgantes com Ilha do Medo.

Intensidade da Força: 8,0

2 opiniões sobre “Ilha do Medo”

  1. Então Reiner o mais importante é que você viu o filme e pode tirar suas impressões. A avaliação é sempre bastante subjetiva em determinados pontos e concordo contigo nisso.

    A maior lição do filme, se é que tem alguma, é essa. Talvez você não deva ver o filme esperando sempre tirar algum sentido, lição, aprendizado do que é contado, mas tão apenas aquela avaliação sem expectativas de resultados prontos. Quem sabe você passe a se frustrar menos.

    Infelizmente não poderei ver Alice na estréia, mas adianto que aparentemente o filme pode não ser tudo isso,portanto vá preparado e sem grandes expectativas. Quem sabe você não prefira assistir dessa forma?

    Abraços e obrigado pela visita.

  2. olá Bill,

    Devo dizer que sou fã do seu blog e acompanho já faz um tempo (conheci por meio da Carol).

    Enfim, estou um pouco atrasado nos filmes e por isso o comentário tão tardio. Mas, sinceramente, não gostei do filme. hehe, a atuação realmente está boa (DiCaprio me surpreendeu) e a direção também, ponto para Scorsese, porém a história para mim estava bastante fraca, sai do cinema com ar de: "sim e daí?" Será que a "lição de moral" era mostrar que é melhor morrer como homem do que viver como monstro? ><

    Deve ser pq sou muito ligado nas histórias e nos efeitos do que em atuação, Enfim, vou tentar assistir Alice na estréia para tirar o atraso 😀

    um abraço, e parabéns pelo blog, é fantástico.

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