Invictus

Título Original- Invictus
Título Nacional– Invictus
Diretor- Clint Eastwood
Roteiro– Anthony Peckham/John Carlin
Gênero– Biografia/Drama
Ano- 2009

– Mais uma história cativante…

Motivo de desconfiança de alguns críticos e pessoas do business do cinema, os filmes de Clint Eastwood já começam a ganhar traços estereotipados, muito por conta da repetição de determinados elementos em todos os seus filmes, principalmente depois que resolveu se dedicar mais à carreira de trás das câmeras. Em Invictus a coisa não é diferente. Ainda que se baseie numa história real o filme conta com os mesmos elementos presentes em outros longas do diretor. Por exemplo, os personagens são bastante carismáticos e emotivos sempre passando por alguma transformação comportamental que faz com que aquele que assiste se sinta emocionalmente ligado e até encantado com os representados. Essa linha escolhida por Clint causa alguma forma de resistência perante a crítica e os reflexos disso começam a se mostrar mais e mais e mais evidentes.

Com a recente relação dos indicados ao Oscar pudemos ver tanto Morgan Freeman como Matt Damon entre os indicados, mas o filme Invictus ficou de fora da lista de melhor filme. Curioso, não? Difícil compreender como um filme que conta com dois atores indicados não consegue nem ser indicado a melhor filme tendo em vista que este ano o número ainda foi aumentado para 10.

O filme conta uma história verídica, aparentemente nem isso foi suficiente para fazer com que as pessoas relaxassem o certo “ranço” que já vem contaminando a opinião contra os filmes de Clint. No filme temos a história de Nelson Mandela (Morgan Freeman) logo após sua eleição para a presidência na África do Sul, justo no momento de queda do apartheid, e uma situação de alta turbulência social. Nesse fogo cruzado estimulado pela drástica mudança no perfil da sociedade Nelson assume a presidência tendo que enfrentar a desconfiança dos brancos que ocupavam cargos do governo e o desejo de vingança por parte de seus companheiros negros. Todavia, carregado por um sentimento muito superior, Nelson Mandela vai provar a todos que é possível sim construir uma África mais tolerável se houverem esforços inteligentes e coordenados que permitam isso.

O longa trata de mostrar justamente a estratégia do Presidente na difícil empreitada de fazer as pessoas esquecerem, nem que fosse por um breve momento, as feridas abertas pelo apartheid. A única forma vista por Mandela era usar o esporte como combustível para essa união e nada melhor, naquele país, do que o rúgbi para propiciar tal mudança. O time nacional de rúgbi da África do Sul era massacrantemente constituído por brancos e representava vivamente no imaginário da população tudo de desprezível que o apartheid trazia. O plano de Mandela era fazer com que os negros tolerassem mais o time e que os brancos tivessem a certeza que não seriam expulsos do país, até porque também eram sul-africanos, tanto quanto os negros naquele instante.

A jornada não é nada fácil e ele conta com a ajuda de Francois Pienaar (Matt Damon) capitão do time nacional de rúgbi (Springboks). O Presidente usa toda sua força de presença, seu carisma, sua simplicidade para tornar Francois um poderoso aliado dentro dos Springboks. É dessa forma que o time de rúgbi consegue, aos poucos, no caminho para a Copa do Mundo de Rúgbi, pavimentar o caminho e dar os primeiros passos para que os povos dentro da sociedade sul africana se tolerassem um pouco mais. São justamente esses momentos do filme que o tornam especial, mas que também fazem o filme de Clint Eastwood perder um pouco de terreno, pois está cheio dos momentos apelativos para conquistar o público e coloca os personagens, talvez, de forma mais amável do que realmente foram.

A quantidade de veracidade apontada na história não é o que fará de Invictus um filme melhor ou pior para ser visto, mas sim o que representa como filme. Ele não inova, realmente, na verdade traz as mesmas histórias de antes contadas por Eastwood só que dessa vez apoiadas sob o manto da “história real”. Os demais elementos do filme não se destacam muito, mas tampouco estão num patamar mediano. O filme tem bom roteiro, boa direção e atuações acima de média. É importante avaliar também que o filme conta um pouco de como era a figura mística de Nelson Mandela, mesmo que tenha sido apresentado com mais “floreamentos” do que realmente fosse, é claro que muito do que foi contado ali não se distancia da verdade dos eventos passados. Portanto se você gosta de filmes bem clichê, mas sem vulgaridade a pedida é para você.

Intensidade da força: 8,0

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