Amor sem Escalas

Título Original- Up in the Air
Título Nacional- Amor sem Escalas
Diretor- Jason Reitman
Roteiro- JasonReitman/Ivan Reitman
Gênero- Comédia/Drama/Romance
Ano- 2009

– Uma viagem no ar sem muito brilho…

Assim como O Leitor, Amor sem Escalas é a bola da vez no Oscar 2010. É impressionante como a Academia sempre dá um jeito de enfiar um filme do gênero no meio. Esse é a vez do filme de Jason Reitman. Tal qual O Leitor (que é mais dramático, mas também tem mais romance) Amor sem Escalas é um filme superestimado no meio, que não tem nada de tão especial para concorrer a tantos prêmios como foi indicado, especialmente a nova indicação de George Clooney. Tudo bem que não precisa ser sempre um papel dramático para levar um ator ao Oscar (Robert Downey Jr. já provou isso, assim como Johnny Depp), agora um papel normal, sem nenhum brilho como foi o de Clooney no filme também não deveria valer tanto. Comentários a parte sobre os méritos do filme estar no Oscar 2010 ou não vamos ao que interessa.

A melhor parte do longa sem dúvidas é tratar de um emprego nada comum (pelo menos aqui), mas que parece ser bem comum nos EUA, provavelmente por conta das leis trabalhistas de lá. Uma espécie de agente contratado especialmente para despedir as pessoas de empresas. O ponto alto do filme está aí disparadamente, pois predomina um humor sascástico, com pitadas para o ácido e negro ao mesmo tempo. As falas de Ryan Bingham (George Clooney) e a dos empregados são deveras hilárias e a forma como ele é obrigado a agir nas situações é igualmente cômica, não pela interpretação dele (deixo isso claro), mas pelo diálogo ótimo empregado nas cenas.

Ryan conta com uma vida muito agitada em que não tem tempo a perder com nada, muito menos relacionamentos humanos. Ele passa quase todo o ano viajando (mais de 270 dias) e por isso conseguiu acumular uma quantidade impressionante de milhagem área, bem como privilégios especiais em diversos hotéis, restaurantes e lojas de aluguel de carros. Tudo que Ryan faz é pensado e organizado para tirar o máximo proveito e assim aumentar seus pontos de fidelidade nos locais que frequenta e isso é outra coisa bem engraçada mesmo. Ele adora o que faz, mais ainda, ele adora a vida que tem, sempre viajando sem nuca precisar parar para pensar muito em coisas mundanas como constituir família ou ter uma casa própria.

A situação de Ryan, contudo, se vê ameaçada com a chegada de Natalie Keener (Anna Kendrick) que pretende mudar a empresa, adequando-a à modernidade e para isso irá utilizar a internet. Isso significaria para Ryan a perda de seu amado estilo de vida e ele não podia deixar isso acontecer tão facilmente. Assim, ele usa o pretexto de treinar Natalie e começa uma nova rota de viagem para despedir mais pessoas, agora levando uma assistente. As cenas de treinamento de Natalie também são bem engraçadas e possuem momentos interessantes. Quanto mais viajam no treino, os dois se conhecem mais e passam a compartilhar alguns problemas pessoais, muito mais por conta da intromissão de Natalie.

As coisas começam mesmo a mudar para Ryan quando ele conhece Alex Goran (Vera Farmiga), uma mulher que parecia ter uma espécie de trabalho semelhante ao dele, e descobre que eles possuem muitas afinidades. Essa é outra parte boa do longa com situações bem hilárias, mas acaba aí. A medida que o filme avança as coisas vão mudando e tomando um rumo mais dramático. É curioso dizer que o filme é de romance (como é vendido aqui no Brasil), pois ele é muito mais uma comédia com drama do que romance, na verdade praticamente não há romance no filme. A palavra “amor” raramente é dita e nunca no sentido platônico e bonitinho que se costuma usar. O que se pode dizer é que o filme começa a cair na vala comum de filmes de romance comuns, perdendo seu aspecto mais marcante e de maior qualidade.

O balanço do filme seria bem melhor se eles tivessem conseguido organizar os eventos de forma que pudessem ter sido conduzidos de uma forma menos repetitiva, menos “formuláica” de outros longas de romance. É uma pena que o que se tem de romance em Amor sem Escalas seja a sua parte pior. Apesar disso o filme é bom sim, possui um roteiro ótimo apesar da escorregada final, tem uma condução precisa e uma trilha sonora bem encaixada, mas termina por aí. As interpretações são boas, mas nada excepcionais, no final o filme é bom, apenas, não é muito bom ou excelente, teoricamente requisitos para que merecesse tantas indicações, mas chega de críticas quanto aos critérios do Oscar. Se você que leu essa resenha gostou dos aspectos positivos do filme e não se intimidou com as partes que não agradaram, então não perca tempo, pois mesmo com seus defeitos Amor sem escalas tem momentos muito acima das nuvens.

Intensidade da força: 7,5

Uma opinião sobre “Amor sem Escalas”

  1. Olá! Obrigado por postar. Outros participantes de seu blog já visitaram aqui. Fico contente por agradar a intenção é essa. Já dei uma visitada em seu blog também.

    Abraços.

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