Sherlock Holmes

Título Original- Sherlock Holmes
Título Nacional- Sherlock Holmes
Diretor- Guy Ritchie
Roteiro- Michael Robert Johnson/Anthony Peckham
Gênero- Ação/Policial/Aventura
Ano- 2009

– Elementar…

A sequência da célebre frase de Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) imortalizada no seriado não foi reproduzida nessa reimaginação do universo do mais famoso detetive do mundo moderno. Aqui temos um filme baseado numa graphic novel de Lionel Wigram o que causou uma certa aversão por parte de alguns fãs do autor de muitos livros e, aparentemente, mais famoso escritor a tratar do detetive, Arthur Conan Doyle. Não vou entrar na seara de discussões de qual versão do personagem é melhor, pois isso é algo muito subjetivo e varia muito de pessoa para pessoa. A questão que importa é o filme em si e a fonte da qual se inspirou, nisso esse Sherlock Holmes ficou muito bom, mais dinâmico, envolvente e sem perder o aspecto investigativo.

A história se passa na Inglaterra Vitoriana, um país ainda em fase de afirmação de suas camadas sociais em que havia um disparate tremendo entre a nobreza e os plebeus. Isso fica bem retratado no contraste evidenciado em certos ambientes nos quais se passa a história. Podemos ver locais muito bonitos em contrapartida a outros lugares sujos e mal cuidados. A história do filme se passa nesse ambiente dividido, mais precisamente num momento pouco à frente a Guerra que separou os Estados Unidos através de sua independência, como é tratado em determinado momento da trama. Os eventos já começam a ocorrer numa forma mais dinâmica desde os primeiros minutos de película, denotando como será o filme com relação a este aspecto. Na verdade o filme conta com um balanço muito bom entre ação e desenvolvimento o que não retira o aspecto mais “elegante” da memória de que se tem sobre Sherlock.

Depois dos eventos iniciais o principal articulador é capturado e condenado à morte. Quando se pensa que tudo está resolvido acontece uma reviravolta e situações antes dadas como solucionadas, na verdade estão mais misteriosas que nunca e é nesse cenário que mais uma vez Sherlock é convocado para atuar. Ao seu lado está sempre a figura de Watson (Jude Law), apesar de ambas as personagens estarem um pouco diferente do que muitos tem em mente, boa parte do imaginário básico está preservada. Sherlock age mais a frente, porém por diversas situações é Watson o responsável por complementar os raciocínios, mostrando a integração dos dois na solução dos dilemas. Talvez o Sherlock muito impulsivo tenha irritado um pouco os fãs, pois contrasta mais fortemente com o que poderia pensar num primeiro momento.

A história vai se desenrolando e os mistérios vão aos poucos se encaixando e desvencilhando e a teia vai se fechando até o clímax do embate final no filme. Não é possível contar muito mais detalhes, pois neste caso, de fato, estragaria a expectativa com relação ao filme, mas posso garantir que são situações bem interessantes que acontecem. É claro que nem tudo são flores em Sherlock Holmes, algumas coisas realmente ficaram um pouco forçadas como os romances dos protagonistas, coisa muito pouco ou quase nada tratada no clássico, alguns momentos cômicos que apesar de dar um tom mais leve e agradável pode realmente desagradar os mais apegados ao tradicional. A questão que fica é que por ser um filme de adaptação e, ainda por cima, de uma obra que não é considerada a principal sobre a personagem, muitas coisas chatearam algumas pessoas, mas o que importa é que o filme tem um ótimo balanço e a composição ficou ótima.

Os aspectos marcantes de Guy Ritchie estão lá, como os “slowdows com close ups super intensos” as tomadas com aquele aspecto meio corrido. Até mesmo o tom cinza dos ambientes mais pobres de Londres é também marca do diretor que pode ser facilmente relembrada por outros trabalhos seus. O que ficou um pouco ruim foram as cenas de luta, algumas delas são um show quando o Sherlock pensa como irá fazer determinada luta, mas quando a coisa realmente acontece fica tudo muito rápido e desfocado, sem apego aos detalhes, mostrando um certo despreparo típico daqueles filmes que não teve um orçamento para lá de muito folgado, pelo contrário. O que importa é que mesmo com estes deslizes o filme ficou muito bom no final.

A atuação de Robert Downey Jr. como Sherlock Holmes já foi reconhecida pelo Globo de Ouro, apesar de ter achado um pouco exagerada até mesmo sua indicação, não posso dizer que tenha sido tão injusta assim sua escolha, realmente é um bom trabalho. O próprio Jude Law está muito bem como Watson, destaque negativo fica para Rachel MacAdams (Irene Adler) que não convence em nenhum momento como mulher fatal devido a sua falta de expressão para este tipo de papel. Então fica a dica para você de um filme de ação diferente, com uma proposta nova de se ver Sherlock Holmes e um resultado que vem agradando no geral o público e a crítica. Nesses tempos de cinemas entupidos por causa de Avatar, assistir a Sherlock Holmes é uma excelente pedida como escapatória. Aproveitem que nem sempre as opções que nos restam tem um nível tão bom!

Intensidade da Força: 7,5

Deixe seu comentário