O Solista

Título Original- The Soloist
Título Nacional- O Solista
Diretor- Joe Wright
Roteiro- Susannah Grant/Steve Lopez
Gênero– Biografia/Drama
Ano- 2009
– Difícil e arrastado
Há quem não goste de música clássica por achar o gênero enfadonho e cansativo. Uma coisa que não pode se negar é que possui belas harmonias e melodias, mesmo que nem sempre agrade a todos os ouvidos. O filme em questão traz a história de uma pessoa que provavelmente passaria desapercebida se não fosse as curiosas nuances que fazem o ser humano ser tão especial. Quem iria imaginar que um mero músico de rua como Nathaniel Ayers (Jamie Foxx) não iria passar o resto de sua vida como apenas mais um talento que teve problemas na vida e não soube resolvê-los, não fosse o aparecimento em seu caminho de outra pessoa tão especial quanto ele? Eis que surge Steve Lopez (Robert Downey Jr.) desanimado com os rumos que o jornalismo vinha tomando, especialmente em sua cidade Los Angeles.
São tais momentos que fazem a vida ser tão prazerosa e importante e nos fazem perceber que mesmo no mundo de hoje é possível ser “humano” na acepção mais bonita da palavra. Ao conhecer Nathaniel, Steve logo percebe que não se trata de uma pessoa comum, mais um mero músico de rua, e tenta interagir com ele. Nesse mesmo instante ele também nota que Nathaniel tinha algum distúrbio mental, porém ainda não tinha a dimensão de quão grande era esse distúrbio. Na busca de saber mais de Nathaniel ele descobre que este tinha frequentado uma renomada escola de música clássica, a Jullilard. Esse foi o momento que Steve percebeu que poderia ter uma história diferente e realmente digna de figurar nas páginas do jornal que trabalhava.
O que aparentemente era apenas mais um trabalho e uma tentativa de tentar contar uma história, se mistura com sentimentos e então cresce um laço mais profundo entre os dois personagens. Porém, Nathaniel tinha esquizofrenia e por mais que Steve quisesse ajudá-lo era impossível fazê-lo se Nathaniel não aceitasse sua condição ou se não representasse um perigo a si ou para os outros. Apesar disso ficar evidente em algumas partes do filme, aparentemente não foi suficiente para ensejar uma atitude mais drástica de forçar Nathaniel a se tratar. O tempo passa e a relação entre os dois cresce ainda mais, contudo Steve não encontra um meio para ajudá-lo e as coisas ficam sempre naquele impasse. O foco do longa é basicamente esse.
Apesar de contar com 2 excelentes atores e, ainda por cima ambos estarem inspirados em seus papeis mais uma vez, o filme não é bom, infelizmente. Não dá para dizer claramente quem seja o maior culpado, pois se trata de um filme baseado num livro que conta uma história real. Pode ser que a narrativa seja densa e lenta como é transmitida na tela, talvez não se tenha podido fazer diferente por se tratar de uma exigência do escritor, não dá para saber precisamente. O que importa é que o filme é difícil de assistir por ser muito parado e por ter momentos confusos em diversas partes. É possível que mesmo assim Jamie e Downey ainda sejam indicados ao Oscar por suas atuações, mas não deve passar disso e ainda assim seria um pouco de contrassenso já que a obra de que participam não é boa, mesmo com seus ótimos trabalhos. A prova irrefutável de que um filme não é só atuação, como muitos pensam.
A coisa é tão complicada que teve gente saindo da sala durante a sessão já bem vazia que vi. Não dá para culpar muito a pessoa, haja vista que quem escolhe assistir um filme desses já deve ir sabendo o que esperar, mas mesmo assim parece que não deu. Era até difícil de concentrar para continuar assistindo de tão denso e monótono. Uma pena mesmo, pois além das boas atuações a história de vida é ótima. O retrato de Los Angeles como uma cidade decadente em muitos setores é bem interessante de se retratar e até um pouco chocante. O dilema de Steve com Nathaniel, com sua ex-esposa e com o seu trabalho de jornalismo é também interessante. Tudo isso, todavia, perde muito seu brilho e encanto se a forma como tais mensagens são passadas é deficiente. Esse é o grande problema de O Solista e também sua lição para que outros filmes não sigam o mesmo caminho.
Intensidade da força: 5,5

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