Avatar

Título Original– Avatar
Título Nacional- Avatar
Diretor– James Cameron
Roteiro- James Cameron
Gênero– Ficção/Aventura
Ano- 2009

– Ir ao cinema nunca mais será a mesma coisa...

Ao sair da sessão de Avatar, seja em 3D, Imax ou no tradicional formato a impressão é que estamos vivendo a história do cinema dando mais um passo adiante tamanha evolução na forma de apresentação desse filme que já nasce clássico. É claro que assistir esse filme no formato 3D ou, ainda melhor, no Imax deixa a experiência ainda mais rica e impressionante, pois os efeitos tridimensionais estão além de tudo já mostrado antes, sem falar na evolução tecnológica do formato CG que não pode nem mais ser assim chamado tendo em vista a qualidade extrema que foi atingida com este filme. Após uma década de preparação, de aguardo para que a tecnologia chegasse a um ponto que a viabilidade do filme não fosse algo proibitivo James Cameron mais uma vez rompe a barreira, faz história, marca o mundo do cinema assim como fez com Terminator 2 e Titanic. O novo parâmetro para produções nesse estilo é Avatar. O novo marco de qualidade gráfica foi demarcado e demorará a ser superado. Podem aguardar que George Lucas vai usar a tecnologia nos próximos Star Wars e talvez possamos ver o encerramento da mais famosa saga do cinema. Continue lendo Avatar

A Princesa e o Sapo

Título Original– The Princess and the Frog
Título Nacional- A Princesa e o Sapo
Diretor- Ron Clements/John Musker

Roteiro- Ron Clements
Gênero- Animação/Comédia/Romance
Ano- 2009

– A magia está de volta…

Depois de alguns filmes de animação em 2D sem muita expressão a Disney resgata grande parte do que a fez ser o que é hoje com sua nova produção A Princesa e o Sapo. Um filme que tudo aquilo que os fãs da Disney ficaram acostumados a assistir em suas infâncias. Ótima animação, uma história cativante e simples, mas sem perder o encanto, personagens carismáticos, as músicas que são marca registrada nesses filmes, tudo feito com muito capricho para fazer as pessoas reviverem o passado ou introduzir toda a mágica que envolve esse nome tão importante no imaginário infantil de todas as pessoas.
A história do filme pode ser apreciada tanto por crianças como por adultos. Claro que um adulto só irá se divertir se tiver crescido vendo os filmes da Disney e gostar das histórias contadas por eles. Sem falar que tem que ter uma boa sensibilidade já que se trata de uma história romântica que envolve aquele conceito de príncipes e princesas que agrada mais, sem dúvidas, as garotas. Ainda assim é possível curtir, pois a história não é contada do ponto de vista feminino, ou seja, é possível um homem assistir sem se sentir constrangido, basta apenas ter afinidade e sensibilidade para tanto.
Tudo começa quando o Príncipe Naveen (voz de Bruno Campos no original em inglês) chega à cidade de Nova Orleans causando maior rebuliço naquela sociedade, especialmente na jovem rica Charlotte (voz de Jennifer Cody) que era filha de um homem rico da cidade o Sr. La Bouff (John Goodman). Charlotte fica muito excitada com a novidade, pois nada melhor que casar com um príncipe para tornar sua vida mais que perfeita. Sua melhor amiga Tiana (Anika Noni Rose) nem ligava para isso e só tinha tempo de continuar buscando seu sonho de abrir seu próprio restaurante que era também uma continuidade do que seu pai sempre perseguiu durante sua vida.
O que ninguém imaginava é que o Príncipe Naveen era quem queria casar com alguma mulher rica, pois seus pais haviam retirado todas suas regalias numa tentativa de torná-lo mais responsável. Acompanhado pelo seu ajudante Lawrence (Peter Bartlett) eles terminam se deparando com o Dr. Facilier(Keith David) que era um homem envolvido com magia negra e que estava na berlinda junto aos espíritos do “submundo”. O Dr. Facilier se aproveita da inveja e cobiça de Lawrence e lança uma magia que transforma Naveen num sapo, enquanto Lawrence fica com a aparência do Príncipe. O problema é que o plano não era perfeito. Eles precisavam de um amuleto que continha o sangue de Naveen e esse amuleto precisava ser recarregado de tempos em tempos se não Lawrence voltava à sua antiga forma e não poderia aplicar o golpe em Charlotte e casar-se no lugar do verdadeiro Príncipe.
O sapo então foge e se depara com Tiana a quem confunde com uma princesa por causa da roupa que vestia em ocasião de um baile. Ele pede a ela um beijo na crença de que ao ser beijado pela princesa voltaria ao normal, mas como Tiana não era princesa de verdade ela termina virando uma sapinha e é a partir daí que as confusões começam. Eles fogem e tentam achar uma forma de restaurarem à condição humana mais uma vez. No pântano conhecem Louis (Michael-Leon Wooley) um jacaré bonzinho que queria apenas ser tocador de corneta numa banda de Jazz e Ray(Jim Cummings) um vagalume muito simpático. Eles se juntam a Naveen e Tiana em busca de uma forma de conseguirem seus objetivos. Nesse meio tempo existem diversas aventuras, trapalhadas, músicas tudo embalado pela forma inocente de tratar os relacionamentos humanos. Em que as pessoas podem se ajudar em troca de nada, as amizades nascem em sua forma mais pura e o amor não conhece barreiras. Tudo isso não perde seu valor e fica piegas num filme Disney por causa da forma como os eventos são conduzidos e por ser, na essência, uma história infantil. Tudo aquilo é possível de acontecer num mundo infantil em que não existe ainda a contaminação pelo mundo adulto.
Ainda que os personagens sejam adultos, o que eles representam na história é pureza e ingenuidade infantil da natureza humana, aspecto que vamos colocando de lado e enterrando a medida que vamos crescendo e nos tornando adultos, seja por quais forem os motivos. Quem ainda consegue guardar um pouco disso lá dentro de si, ou não tem vergonha de admitir, ou é criança, ou valoriza tais sentimentos vai encontrar em A Princesa e o Sapo uma história muito linda e tocante que vai te fazer viajar e esquecer um pouco das coisas desagradáveis do mundo. Então, se você curte animações Disney cheias de sentimentos, engraçadas e com muita qualidade visual você vai se encantar assistindo esse ótimo filme. Uma pena que não tem como superar UP, mas que será um candidato nos prêmios de animação mais importantes do ano não há dúvidas que será.
Intensidade da força: 8,5

O Solista

Título Original- The Soloist
Título Nacional- O Solista
Diretor- Joe Wright
Roteiro- Susannah Grant/Steve Lopez
Gênero– Biografia/Drama
Ano- 2009
– Difícil e arrastado
Há quem não goste de música clássica por achar o gênero enfadonho e cansativo. Uma coisa que não pode se negar é que possui belas harmonias e melodias, mesmo que nem sempre agrade a todos os ouvidos. O filme em questão traz a história de uma pessoa que provavelmente passaria desapercebida se não fosse as curiosas nuances que fazem o ser humano ser tão especial. Quem iria imaginar que um mero músico de rua como Nathaniel Ayers (Jamie Foxx) não iria passar o resto de sua vida como apenas mais um talento que teve problemas na vida e não soube resolvê-los, não fosse o aparecimento em seu caminho de outra pessoa tão especial quanto ele? Eis que surge Steve Lopez (Robert Downey Jr.) desanimado com os rumos que o jornalismo vinha tomando, especialmente em sua cidade Los Angeles.
São tais momentos que fazem a vida ser tão prazerosa e importante e nos fazem perceber que mesmo no mundo de hoje é possível ser “humano” na acepção mais bonita da palavra. Ao conhecer Nathaniel, Steve logo percebe que não se trata de uma pessoa comum, mais um mero músico de rua, e tenta interagir com ele. Nesse mesmo instante ele também nota que Nathaniel tinha algum distúrbio mental, porém ainda não tinha a dimensão de quão grande era esse distúrbio. Na busca de saber mais de Nathaniel ele descobre que este tinha frequentado uma renomada escola de música clássica, a Jullilard. Esse foi o momento que Steve percebeu que poderia ter uma história diferente e realmente digna de figurar nas páginas do jornal que trabalhava.
O que aparentemente era apenas mais um trabalho e uma tentativa de tentar contar uma história, se mistura com sentimentos e então cresce um laço mais profundo entre os dois personagens. Porém, Nathaniel tinha esquizofrenia e por mais que Steve quisesse ajudá-lo era impossível fazê-lo se Nathaniel não aceitasse sua condição ou se não representasse um perigo a si ou para os outros. Apesar disso ficar evidente em algumas partes do filme, aparentemente não foi suficiente para ensejar uma atitude mais drástica de forçar Nathaniel a se tratar. O tempo passa e a relação entre os dois cresce ainda mais, contudo Steve não encontra um meio para ajudá-lo e as coisas ficam sempre naquele impasse. O foco do longa é basicamente esse.
Apesar de contar com 2 excelentes atores e, ainda por cima ambos estarem inspirados em seus papeis mais uma vez, o filme não é bom, infelizmente. Não dá para dizer claramente quem seja o maior culpado, pois se trata de um filme baseado num livro que conta uma história real. Pode ser que a narrativa seja densa e lenta como é transmitida na tela, talvez não se tenha podido fazer diferente por se tratar de uma exigência do escritor, não dá para saber precisamente. O que importa é que o filme é difícil de assistir por ser muito parado e por ter momentos confusos em diversas partes. É possível que mesmo assim Jamie e Downey ainda sejam indicados ao Oscar por suas atuações, mas não deve passar disso e ainda assim seria um pouco de contrassenso já que a obra de que participam não é boa, mesmo com seus ótimos trabalhos. A prova irrefutável de que um filme não é só atuação, como muitos pensam.
A coisa é tão complicada que teve gente saindo da sala durante a sessão já bem vazia que vi. Não dá para culpar muito a pessoa, haja vista que quem escolhe assistir um filme desses já deve ir sabendo o que esperar, mas mesmo assim parece que não deu. Era até difícil de concentrar para continuar assistindo de tão denso e monótono. Uma pena mesmo, pois além das boas atuações a história de vida é ótima. O retrato de Los Angeles como uma cidade decadente em muitos setores é bem interessante de se retratar e até um pouco chocante. O dilema de Steve com Nathaniel, com sua ex-esposa e com o seu trabalho de jornalismo é também interessante. Tudo isso, todavia, perde muito seu brilho e encanto se a forma como tais mensagens são passadas é deficiente. Esse é o grande problema de O Solista e também sua lição para que outros filmes não sigam o mesmo caminho.
Intensidade da força: 5,5

Julie & Julia

Título Original- Julie & Julia 
Título Nacional- Julie & Julia 
Diretor- Nora Ephron 
Roteiro– Nora Ephron/Julie Powell 
Gênero– Biografia/Drama/Comédia 
Ano– 2009 

– Uma história interessante..

Esse filme conta a história de Julie Powell (Amy Adams) uma funcionária que trabalha com seguros e tem uma vida com poucas perspectivas de crescimento, mas vê tudo mudar quando se impõe o desafio de fazer mais de 500 receitas do livro de Julia Child (Meryl Streep) em 1 ano. O filme é baseado no livro da personagem que encabeça o longa, ou seja, se trata de uma história real o que acrescenta ainda mais curiosidade pelos acontecimentos contados. O longa ainda conta com Stanley Tucci como o marido de Julia Child, interpretando Paul Child e Chris Messina fazendo às vezes do marido de Julie, Eric Powell. 
Tudo começa quando Eric estimula Julie a se desafiar e traçar um projeto. Como ela era grande fã de Julia Child, uma cozinheira famosa nos EUA por ter trazido os hábitos de cozinhar dos europeus para os americanos. Surge a ideia inusitada de conseguir cozinhar todo o primeiro livro de receitas de Julia num período de um ano só que o livro continha mais de 500 receitas e já se via que não seria uma tarefa nada fácil. Toda a inspiração para esse desafio se deveu ao fato de Julie acreditar que era semelhante a Julia em muitas coisas durante o período em que Julia viveu na França, pois o marido trabalhava para o governo americano e naquele período pós Segunda Guerra mundial tudo era muito suspeito. 

Nem sempre Julia soube cozinhar, na verdade ela só sabia comer e apreciar a comida ainda, mais na França conhecida por sua cozinha privilegiada. Depois de muitas tentativas frustradas de ocupar seu tempo fazendo outras coisas, Julia decide tentar aprender a cozinhar e termina tomando gosto pela coisa. Naquele tempo a arte culinária era um privilégio dado apenas aos homens e, por conta disso, Julia encara muito preconceito nas aulas, mas com dedicação ela supera todos os seus colegas e termina ganhando o respeito de todos. 

Na outra ponta da história está Julie que não conseguiu realizar seus sonhos (que era de ser uma escritora) e tinha um trabalho medíocre, enquanto suas amigas de faculdade prosperavam em suas profissões escolhidas. Sem maiores ambições ela se atira de cabeça na ideia de fazer um blog em que contaria como viveria o dia-a-dia do seu desafio. No começo Julie também encara a desconfiança das pessoas, mas persevera na sua luta e vai alcançando dimensões que nunca imaginara inicialmente. Até mesmo termina passando por alguns problemas no seu casamento, mas que conseguem ser superados por causa do constante apoio de seu marido. 

O filme é bem simples, mas bem feito e tem isso potencializado pela presença de uma atriz muito grandiosa como Meryl Streep e uma emergente e, também excelente atriz, Amy Adams. Existe de tudo no longa, um pouco de drama, um pouco de comédia e isso dá um bom ritmo a história não deixando o filme ficar enfadonho. Também não se trata de nada muito ambicioso, mas que dá conta plenamente daquilo que propõe que é contar a história de Julie que nada mais é senão uma lição de vida de que nunca é tarde para começar. É sempre possível perseguir seus sonhos, mesmo que nem sempre seja pelos caminhos mais óbvios. Existem outras mensagens também, mas o mote principal é esse. Não há sobras nem muitas arestas, mas também não é marcante. Um bom programa para quem curte cinema e cozinha, enfim. 

Intensidade da força: 7,5