Besouro

Título Original– Besouro 

Título Nacional– Besouro 
Diretor- João Daniel Tikhomiroff 
Roteiro- Patrícia Andrade/João Daniel Tikhomiroff 
Gênero- Ação/Aventura 
Ano- 2009 
– Ele avoa, mas o filme não decola… 
Finalmente estreiou no Brasil o tão aguardado filme Besouro, que conta a história do capoeirista de mesmo nome, muito cantado nas rodas até hoje. A grande espera pelo filme se deve não pelo marketing, mas pela temática pouco usual para o cinema o brasileiro que foi utilizada. Um filme de luta e de capoeira, não é todo dia que se vê. A expectativa foi ainda maior depois dos trailers que mostravam um trabalho totalmente diferente do antes visto por essas terras e destacava uma qualidade que rivalizava com o padrão de produções americanas (nas cenas de luta). 
A questão toda que paira sobre o longa é se ele consegue manter o nível apresentado nos trailers. A resposta é não. O trailer praticamente condensa toda a ação e cenas de luta que existem no filme. Uma pena, porque de fato as cenas tem uma qualidade ótima e ver a capoeira sendo utilizada como luta para defesa é algo muito curioso de se ver, pelo estilo pouco usual dos golpes. O problema é que o filme é vendido como sendo de ação focado em luta, mas na verdade, se trata de uma história sobre a cultura negra nos tempos pós-escravidão. A luta é um apêndice do filme e não seu aspecto principal. Isso compromete demais e traz uma frustração muito grande por toda a expectativa gerada. 
No filme temos a história de Besouro (Aílton Carmo) que viria a ser o maior nome da capoeira em nossa terra e talvez no mundo, começando desde sua infância e os ensinamentos do seu Mestre Alípio (Macalé) em busca do aprimoramento tanto da arte, como do espírito. Pode-se ver que Besouro é um jovem deslumbrado por ter o dom para a luta e que se esquece das responsabilidades maiores que envolviam tal capacidade. Os negros ainda eram muito mal tratados naqueles tempos pós-escravidão e em muitos locais ainda eram tratados como escravos (hoje ainda se vê isso por aí). Depois do falecimento do seu mestre a incumbência de liderar os negros cai nos ombros de Besouro que não consegue mensurar a dimensão de tudo aquilo e demora para “cair na real”. 
O longa conta com muitas referências ao candomblé e suas entidades mais importantes, inclusive apresentando a descrição delas para que o telespectador se inteire melhor das raízes de um dos traços da cultura negra. O longa, de fato, busca apresentar este aspecto mais que tudo. A introdução da cultura negra ao público mais geral para que haja uma maior familiarização e assim se possa compreender alguns traços desse povo que domina imensamente o nosso país. O problema não é esse, mas o que foi apresentado antes. Se o filme fosse vendido como histórico com alguns toques de ação, a repercussão seria completamente diferente. 
Existem outros aspectos interessantes a ressaltar. O longa foi considerado um dos mais caros já feitos em nossas terras e contou até com a colaboração do coreógrafo das cenas de Tigre e o Dragão, tanto que algumas cenas remetem àquele mesmo estilo do filme oriental. O retorno precisa ser assegurado com uma boa bilheteria, mas aparentemente isso não vem acontecendo, justamente pela ausência do maior chamariz do filme; as cenas de luta. São meia dúzia de cenas, sendo que relevantes mesmo existem apenas umas 3 e todas de duração muito curta. São bem feitas no geral, mas pecam pela correria. Fica a impressão que houve uma intenção em diminuir os gastos do filme e que o coreógrafo deve ter cobrado muito caro para fazer as cenas e isso comprometeu a duração das mesmas. 
Outro ponto importante é o elenco. É sabido que foi escolhido Ailton Carmo, antes de tudo, por ser capoeirista de verdade e não um outro ator de ofício, tal escolha se deveu ao fato de quererem alguém que praticasse a arte para que não se utilizasse dublês nas cenas. Legal até aí, mas se o filme mal tem cenas de luta para que usar um capoeirista então? Por que não usar um ator de ofício? A opção perde seu sentido. Em algumas críticas informaram que o romance entre Besouro e Dinorá (Jessica Barbosa) tinha ficado forçado. Discordo. Não está forçado, é algo que ocorre até de forma bem natural pelo que fica subentendido e não é isso que compromete o balanço do trabalho no final. 
Enfim, Besouro tem como ponto positivo principal ser o primeiro filme de luta relevante a ser produzido em nosso país. Sem falar da qualidade superior que buscaram empreender nas cenas de luta, porém fica o pecado por ter sido muito mal publicado, comprometendo deveras a imagem final da película. Uma pena, pois isso pode afetar a arrecadação a ponto de se desentusiasmar, no nosso cinema, outras idéias que possam surgir no mesmo sentido. Que fique a lição para outras tentativas do gênero. De uma forma ou de outra, vale a pena assistir para poder ficar sabendo um pouco mais de um personagem de nossa história e agregar um pouco mais de cultura às nossas mentes, caso você tenha pouco conhecimento da cultura negra, em especial do candomblé. A esperança é que outros diretores não desanimem de fazerem filmes do gênero, pois fica provado que é possível sim e pode gerar bons frutos no futuro. 
Intensidade da força: 6,0

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