2012

Título Original- 2012
Título Nacional– 2012
Diretor- Roland Emmerich
Roteiro– Roland Emmerich/Harald Kloser
Gênero- Ação
Ano- 2009

– Até a próxima, se houver… 

Se o Roland Emmerich resolver fazer outro filme de catástrofe (sua especialidade, mesmo que não faça tão bem) antes de 2012 quem sabe ainda se possa assistir mais uma de suas “pérolas” no estilo, se não poderemos ter visto o último filme que contou como o mundo vai acabar no referido ano (lembrem-se! O Roland contou primeiro!). Este é 2012, mais um filme de Emmerich e mais um do gênero (se é que já se pode considerar isso um gênero) catástrofe. Dessa vez a história se baseia na lenda sobre o calendário Maia que prevê o fim do mundo como conhecemos em 21/12/2012. É uma história que desperta curiosidade de muitos por realmente se tratar de algo que existem estudos a respeito que informam a veracidade do que ali está informado, apesar de não se saber como irá acontecer. A possibilidade que aconteça é plausível.

Com esse pano de fundo é que o filme se estrutura. A premissa é uma das melhores possíveis, mas nosso querido Roland conseguiu mais uma vez estragar e muito essa história. As partes de destruição são muito boas no geral, mesmo que às vezes dê para notar a composição ruim das cenas e o acabamento imperfeito, no geral é quase sempre de bom nível. O que arrasa tudo é o resto. Já dá para saber por aí que não dá para esperar muito do filme. É um mau hábito de Emmerich acrescentar toques sentimentais aos seus filmes e isso destoa muito do que o filme se baseia na essência. Foi assim com 10.000 A.C, O Dia Depois de Amanhã e, em menor grau com Independence Day. Esse tipo de coisa que ele insiste em acrescentar nos seus filmes, talvez para aliviar a tensão dos acontecimentos é feito de uma forma tão melosa que arrasa com a experiência quase por completo.

Em 2012 temos, de verdade, duas histórias. A primeira é a de Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) que é um geólogo e descobre juntamente com outro colega o Dr. Satnam Tsurutani (Jimi Mistry) que a Terra estaria passando por modificações em sua crosta terrestre e que isso teria repercussões drásticas em menos tempo do que eles imaginavam. Ciente desse perigo Adrian procura Carl Anheuser (Oliver Platt) para que se possam tomar as devidas providências com relação ao problema. Na outra ponta temos Jackson Curtis (John Cusack) escritor fracassado (mais uma vez. Lembrem-se, “1408”) separado de sua mulher Kate Curtis (Amanda Peet) e que tem dois filhos Noah (Liam James) e Lilly (Morgan Lily). Kate está casada com Gordon Silberman (Thomas McCarthy) e todos parecem tocar suas vidas da melhor forma possível.

Enquanto isso os governos do mundo vão se organizando para a catástrofe que se aproximava. Adrian havia anunciado a notícia em (2009) e até 2012 eles teriam que conseguir uma forma de livrar, mesmo que fosse uma pequena parte da população, do impacto dos eventos que estavam para acontecer. Para isso eles escolhem pessoas com muito dinheiro para que comprassem sua entrada para a salvação. O preço; 1 bilhão de Euros por cabeça! O povão fica de fora disso tudo e nem mesmo sabia do final que os aguardava. Solitário em sua rádio apenas Charlie Frost (Woody Harrelson) que prenunciava toda aquela armação do governo a fim de ocultar os planos do grande público.

Antes mesmo do previsto, as mudanças na crosta terrestre começam a acontecer e pegam os governos de surpresa que precisam acelerar os planos. O filme começa a partir daí e o foco, então, se volta mais para o drama de Jackson e sua família, juntamente com Gordon, para se livrarem da morte certa. Destruições para lá, explosões para cá a família Curtis e Gordon vão escapando milagrosamente de tudo com muita sorte e altas doses de improbabilidade que tiram sim um pouco da graça das coisas. Eles se juntam a Yuri Karpov (Zlatko Buric), que era patrão de Jackson, num determinado momento da trama e passam a fugir juntos. Depois de mais algumas sucessões de sortes improváveis (para dizer no mínimo) Yuri e sua família conseguem ser resgatados e são levados para as arcas, enquanto Jackson e sua família são abandonadas à própria sorte.

O filme é previsível ao extremo e esse aspecto é muito ruim e estraga boa parte da diversão a ser encontrada. Ainda existem muitas desacelerações no ritmo dos eventos com retomadas melódicas a sentimentalismos idiotas que não combinam com o tom catastrófico das coisas. Entendo que isso é feito para retirar um pouco da tensão do filme e assim agradar uma gama maior de público, mas não precisava ser do jeito que foi. Fica tudo melodramático demais e o foco principal do filme, mais uma vez, perde sua atenção para se focar em coisas bobas.

Então o saldo é de que 2012 será mais um filme de Roland Emmerich de muito sucesso de bilheteria, mas uma droga como película em si. Os efeitos são bons, mas nada demais, o roteiro inexiste e é de um pieguismo e previsibilidade atrozes e tudo isso depõe negativamente pelo longa. Uma pena porque, novamente, mais uma história com potencial muito alto a ser explorado é simplesmente jogada fora por decisões comerciais duvidosas. Nunca se sabe se o filme fosse mantido num tom mais pessimista (realista) se isso desagradaria tanto a ponto de que o impacto na arrecadação fosse significativo. É visível que só se preocupam com o que vão arrecadar e não em fazer um bom trabalho e isso soa como um abuso para quem busca algo mais. Não é só um filme “desligue o cérebro e assista”, pois também contém erros de edição, continuidade e direção. Ainda assim é possível achar diversão e para quem não liga para nada disso é possível achar o filme bom no final.

Intensidade da força: 5,0

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