Código de Conduta

Título Original- Law Abiding Citizen 
Título Nacional- Código de Conduta 
Diretor- F. Gary Gray 
Roteiro- Kurt Wimmer 
Gênero– Policial/Ação 
Ano– 2009 
– Conduta violenta… 
O que se pode ver em Código de Conduta é um filme que quase todo tempo foge do lugar comum. Apesar de tratar de uma história banal que move os acontecimentos (homem perde a família que é brutalmente assassinada). A forma como Clyde Shelton (Gerard Butler) busca sua vingança é tão implacável e interessante que torna um filme que tinha tudo para ser simplório numa obra digna e muito boa ao final. O filme conta com Jamie Foxx (Nick Rice) que interpreta o promotor público que será o alvo principal da vingança de Clyde. 
A história começa com Clyde e sua família num momento tranquilo em sua casinha quando de repente são surpreendidos pelo ataque de 2 marginais que vão assaltar a sua casa. Não contentes em apenas fazer isso um dos elementos resolve ainda estuprar a esposa de Clyde e sabe-se lá o que tenha feito com sua filha pequena. Um deles é preso posteriormente, mas resolve fazer um acordo com a promotoria em troca de uma redução de pena. Esse tipo de acordo é comum nos Estados Unidos (pelo que é retratado em filmes) e guarda uma longínqua semelhança com o instituto da “delação premiada” do Brasil. Nos EUA, entretanto, a margem de flexibilidade dada ao promotor nessa negociação é muito grande, permitindo uma amortização bem grande da pena. Embora ainda acusado do crime original (no Brasil seria roubo seguido de morte, vulgo latrocínio) o acusado teria sua pena sensivelmente diminuída na peça de denúncia do promotor. 
A partir desse ponto é que Clyde entra na história de verdade, pois Nick vai contar a ele que irá fazer o acordo. Clyde fica inconformado, já que ele tinha visto o verdadeiro criminoso que tinha estuprado sua esposa e matado sua filha, e não aceita a forma como Nick impõe que irá fazer o acordo. Alguns anos se passam após tais eventos e Nick já está num cargo mais elevado na carreira da promotoria pública do seu Estado e havia chegado o dia da execução de um dos criminosos. Porém algo diferente acontece. Ao aplicar a injeção letal o detento sofre mais do que deveria e, aparentemente isso é proibido pelas regras da pena de morte naquele Estado. Mal sabiam eles que Clyde já estava colocando seu plano de vingança em ação. 
O próximo alvo seria o verdadeiro culpado de tudo e que merecia, na verdade, ter sido condenado à morte, mas que já estava livre justamente por utilizar a brecha no sistema legal. Aqui tem uma crítica clara ao sistema penal não só do Estado da Filadélfia, bem como a toda a ordem jurídica americana. O mais impressionante é notar como a semelhança se aproxima da realidade brasileira, inclusive. Armando uma emboscada para o elemento, Clyde o captura e o executa de forma brutal tendo assim, teoricamente, concluído sua vingança. Errado! Ele estava apenas começando. 
Logo após tal evento ele é preso e começa a fazer um jogo de gato e rato com Nick, humilhando-o a todo instante e fazendo de idiota todo o sistema investigativo da polícia da Filadélfia e até dos EUA. Apesar de não parecer que o FBI se envolve na trama, num dos trechos do longa a prefeita deixa uma frase que informa que o FBI estava envolvido sim, apesar de não parecer isso. Os policiais descobrem que Clyde não era uma pessoa comum, mas sim era dotado de uma rara inteligência para conduzir situações de alto risco em que não se podia deixar rastros. A teia vai se delineando enquanto as execuções de Clyde prosseguem de forma impiedosa. Essa parte do filme é excelente e deixa todos muito ansiosos para ver qual será o próximo passo dele em sua vingança interminável. 
O filme é muito especial justamente por isso. Conta uma história de vingança contra uma injustiça cometida a um homem bom e sua família, mas a condução é feita de uma forma diferente. Apesar de ainda contar com alguns elementos vistos em outros filmes, como o cara “fodão” que sai acabando com tudo e todos, porém nesse filme a forma como tais eventos se desenrolam é que agregam toda uma nova dimensão e prendem o telespectador durante a exibição. Ainda que contenha alguns “vacilos” no roteiro e que o final deixe a desejar um pouco, Código de Conduta não é um filme policial que deva deixar de ser visto por quem curte o estilo ou até mesmo porque quem gosta de filmes de ação. O filme é bem balanceado no geral, tem um bom “casting” com Gerard Butler e Jamir Foxx na frente, uma direção quase sempre na linha e um roteiro que soube revigorar uma história que tinha tudo para ser mais do mesmo. Vale a pena ir ao cinema passar umas horinhas curtindo esse bom filme. 
Intensidade da Força: 7,5 

2012

Título Original- 2012
Título Nacional– 2012
Diretor- Roland Emmerich
Roteiro– Roland Emmerich/Harald Kloser
Gênero- Ação
Ano- 2009

– Até a próxima, se houver… 

Se o Roland Emmerich resolver fazer outro filme de catástrofe (sua especialidade, mesmo que não faça tão bem) antes de 2012 quem sabe ainda se possa assistir mais uma de suas “pérolas” no estilo, se não poderemos ter visto o último filme que contou como o mundo vai acabar no referido ano (lembrem-se! O Roland contou primeiro!). Este é 2012, mais um filme de Emmerich e mais um do gênero (se é que já se pode considerar isso um gênero) catástrofe. Dessa vez a história se baseia na lenda sobre o calendário Maia que prevê o fim do mundo como conhecemos em 21/12/2012. É uma história que desperta curiosidade de muitos por realmente se tratar de algo que existem estudos a respeito que informam a veracidade do que ali está informado, apesar de não se saber como irá acontecer. A possibilidade que aconteça é plausível.

Com esse pano de fundo é que o filme se estrutura. A premissa é uma das melhores possíveis, mas nosso querido Roland conseguiu mais uma vez estragar e muito essa história. As partes de destruição são muito boas no geral, mesmo que às vezes dê para notar a composição ruim das cenas e o acabamento imperfeito, no geral é quase sempre de bom nível. O que arrasa tudo é o resto. Já dá para saber por aí que não dá para esperar muito do filme. É um mau hábito de Emmerich acrescentar toques sentimentais aos seus filmes e isso destoa muito do que o filme se baseia na essência. Foi assim com 10.000 A.C, O Dia Depois de Amanhã e, em menor grau com Independence Day. Esse tipo de coisa que ele insiste em acrescentar nos seus filmes, talvez para aliviar a tensão dos acontecimentos é feito de uma forma tão melosa que arrasa com a experiência quase por completo.

Em 2012 temos, de verdade, duas histórias. A primeira é a de Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) que é um geólogo e descobre juntamente com outro colega o Dr. Satnam Tsurutani (Jimi Mistry) que a Terra estaria passando por modificações em sua crosta terrestre e que isso teria repercussões drásticas em menos tempo do que eles imaginavam. Ciente desse perigo Adrian procura Carl Anheuser (Oliver Platt) para que se possam tomar as devidas providências com relação ao problema. Na outra ponta temos Jackson Curtis (John Cusack) escritor fracassado (mais uma vez. Lembrem-se, “1408”) separado de sua mulher Kate Curtis (Amanda Peet) e que tem dois filhos Noah (Liam James) e Lilly (Morgan Lily). Kate está casada com Gordon Silberman (Thomas McCarthy) e todos parecem tocar suas vidas da melhor forma possível.

Enquanto isso os governos do mundo vão se organizando para a catástrofe que se aproximava. Adrian havia anunciado a notícia em (2009) e até 2012 eles teriam que conseguir uma forma de livrar, mesmo que fosse uma pequena parte da população, do impacto dos eventos que estavam para acontecer. Para isso eles escolhem pessoas com muito dinheiro para que comprassem sua entrada para a salvação. O preço; 1 bilhão de Euros por cabeça! O povão fica de fora disso tudo e nem mesmo sabia do final que os aguardava. Solitário em sua rádio apenas Charlie Frost (Woody Harrelson) que prenunciava toda aquela armação do governo a fim de ocultar os planos do grande público.

Antes mesmo do previsto, as mudanças na crosta terrestre começam a acontecer e pegam os governos de surpresa que precisam acelerar os planos. O filme começa a partir daí e o foco, então, se volta mais para o drama de Jackson e sua família, juntamente com Gordon, para se livrarem da morte certa. Destruições para lá, explosões para cá a família Curtis e Gordon vão escapando milagrosamente de tudo com muita sorte e altas doses de improbabilidade que tiram sim um pouco da graça das coisas. Eles se juntam a Yuri Karpov (Zlatko Buric), que era patrão de Jackson, num determinado momento da trama e passam a fugir juntos. Depois de mais algumas sucessões de sortes improváveis (para dizer no mínimo) Yuri e sua família conseguem ser resgatados e são levados para as arcas, enquanto Jackson e sua família são abandonadas à própria sorte.

O filme é previsível ao extremo e esse aspecto é muito ruim e estraga boa parte da diversão a ser encontrada. Ainda existem muitas desacelerações no ritmo dos eventos com retomadas melódicas a sentimentalismos idiotas que não combinam com o tom catastrófico das coisas. Entendo que isso é feito para retirar um pouco da tensão do filme e assim agradar uma gama maior de público, mas não precisava ser do jeito que foi. Fica tudo melodramático demais e o foco principal do filme, mais uma vez, perde sua atenção para se focar em coisas bobas.

Então o saldo é de que 2012 será mais um filme de Roland Emmerich de muito sucesso de bilheteria, mas uma droga como película em si. Os efeitos são bons, mas nada demais, o roteiro inexiste e é de um pieguismo e previsibilidade atrozes e tudo isso depõe negativamente pelo longa. Uma pena porque, novamente, mais uma história com potencial muito alto a ser explorado é simplesmente jogada fora por decisões comerciais duvidosas. Nunca se sabe se o filme fosse mantido num tom mais pessimista (realista) se isso desagradaria tanto a ponto de que o impacto na arrecadação fosse significativo. É visível que só se preocupam com o que vão arrecadar e não em fazer um bom trabalho e isso soa como um abuso para quem busca algo mais. Não é só um filme “desligue o cérebro e assista”, pois também contém erros de edição, continuidade e direção. Ainda assim é possível achar diversão e para quem não liga para nada disso é possível achar o filme bom no final.

Intensidade da força: 5,0

Besouro

Título Original– Besouro 

Título Nacional– Besouro 
Diretor- João Daniel Tikhomiroff 
Roteiro- Patrícia Andrade/João Daniel Tikhomiroff 
Gênero- Ação/Aventura 
Ano- 2009 
– Ele avoa, mas o filme não decola… 
Finalmente estreiou no Brasil o tão aguardado filme Besouro, que conta a história do capoeirista de mesmo nome, muito cantado nas rodas até hoje. A grande espera pelo filme se deve não pelo marketing, mas pela temática pouco usual para o cinema o brasileiro que foi utilizada. Um filme de luta e de capoeira, não é todo dia que se vê. A expectativa foi ainda maior depois dos trailers que mostravam um trabalho totalmente diferente do antes visto por essas terras e destacava uma qualidade que rivalizava com o padrão de produções americanas (nas cenas de luta). 
A questão toda que paira sobre o longa é se ele consegue manter o nível apresentado nos trailers. A resposta é não. O trailer praticamente condensa toda a ação e cenas de luta que existem no filme. Uma pena, porque de fato as cenas tem uma qualidade ótima e ver a capoeira sendo utilizada como luta para defesa é algo muito curioso de se ver, pelo estilo pouco usual dos golpes. O problema é que o filme é vendido como sendo de ação focado em luta, mas na verdade, se trata de uma história sobre a cultura negra nos tempos pós-escravidão. A luta é um apêndice do filme e não seu aspecto principal. Isso compromete demais e traz uma frustração muito grande por toda a expectativa gerada. 
No filme temos a história de Besouro (Aílton Carmo) que viria a ser o maior nome da capoeira em nossa terra e talvez no mundo, começando desde sua infância e os ensinamentos do seu Mestre Alípio (Macalé) em busca do aprimoramento tanto da arte, como do espírito. Pode-se ver que Besouro é um jovem deslumbrado por ter o dom para a luta e que se esquece das responsabilidades maiores que envolviam tal capacidade. Os negros ainda eram muito mal tratados naqueles tempos pós-escravidão e em muitos locais ainda eram tratados como escravos (hoje ainda se vê isso por aí). Depois do falecimento do seu mestre a incumbência de liderar os negros cai nos ombros de Besouro que não consegue mensurar a dimensão de tudo aquilo e demora para “cair na real”. 
O longa conta com muitas referências ao candomblé e suas entidades mais importantes, inclusive apresentando a descrição delas para que o telespectador se inteire melhor das raízes de um dos traços da cultura negra. O longa, de fato, busca apresentar este aspecto mais que tudo. A introdução da cultura negra ao público mais geral para que haja uma maior familiarização e assim se possa compreender alguns traços desse povo que domina imensamente o nosso país. O problema não é esse, mas o que foi apresentado antes. Se o filme fosse vendido como histórico com alguns toques de ação, a repercussão seria completamente diferente. 
Existem outros aspectos interessantes a ressaltar. O longa foi considerado um dos mais caros já feitos em nossas terras e contou até com a colaboração do coreógrafo das cenas de Tigre e o Dragão, tanto que algumas cenas remetem àquele mesmo estilo do filme oriental. O retorno precisa ser assegurado com uma boa bilheteria, mas aparentemente isso não vem acontecendo, justamente pela ausência do maior chamariz do filme; as cenas de luta. São meia dúzia de cenas, sendo que relevantes mesmo existem apenas umas 3 e todas de duração muito curta. São bem feitas no geral, mas pecam pela correria. Fica a impressão que houve uma intenção em diminuir os gastos do filme e que o coreógrafo deve ter cobrado muito caro para fazer as cenas e isso comprometeu a duração das mesmas. 
Outro ponto importante é o elenco. É sabido que foi escolhido Ailton Carmo, antes de tudo, por ser capoeirista de verdade e não um outro ator de ofício, tal escolha se deveu ao fato de quererem alguém que praticasse a arte para que não se utilizasse dublês nas cenas. Legal até aí, mas se o filme mal tem cenas de luta para que usar um capoeirista então? Por que não usar um ator de ofício? A opção perde seu sentido. Em algumas críticas informaram que o romance entre Besouro e Dinorá (Jessica Barbosa) tinha ficado forçado. Discordo. Não está forçado, é algo que ocorre até de forma bem natural pelo que fica subentendido e não é isso que compromete o balanço do trabalho no final. 
Enfim, Besouro tem como ponto positivo principal ser o primeiro filme de luta relevante a ser produzido em nosso país. Sem falar da qualidade superior que buscaram empreender nas cenas de luta, porém fica o pecado por ter sido muito mal publicado, comprometendo deveras a imagem final da película. Uma pena, pois isso pode afetar a arrecadação a ponto de se desentusiasmar, no nosso cinema, outras idéias que possam surgir no mesmo sentido. Que fique a lição para outras tentativas do gênero. De uma forma ou de outra, vale a pena assistir para poder ficar sabendo um pouco mais de um personagem de nossa história e agregar um pouco mais de cultura às nossas mentes, caso você tenha pouco conhecimento da cultura negra, em especial do candomblé. A esperança é que outros diretores não desanimem de fazerem filmes do gênero, pois fica provado que é possível sim e pode gerar bons frutos no futuro. 
Intensidade da força: 6,0