Distrito 9

Título Original- District 9
Título Nacional- Distrito 9
Diretor- Neill Blomkamp
Roteiro- Neill Blomkamp/Terri Tatchell
Gênero- Ficção Científica/Ação
Ano- 2009

– Se surpreenda… 

Por mais rebuliço que viesse causando na comunidade amante de cinema ao redor do mundo, sempre busquei conter qualquer euforia mais incontida a cerca de Distrito 9. O receio de ser contaminado por uma alta expectativa e talvez não receber um filme tão bom pela frente poderia acarretar uma análise mais severa que o merecido quando a hora se aproximasse. Sem falar que apesar de ser um filme com a mão de Peter Jackson na produção ele não parecia tão fantástico assim nos trailers que foram disponibilizados por aqui. O final foi o melhor possível, não que tenha havido surpresa, mas o filme é sim, no mínimo, tão bom quanto todos vinham comentando até então.
O longa se passa num mundo um pouco mais a frente do que o temos hoje, mas em que as semelhanças são enormes (para não dizer que nada mudou). Há algum tempo uma nave alien havia estacionado na cidade de Joahanesburgo na África do Sul e os governos mandaram expedições para saber do que se tratava. Ao chegarem lá se deparam com aliens enfraquecidos e que não ofereceram qualquer resistência à aproximação humana. Percebendo tal situação os humanos não foram agressivos e até organizaram um local para que esta população alien se estabelecesse. Futuramente, esse local veio a ser chamado de Distrito 9. Passados 20 anos da chegada dos ETs o que se podia ver era uma similaridade enorme com os hábitos humanos em sua grande maioria, preservando apenas instintos básicos de sua espécie. Na outra ponta os humanos também viam os aliens com desconfiança.
A grande discussão do filme já é levantada logo no começo com a mudança de foco dos eventos de uma já batida América do Norte e Europa para um país africano. Esta decisão não se deu única e exclusivamente por motivos financeiros (as locações, são extremamente simples, com o intuito de economizar mesmo), mas para mostrar que determinados comportamentos são característicos dos humanos e não de determinada raça. Num país essencialmente negro que foi vitimado pelo Apartheid por muitas décadas as pessoas de lá agem de forma semelhante com os aliens, maltratando-os, relegando-os a um micro espaço com condições péssimas, sem falar na intolerância por sua presença. Não é um comportamento vingativo ou pré-ordenado, mas sim algo quase que instintivo.
Durante aquele tempo de permanência, os aliens tinham se adaptado a vida na Terra com os humanos. O Distrito 9 tinha a semelhança de uma favela e os aliens viviam como favelados mesmo (catavam lixo para se alimentar, procriavam desordenadamente, não havia qualquer estrutura mínima de urbanização, a violência imperava, até mesmo o tráfico de armas por alimentos com os humanos que se aproveitavam da situação). Existiam pessoas que achavam pouco toda essa situação e queriam explorar ainda mais os aliens e sua tecnologia bélica. Uma grande corporação armamentista sugere que eles sejam movidos para outra área usando como desculpa as condições precárias que imperavam no Distrito 9, na verdade era tudo um pretexto para poderem controlar melhor os aliens e, assim, terem acesso à sua tecnologia.
O funcionário Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) recebe uma promoção e fica encarregado de liderar essa mudança dos ETs. Durante todo esse processo inúmeros acontecimentos se desenrolam e Mikus começa a passar por graves problemas que culminaram numa mudança de atitude de seu personagem no decorrer da história. As cenas de invasão do Distrito 9 são impagáveis, pois tem um tom meio jornalístico, sem falar que, aparentemente, ninguém sabia como era o Distrito realmente e ao decorrer da incursão se vai descobrindo como os aliens viviam. É tudo meticulosamente descrito e muito bem organizado criativamente. É uma parte que conta com algum humor se quem assiste compreende as mensagens passadas de como os aliens assumiram determinados comportamentos do homem, mas no fundo eram ainda pacíficos, mesmo que estivessem pouco a pouco sendo contaminados pelo comportamento violento do homem.
As cenas iniciais do longa assumem um tom documental como se fosse uma reportagem sobre o Distrito, com vários tipos de pessoas falando, enquanto mostravam certos eventos que ocorriam ali. É nessa passagem que contam como foi a chegada dos aliens e o seu estabelecimento. Essa fase do filme se estende até o momento que Wikus começa a adentrar no Distrito. Depois desse momento o filme pega um ritmo mais voltado para a ação com alguns momentos bem explícitos de “gore”, pois as armas dos aliens tem um poder destrutivo muito grande e quando atingem os humanos eles explodem, em sua maioria. Nada exagerado, mas pode incomodar algumas pessoas mais sensíveis. Apesar de contar com um elenco desconhecido, na maioria, a atuação de Wikus é muito boa. Os aliens estão impressionantes, com um detalhamento ótimo e Christopher (o alien que se alia a Wikus) é um personagem muito bem criado, não só na parte visual.
O filme tem um balanço final muito bom. Está bem dirigido no geral. O roteiro é bom, mesmo possuindo um ou outro momento repetido noutras histórias, não prejudica seu caráter essencialmente inovador para filmes de ficção. A forma escolhida na narrativa fica bem composta e não cansa. Enfim, Distrito 9 é um filme muito bom no geral. A ponta para uma continuação fica lançada, mas não dá para afirmar categoricamente que haverá, visto que a essência do filme teria que mudar muito num segundo longa o que poderia frustrar muito quem gostou desse pelos seus aspectos únicos no gênero. Se você é um amante de ficção e gosta de filmes que lançam discussões mais profundas, então este é um filme para você. Se você gosta de um filme de ação, mas que não cai no exagero há diversão a se encontrar também. O filme tem tudo para agradar uma gama grande de público, por isso não perca a chance de assistir esta surpreendente e ótima produção.
Intensidade da Força: 8,5

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