9 – A Salvação

Título Original – 9

Título Nacional – 9 – A Salvação
Diretor – Shane Acker
Roteiro – Pamela Pettler/Shane Acker
Gênero – Animação/Ficção/Aventura
Ano – 2009
– Muito charmoso… 

Aqui se trata de um filme muito agradável de assistir, ótimo para uma diversão rápida e sem maiores expectativas. Esse é 9, filme de Shane Acker que tem Tim Burton (Sweeney Todd, Batman) e Timur Bekmambetov (Procurado) na produção. O filme conta a famosa técnica stop motion que Tim Burton domina como ninguém e nesse filme dá um show mais uma vez. Os bonequinhos são muito simpáticos e curiosos e dão uma ar todo especial a película. O filme não é pretensioso nem tenta galgar grandes feitos, tem um cunho de divertir com boa qualidade num contexto um pouco menos trivial e bobo do que as animações costumam ser. Um ponto que vale ressalva é que aqui no Brasil o filme foi veiculado com grande cartaz como se fosse um de Tim Burton e não é esse o caso. Dá para se notar a mão do diretor no longa, mas também se percebe que não é uma produção só dele. Ótimo foi poder ver o trailer de Alice antes do filme. 
Na história temos um mundo fictício em que as máquinas dominaram tudo, mas que no começo fica confuso, pois é tudo muito rápido e sem maiores explicações. O bonequinho de pano de nome 9 acorda e não entende muito bem como as coisas funcionam e o que está fazendo ali. Logo ele encontra outro semelhante, 2. Imediatamente depois, 2 é atacado e capturado e 9 fica mais uma vez perdido naquele mundo hostil e que nada conhece. Durante suas andanças ele é resgatado por outro coleguinha de pano de número 5 e é levado para um abrigo onde estão outros bonequinhos sob a liderança do covarde 1. Ainda preocupados com o destino de 2, eles se arriscam num resgate e a partir daí as coisas começam a ser melhor esclarecidas sobre aquela realidade.
É fato que a forma escolhida para contar os eventos não foi a melhor, pois tudo termina ficando um pouco corrido e se você piscar irá perder eventos e não poderá juntar o quebra-cabeças que permitiria uma melhor compreensão dos eventos passados e como tudo caminhou até aquele estágio apresentado no longa. Não precisava um esclarecimento completo no início, mas deixar todo mundo voando sem nenhuma noção de nada pode levar a um desinteresse e falta de paciência, até porque a sequência de acontecimentos não leva a uma expectativa de que as coisas serão esclarecidas devidamente. Ainda assim, ao final, ficam pontas soltas que acredito terem sido intencionais, mas que ficaram muito desconexas dificultando a criação de alguma teoria que explicasse tudo mais claramente.
O filme é uma animação mais adulta, não tem muitos momentos cômicos, portanto é pouco indicada para crianças. Ainda mais pela narrativa difícil, menores não irão compreender bem muitos fatos, talvez por isso não tenha sido um grande estrondo de bilheteria por aqui, mas tecnicamente o filme é muito bom. A qualidade da animação é excelente com pequenos momentos de slowdown perceptíveis, no mais é tudo muito fluido e convincente. Os bonequinhos são muito bem bolados e a ideia de que cada um representa um aspecto do comportamento humano é bem interessante pela forma como é construída a explicação. Apesar de banal e clichê em certos momentos, no geral o filme tem um nível bom e tais elementos não chegam a comprometer o pacote final.
O universo retratado é decadente e destruído e com aspecto meio triste (como Tim Burton costuma apresentar). Alguns elementos lançados são bem interessantes, enquanto outros nem tanto. Por exemplo, a ideia de uma rebelião das máquinas é algo batido e apesar da explicação ser um pouquinho melhor em 9, não chega a salvar por completo. Ainda assim se trata de um filme muito interessante e que consegue divertir. Aparentemente não vem fazendo o mesmo sucesso que fez nos EUA em que conseguiu mais de $100 milhões, algo esperado, pois o filme não é engraçado, afastando crianças e famílias que poderiam ir assistir. Já os adultos, como de costume, não vão se mobilizar muito para assistir por ser uma animação, mas se você não liga para o que os outros fazem ou deixam de fazer 9 é um filme que poderá lhe proporcionar ótimos momentos.
Intensidade da Força: 7,0

Distrito 9

Título Original- District 9
Título Nacional- Distrito 9
Diretor- Neill Blomkamp
Roteiro- Neill Blomkamp/Terri Tatchell
Gênero- Ficção Científica/Ação
Ano- 2009

– Se surpreenda… 

Por mais rebuliço que viesse causando na comunidade amante de cinema ao redor do mundo, sempre busquei conter qualquer euforia mais incontida a cerca de Distrito 9. O receio de ser contaminado por uma alta expectativa e talvez não receber um filme tão bom pela frente poderia acarretar uma análise mais severa que o merecido quando a hora se aproximasse. Sem falar que apesar de ser um filme com a mão de Peter Jackson na produção ele não parecia tão fantástico assim nos trailers que foram disponibilizados por aqui. O final foi o melhor possível, não que tenha havido surpresa, mas o filme é sim, no mínimo, tão bom quanto todos vinham comentando até então.
O longa se passa num mundo um pouco mais a frente do que o temos hoje, mas em que as semelhanças são enormes (para não dizer que nada mudou). Há algum tempo uma nave alien havia estacionado na cidade de Joahanesburgo na África do Sul e os governos mandaram expedições para saber do que se tratava. Ao chegarem lá se deparam com aliens enfraquecidos e que não ofereceram qualquer resistência à aproximação humana. Percebendo tal situação os humanos não foram agressivos e até organizaram um local para que esta população alien se estabelecesse. Futuramente, esse local veio a ser chamado de Distrito 9. Passados 20 anos da chegada dos ETs o que se podia ver era uma similaridade enorme com os hábitos humanos em sua grande maioria, preservando apenas instintos básicos de sua espécie. Na outra ponta os humanos também viam os aliens com desconfiança.
A grande discussão do filme já é levantada logo no começo com a mudança de foco dos eventos de uma já batida América do Norte e Europa para um país africano. Esta decisão não se deu única e exclusivamente por motivos financeiros (as locações, são extremamente simples, com o intuito de economizar mesmo), mas para mostrar que determinados comportamentos são característicos dos humanos e não de determinada raça. Num país essencialmente negro que foi vitimado pelo Apartheid por muitas décadas as pessoas de lá agem de forma semelhante com os aliens, maltratando-os, relegando-os a um micro espaço com condições péssimas, sem falar na intolerância por sua presença. Não é um comportamento vingativo ou pré-ordenado, mas sim algo quase que instintivo.
Durante aquele tempo de permanência, os aliens tinham se adaptado a vida na Terra com os humanos. O Distrito 9 tinha a semelhança de uma favela e os aliens viviam como favelados mesmo (catavam lixo para se alimentar, procriavam desordenadamente, não havia qualquer estrutura mínima de urbanização, a violência imperava, até mesmo o tráfico de armas por alimentos com os humanos que se aproveitavam da situação). Existiam pessoas que achavam pouco toda essa situação e queriam explorar ainda mais os aliens e sua tecnologia bélica. Uma grande corporação armamentista sugere que eles sejam movidos para outra área usando como desculpa as condições precárias que imperavam no Distrito 9, na verdade era tudo um pretexto para poderem controlar melhor os aliens e, assim, terem acesso à sua tecnologia.
O funcionário Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley) recebe uma promoção e fica encarregado de liderar essa mudança dos ETs. Durante todo esse processo inúmeros acontecimentos se desenrolam e Mikus começa a passar por graves problemas que culminaram numa mudança de atitude de seu personagem no decorrer da história. As cenas de invasão do Distrito 9 são impagáveis, pois tem um tom meio jornalístico, sem falar que, aparentemente, ninguém sabia como era o Distrito realmente e ao decorrer da incursão se vai descobrindo como os aliens viviam. É tudo meticulosamente descrito e muito bem organizado criativamente. É uma parte que conta com algum humor se quem assiste compreende as mensagens passadas de como os aliens assumiram determinados comportamentos do homem, mas no fundo eram ainda pacíficos, mesmo que estivessem pouco a pouco sendo contaminados pelo comportamento violento do homem.
As cenas iniciais do longa assumem um tom documental como se fosse uma reportagem sobre o Distrito, com vários tipos de pessoas falando, enquanto mostravam certos eventos que ocorriam ali. É nessa passagem que contam como foi a chegada dos aliens e o seu estabelecimento. Essa fase do filme se estende até o momento que Wikus começa a adentrar no Distrito. Depois desse momento o filme pega um ritmo mais voltado para a ação com alguns momentos bem explícitos de “gore”, pois as armas dos aliens tem um poder destrutivo muito grande e quando atingem os humanos eles explodem, em sua maioria. Nada exagerado, mas pode incomodar algumas pessoas mais sensíveis. Apesar de contar com um elenco desconhecido, na maioria, a atuação de Wikus é muito boa. Os aliens estão impressionantes, com um detalhamento ótimo e Christopher (o alien que se alia a Wikus) é um personagem muito bem criado, não só na parte visual.
O filme tem um balanço final muito bom. Está bem dirigido no geral. O roteiro é bom, mesmo possuindo um ou outro momento repetido noutras histórias, não prejudica seu caráter essencialmente inovador para filmes de ficção. A forma escolhida na narrativa fica bem composta e não cansa. Enfim, Distrito 9 é um filme muito bom no geral. A ponta para uma continuação fica lançada, mas não dá para afirmar categoricamente que haverá, visto que a essência do filme teria que mudar muito num segundo longa o que poderia frustrar muito quem gostou desse pelos seus aspectos únicos no gênero. Se você é um amante de ficção e gosta de filmes que lançam discussões mais profundas, então este é um filme para você. Se você gosta de um filme de ação, mas que não cai no exagero há diversão a se encontrar também. O filme tem tudo para agradar uma gama grande de público, por isso não perca a chance de assistir esta surpreendente e ótima produção.
Intensidade da Força: 8,5

Bastardos Inglórios

Título Original- Inglorious Basterds
Título Nacional- Bastardos Inglórios
Diretor- Quentin Tarantino
Roteiro- Quentin Tarantino
Gênero- Guerra/Drama
Ano- 2009



Bastardo, mas glorioso… 

Por ser um filme de Quentin, já se presume algo fora dos padrões. O longa atual, de sua autoria, pode até ser considerado um bastardo no meio cinematográfico, na visão dos grandes estúdios, mas a qualidade superior a aliada à ótima narrativa entrelaçada com ótimos momentos de ação, drama e toques de humor negro faz com que Inglorious Basterds esteja entre os grandes filmes de Quentin, talvez só perca mesmo para o impressionante Pulp Fiction, mas fora isso o filme é glorioso, para ser sincero.
O longa conta com a participação de Brad Pitt (Aldo Raine) um tenente que comanda uma companhia nada convencional no ambiente da 2ª Guerra. Além dele, estão presentes outros componentes, obviamente, mas o destaque fica por conta do Sargento Donny Donowitz, Urso Judeu (Eli Roth)e de Hugo Stiglitz (Til Schweiger), os demais aparecem, mas com menor destaque ou sem o mesmo carisma desses 2. Na outra ponta temos o antagonista da história interpretado magnanimamente por Christoph Waltz (Coronel Hans Landa), além, claro de Hitler que se resume mais a pequenas participações num tom mais cômico que outra coisa.
Existem muitas semelhanças no filme com outros filmes de Tarantino (Kill Bill e Pulp Fiction), mas as maiores semelhanças estão com Kill Bill. As tomadas nas cenas remontam a composições aparentemente simples, dando um ar realmente teatralizado em algumas cenas, com cenários simples, onde apenas estão presentes a interpretação dos atores, sem falar na famosa divisão de capítulos, que dessa vez tem uma ordem lógica, diferentemente de Pulp Fiction, por exemplo. Não esquecendo as famosas musiquinhas em certas cenas que ou relembram outros filmes do diretor ou, até mesmo, são as mesmas composições de outras obras.
O filme em si pode ser contado por 3 perspectivas diferentes. A da companhia dos Bastardos, a do lado dos Nazistas e, finalmente a de Shosanna Dreyfus/Emanuelle (Mélanie Laurent). A que possui mais aspectos psicológicos envolvidos é a de Shosanna, enquanto a dos Bastardos é a mais divertida e simples possível. O primeiro capítulo trata de introduzir o pano de fundo dos acontecimentos que irão flutuar entre os personagens de Shosanna e Landa. Após dizimar brutalmente a família de Shosanna, Landa permite que ela viva e a deixa fugir. Na outra ponta estão os Bastardos que se resumia numa companhia de pessoas que simplesmente odiavam os Nazistas com todas as suas forças, sendo na sua maioria judeus. Eles eram responsáveis pelo terror dos alemães naqueles tempos, usando técnicas que incutiam um terror psicológico aos alemães, como escalpelar os mortos e marcar com a insígnia as testas daqueles que eram permitidos viver.
O tempo passa e cada um segue seu caminho naqueles tempos de guerra. Shosanna agora é Emanuelle e vive pacificamente cuidando de um cinema em Paris, Landa continua caçando os judeus e os Bastardos fazendo seu pequeno terrorismo. Só que o caminho desses três se cruza e tudo começa quando o soldado alemão Fredrick Zoller (Daniel Brühl) resolve encarnar na pobre Shosanna. Apesar das tentativas de evitá-lo ela não consegue e tudo conspira para que o seu cinema termine sendo palco de uma premiere de um filme nazista, mas mal sabiam eles que Emanuelle era Shosanna e que, claro, iria aproveitar a chance para se vingar.
Enquanto isso os Bastardos preparavam seus planos para uma emboscada que conseguisse atingir de forma mais aguda a cúpula do 3º Reich. Tal estratégia também os conduziria a premiere da apresentação no cinema de Shosanna. O último capítulo é uma sucessão de eventos interessantes e até certo ponto surpreendentes que delimitam aquela linha de um grande filme para apenas mais um. Quentin conseguiu, nesse filme, juntar elementos que há muito não conseguia. Um roteiro afiado e bem amarrado, com uma direção segura que não se perde durante as cenas e interlúdios, sem falar nas interpretações afiadíssimas de cada um, mesmo aqueles que apareceram com menor destaque. Tudo está num nível muito alto o que definitivamente deverá colocar Bastardos na rota de indicação para alguns Oscars, especialmente para Christoph Waltz e quem sabe para Brad Pitt, aqui, com muito mais merecimento que das últimas vezes. Resta apenas a torcida para que a Academia não vacile e escolha de forma equilibrada, sem receios pelo fato de ser um filme de Tarantino em que há sim violência explícita e pitadas contundentes de piadas que não agradam a todos.
A realidade é uma só. Bastardos Inglórios é um excelente filme, muito superior ao já bom Kill Bill e um dos grandes filmes do ano. Existem poucos competidores à vista que parecem ter alguma chance de disputar com essa ótima obra. Aos que possam ter algum receio de assistir por ser um filme de Quentin, não temam! A violência existe, mas é muito menor que em Kill Bill ou mesmo Pulp Fiction. O filme não é um festival de referências banais lançadas sem muito contexto. Tudo está bem melhor dirigido e aproveitado. Você não deverá sentir aquela sensação de baboseira que às vezes afligem as obras de Tarantino. Só não espere muita fidelidade com a história contada. É uma perspectiva bem artística mesmo e tem muitas viagens, mas nenhuma dessas é capaz de sobrepujar a qualidade superior desse ótimo filme.
Intensidade da Força: 9,5

Gamer

Título Original- Gamer
Título Nacional- Gamer
Diretor- Mark Neveldine/Brian Taylor
Roteiro– Mark Neveldine/Brian Taylor
Gênero– Ação
Ano- 2009
– Insert Coin, game over… 
Você vai assistir Gamer, mais um filme de Gerard Butler (Kable) este ano, na esperança de encontrar algo diferente. É verdade que o trailer conta com momentos interessantes e deixa claro no que gira a base principal do filme. O problema de Gamer é que se trata de mais um filme com uma boa idéia, mas muitíssimo mal executada, infelizmente. A parte técnica do filme é sofrível. O roteiro tem muitos furos, a atuação é abaixo da média (se salvam apenas Gerard Butler e Michael C. Hall (Castle) que faz o típico vilão megalomaníaco, mas que dá para aturar), as cenas de ação alternam bons momentos com outros doidos. A continuidade tem falhas visíveis. Uma pena de fato.
A história se passa numa Terra um pouco a frente do presente em que os games virtuais (os MMO’s) atingiram um nível de interação impressionante que permite uma realidade paralela bem verossímil. Até mesmo se pode controlar os “avatares” por meio de outra pessoa. Essa, inclusive, é a idéia mais forte presente no longa. As pessoas controlavam umas as outras por meio de seus computadores, até mesmo seus movimentos e isso agregava um elemento quase viciante a experiência. Existiam pessoas que viviam de trabalhar nestes ambientes virtuais, como no caso do jogo Societies. Na outra ponta, no entanto, haviam desenvolvido um jogo chamado Slayers, que consistia em controlar detentos condenados à morte num jogo à moda de Counter Strike, porém estes homens morriam de fato nas batalhas.Contudo, caso chegassem ao final de 30 batalhas conseguiriam sua liberdade. Kable estava muito próximo desse feito e iria poder rever sua família.
O que Kable não sabia era que sua mulher, Angie (Amber Valletta), estava vivendo como uma das marionetes do jogo Societies. Aqui, inclusive, uma das falhas do longa. Por que ela escolheu trabalhar nisso? Fica claro no filme que se trata de um trabalho degradante voltado para aqueles que não tinham opção. Poderia ser por causa da prisão de Kable, mas não fica claro isso no filme. Kable contava com a ajuda de seu manipulador, Simon (Logan Lerman) para ter chegado tão longe no jogo, ainda assim não era certo que Kable fosse conseguir seu intento, pois ele escondia um segredo que poderia por tudo a perder para Castle.
Existe também um grupo de pessoas que pertencem a uma organização chamada Humanz que se opõe ao ideário representado pelos jogos desenvolvidos por Castle. Eles sabiam que havia algo errado por trás daquilo tudo e que Kable era a resposta. Tentam ajudá-lo, então, fazendo com que um de seus integrantes se aproxime de Simon e de Kable para que possam, assim ajudá-los em sua causa. Aqui fica outra ponta solta que é como um dos integrantes do Humanz tinha contato na prisão de Kable, com extrema facilidade. Não é informado se trabalhava lá ou coisa assim, simplesmente aparece do nada.
Depois de conseguirem uma forma de libertarem Kable do controle de Simon ele foge do jogo e vai ao encontro da mulher para salvá-la, pois seu controlador era uma pessoa bem desprezível que só queria fazer sacanagens com ela. Feito isso, Kable continua com sua perseguição, agora dirigida a Castle. Toda essa parte é muitíssimo mal executada, com defeitos terríveis de continuidade, os pulos de cena estão lá arrasando com a experiência, sem falar das cenas de ação alternando bons e maus momentos.
O filme é de uma banalidade doída demais, previsível e mal executado ao extremo. A única coisa que salva é a temática de fundo. Fora isso é uma bomba sem tamanho. Então, se você não é um grande fã de cinema, de jogos eletrônicos ou filmes de ação, Gamer não é um filme para você. Caso contrário, vá assistir, mas sabendo que a experiência, ainda assim, será bastante frustrante.
Intensidade da Força: 4,5

A Verdade Nua e Crua

Título Original- The Ugly Truth 
Título Nacional- A Verdade Nua e Crua 
Diretor- Robert Luketic 
Roteiro- Nicole Eastman/Karen McCullah Lutz 
Gênero- Comédia Romântica 
Ano– 2009 

– A verdade nua e crua é…


Filmes de comédia romântica tem uma linha, uma fórmula, quase que imutável e que para que saia da vala da mediocridade é preciso uma conjuntura muito forte de aspectos como atuação, direção, diálogos, condução do roteiro (mesmo que seja o de sempre, que a forma como se desenrolem os fatos sejam muito bem articulados e consigam convencer dentro da fórmula), produção. Se algum desses ingredientes fraqueja, a qualidade desse produto já fica altamente comprometida, pois o quesito originalidade vai por água abaixo. Infelizmente A Verdade Nua e Crua segue a linha comprometida.

Protagonizado por Gerard Butler (Mike Chadway) e Katherine Heigl (Abby Richter). O filme já começa com uma premissa altamente repetida. O solteirão malvadão que entende tudo de relacionamentos e por isso sabe que nunca dão certo e a mulher boazinha, mas que nesse caso tentam dar uma travestida muito superficial de chefa durona. O solteirão até convence bem na sua proposta, mas Abby nunca consegue isso. Desde o começo já se vê que ela tem um bom coração e que sua falta de sorte em relacionamentos é pura falta de jeito, mas não decorrência de algum reflexo de uma possível frieza.

Na outra ponta temos Mike que é um apresentador de um programa de variedades que trata de relacionamentos e que, neste programa, ele tenta mostrar uma série de motivos e situações que levariam ao fracasso disso. Partindo desses erros ele tem uma teoria “própria” na qual resulta simplesmente numa completa esculhambação de tudo e que se busque nada mais que o prazer nas relações. Simples assim. Grosseirão, mas com certo charme, ele segue uma linha muito batida neste tipo de trama, mas que tem sua carga aliviada pelo fato de suas falas serem tão escrachadas que realmente fazem rir. Aliás, toda risada do filme se concentra nisso, raramente Abby protagonizará algum momento hilário como tentam sugerir no trailer do longa. Contudo, isso ainda é pouco para agregar valor à película.

A história é rasa como sempre, mas o que agrava mais as coisas é que a forma como tudo é conduzido é de uma previsibilidade cabal. No início eles se odeiam e depois, sem muito motivo, começam a gostar um do outro sem saber. Inclusive, Mike ao final quando tenta explicar porque gosta de Abby joga fora qualquer chance de nexo nesse sentimento. A questão não é racionalizar as coisas, mas tratar com um pouco mais de cuidado a história. Fica tudo parecendo meio jogado como se já que todo mundo sabe que eles vão ficar juntos para que perder tempo elaborando um relacionamento? A questão é que eles mesmos se embolam no que pensam, quando mostram, em certos momentos, alguns traços de Mike em comum com Abby.

O filme tem aqueles defeitos clássicos de toda comédia romântica, mas tem momentos bons, com piadas infames, mas que divertem mesmo assim, de tão escrachadas que são. Tudo isso salva o aspecto “comédia” da trama, mas esqueceram de trabalhar um pouco a outra ponta do gênero (o romance) e, por isso, ficou uma aresta com ponta. Ainda assim o filme vale o ingresso num dia de promoção do cinema e é uma boa pedida para se ver acompanhado, como é de costume neste tipo de filme. Então, se você quer um filminho simples, mas com certa qualidade pode encontrar isso em A Verdade Nua e Crua. Só não vá esperando um filmaço que aí então, suas esperanças não serão desperdiçadas. Boa diversão!
Intensidade da Força: 5,5