O Seqüestro do Metrô


Título Original– The Taking of Pelham 123 


Título Nacional- O Seqüestro do Metrô 


Diretor- Tony Scott 


Roteiro- Brian Helgeland/John Godey 


Gênero- Policial/Drama 


Ano- 2009 

Alternativa na entressafra…
Seqüestro do metrô é um filme policial que pode surgir como opção no momento pouco animado de estréias no Brasil relativo a produções minimamente interessante. Dirigido por Tony Scott que tem bons trabalhos como Chamas da Vingança, Jogo de Espiões, entre outros, é possível já despertar algum interesse pelo longa somente por este motivo, mas como sempre, a parceria dele com Denzel Washington se repete e, além dele, John Travolta faz parte do elenco e faz o papel do vilão na trama. É um filme pouco usual dentro do gênero, apesar de um tema recorrente (seqüestro), mas os personagens envolvidos e algumas discussões levantadas fogem da esteira comum.
No longa, Denzel Washington é Walter Garber um funcionário do metrô de Nova York que está passando por alguns problemas profissionais e, por isso, assume temporariamente o posto de fiscal de algumas rotas de metrô, entre elas a que dá o título ao filme. Do outro lado está Ryder (John Travolta) que tem a “brilhante” idéia de seqüestrar o metrô da referente linha e conseguir, assim, fazer um “caixa”. Só que por trás desse pano de fundo relativamente banal haviam situações peculiares aos envolvidos que dão um toque especial à trama.
Walter Garber teria sido rebaixado de posto (antes era um funcionário de alto escalão da companhia de metrô responsável pela linha) por causa de uma acusação de suborno que corria contra ele. Já Ryder parecia ser mais um bandido seqüestrador maluco, revoltado com o “status quo” presente e por isso havia decidido surtar e seqüestrar aquele metrô, mas algumas coisas no que Ryder falava nas discussões com Walter iam traçando indícios de sua verdadeira identidade e que havia muito mais por trás daquilo tudo.
Os grandes momentos do filme estão nos embates de Walter e Ryder com pinceladas críticas à hipocrisia da sociedade que usa como pretexto situações e ideais para justificar comportamentos equivocados, trazendo ao telespectador uma reflexão sobre determinadas atitudes que vão desde aos benefícios reais de ser um trabalhador honesto e bom pai de família ao verdadeiro papel que um político deve prestar. A política inclusive é alvo de duras críticas no filme com situações que remetem diretamente à nossa realidade, fazendo-nos perceber que as coisas aqui apenas estão num grau mais elevado do desprezível, comparativamente a outros países.
Existem traços claros da direção de Tony Scott no filme, como as tomadas de câmera em alta velocidade, os closes dos personagens em determinadas situações, assim como as paradinhas em certos momentos com aquele sonzinho tentando trazer um impacto ao filme. A questão é que apesar de todo o esforço, o filme não deslancha. Você não irá se empolgar em qualquer momento com os acontecimentos seja porque são previsíveis no seu desfecho, seja porque não há muito que extrair de uma trama baseada em seqüestro.
O resultado é apenas satisfatório, mesmo nos diálogos há aquela sensação de Déjà Vu (outro filme do diretor) e por isso quem assiste não vê muito no que se inspirar para vibrar com algum acontecimento. Apesar do bom elenco principal, bom diretor, o filme fica apenas no patamar mediano e passaria completamente em branco se fosse em uma situação mais movimentada no âmbito de estréias nos cinemas em geral. Então, se você curte cinema e não sabe o que assistir o filme é uma boa pedida, mas não espere nada fabuloso. É a prova que ninguém consegue fazer milagre, quando o Santo não ajuda.


Intensidade da força: 6,0

Morre Patrick Swayze

Faleceu nesta Segunda-Feira o ator Patrick Swayze que ficou inconizado, juntamente com Demi Moore no filme Ghost, dezenas de vezes passado na rede Globo.

Ele tinha um cancer no pâncreas e já lutava contra a doença há alguns anos.

Apesar de estar um pouco sumido das telonas e ter participado de filmes menores nos últimos anos, ele deixou sua marca.

Deus o abênçoe!

UP!

Título Original- Up
Título Nacional- Up- Altas Aventuras
Diretor- Pete Docter/Bob Peterson
Roteiro- Bob Peterson/Pete Docter
Gênero- Animação/Comédia
Ano- 2009
– Para o alto, sem limites para a imaginação…

A Pixar acertou de novo! Agora UP é a nova bola da vez. A nova animação do estúdio finalmente estreiou no Brasil, depois de longos meses de sua estréia nos EUA. Antes tarde que nunca, ainda mais neste caso em que o que se pode ver é a melhor animação do ano (duvido que outra chegue perto) e talvez a melhor da Pixar até então. É possível ainda se discordar disso, até porque os parâmetros de comparação são bem complicados, entre eles ; Wall-e, Ratatouille, Incríveis, sem falar dos mais antigos; Toy Story, Procurando Nemo e por aí vai. A diferença de UP está no sentimento. É um filme que vem seguindo uma linha mais recente da Pixar que começou especialmente com Ratatouille na qual se dá mais enfoque a uma história carismática, sem esquecer a comédia, porém mantendo um tom sóbrio. Um balanço complexo que só a Pixar consegue administrar.

No presente longa temos a história de Carl Fredricksen um velhinho ranzinza que está muito aborrecido com o progresso e sua sede por tomar tudo que as pessoas do passado construíram (crítica ao capitalismo selvagem). Todavia, nem sempre Carl foi assim, quando criança ele era um sonhador que tinha como ideal o aventureiro Charles Muntz que desbravava o resto do mundo em seu dirigivel. Ele conhece a jovem Ellie e com ela passa o resto de sua vida até o seu falecimento. Este momento do filme é crucial para estabelecer o vínculo do telespectador com o protagonista. A forma como a Pixar trabalha os eventos é de uma simplicidade, romantismo e carisma tocantes que fazem você ter toda uma identificação com aquela figura representada por Carl e entender os motivos para sua mudança de humor perante a vida e os outros.

Apesar de entristecido e amargurado, Carl não se torna uma pessoa má ou rancorosa, apenas mais intolerante com bobagens. Até se bater com o pequeno Russel, jovem que quer se tornar o “Grande Explorador” uma espécie de título máximo dado aos escoteiros que cumprirem todas as tarefas que lhe foram destinadas. Ele só precisava ajudar uma pessoa idosa e escolhe justo o Sr. Fredricksen. Esta dupla irá protagonizar os momentos mais surreais do filme, aliando comédia com pequenas doses de drama.

Os gananciosos empresários querem comprar a casa de Carl, mas ele não quer vendê-la, pois ali residem todos os momentos felizes de sua vida e, além disso, ele cria um vínculo singular com o objeto ligando-o à figura de sua falecida Ellie. Na tentativa de evitar isso ele parte para a sua “Grande Aventura” e leva a casa junto. Como? Com balões de ar! Simples assim! Uma das coisas que você terá que se acostumar é justamente com isso; as viagens de UP. Vão desde flutuar com uma casa pelos ares presa apenas por milhares de balões de ar, até cachorros falantes e que pilotam aviões! Simplesmente demais! O que a Pixar realizou criativamente neste filme está acima de qualquer outro trabalho realizado por eles. O índice imaginativo dos caras estava a mil durante a produção deste longa.

A grande aventura de Carl e Ellie era a de chegarem a um paraíso que ficava na América do Sul (gozação com a idéia de que continuamos perdidos por aqui!) e é nessa idéia que o Sr.Fredricksen acreditava. Ele apenas não contava que o jovem Russel iria estar com ele nessa aventura. Ao chegarem no paraíso eles se deparam com uma ave peculiar a quem Russel resolve chamar de Kevin (mal sabia que a ave era fêmea!). O momento da ave com o Sr. Fredricksen é deveras cômico, realmente impagável. Eles se deparam com um cachorro falante durante o caminho, cujo nome é Doug. Este cachorro fazia parte de um grupo de outros cães que seguia as ordens de Charles, outrora dado como desaparecido desde a infância de Carl. Ele havia partido em busca da ave que agora estava acompanhando os dois.

Quando se deparam com Charles a reação imediata é de alegria, mas logo depois se torna tensa, pois ele descobre que os dois estavam com a ave. Numa tentativa de salvar Kevin, que estava procurando seus filhotes, Russel e Carl fogem de Charles. A perseguição acontece e muitas loucuras se passam durante este tempo. O momento mais impactante se dá quando o Sr. Fredricksen resolve ajudar Russel e para isso ele teria que abandonar sua casa. A forma como os roteiristas, que também dirigem o longa, lidam com isso é magistral muito inspirada em filmes de drama romântico da melhor qualidade. Uma cena muito linda, silenciosa, apenas com a expressão de Carl que resolve finalmente ler o Diário de Aventuras de Ellie. Lindo!

O filme conta com um estilo de animação bem caricaturado, com personagens desproporcionais, mas muito simpáticos nos seus traços. Os demais elementos, como animais, terrenos, paisagens seguem a linha mais focada no realismo, com texturas excelentes e cores vivas. Um espetaculo visual! O filme está disponível em 3D e deve ser uma boa experiência extra para aqueles que têm a opção disponível com certa facilidade. Aqui em Salvador, infelizmente essa graça é muito custosa (em termos de disponibilidade, apenas uma sala para toda cidade) o que impossibilitou ser avaliado. O roteiro é primoroso, um pouco menos trabalhado que o de Wall-e no tocante as referências críticas, mas isso se deve mais ao tema da produção seguir uma linha diferente. Alguns criticam a forma como o personagem de Charles Muntz foi tratado, mas isso é uma questão de opinião, talvez um pouco menos de rigor caísse melhor, de fato.

Este é o resumo de UP. Se quiser saber mais sobre, só assistindo. A certeza que você terá é que está diante de uma das melhores (se não a melhor) animações de todos os tempos. Um filme que consegue aliar emoção, carisma, humor, drama e ironia, como nenhum outro. Um filme que segue a nova tendência da Pixar de levar suas produções a outro patamar que não somente o infantil. Assim como Wall-e, um filme para adulto ver também e não somente crianças. Aliás, somente adultos conseguirão sentir tudo de bom que o filme transmite, pois a experiência completa passa tanto pela comédia, como pela parte mais dramática. Um patamar tão alto que talvez nem a própria Pixar consiga superar. Eles alcançaram as nuvens! A Terra já é um lugar pequeno para a excelência e o padrão que foi alcançado por UP. Uma missão inglória que a Pixar se impôs, resta saber se estarão a altura desse desafio. Vocês duvidam? Eu não…

Intensidade da força: 9,5