Arrasta-me para o inferno

Título Original- Drag me to hell

Título Nacional- Arrasta-me para o inferno
Diretor- Sam Raimi
Roteiro- Sam Raimi/Ivan Raimi
Gênero- Terror/Suspense
Ano- 2009
– Arrasta-me para o cinema…
Quem ainda não viu e curte bons filmes não pode perder esse longa dirigido por Sam Raimi que resolveu dar um tempo nos blockbusters do aracnídeo para retornar às origens que o lançaram para o cinema como diretor. Diretor de uma das séries de terror para o cinema mais cultuadas no gênero (Evil Dead-“Noite Alunicante”) Sam Raimi retorna em Drag me to hell com um filme que segue a mesma toada daquele que o fez conhecido no passado. Os mais novos irão estranhar o jeitão desse filme que não segue uma linha muito parecida com a recente onda de filmes de terror/suspense que impregnam o mercado (sobre serial killers e de origem japonesa).
O que se tem em Drag me to hell é um filme que preza pelo bom e velho terror mais “trash”, mas sem cair no exagero ou bestialidade, tentando ainda organizar tudo isso com uma história plausível que consiga prender quem assiste. Nada de requintes doentios de tortura ou coisas sobrenaturais de origem tacanha (como uma menina saindo de uma TV ou uma casa onde todo mundo que morreu no passado volta para assombrar os novos moradores). A originalidade impera aqui, não pelo fato de algo inédito, mas sim por ter sido esquecido ao longo dos anos nessa constante deterioração do gênero.
Em Drag me to hell temos a história de Christine Brown (Alison Lohman) que é uma funcionária de banco responsável por empréstimos e que está na disputa por uma promoção com um novato (crítica aos patrões que não valorizam seus funcionários). Ela se vê numa situação difícil quando seu chefe praticamente condiciona sua promoção a uma mudança em sua postura com relação aos empréstimos e condições de pagamento àqueles que não possam arcar. O problema é que ela escolhe a pessoa errada para ser o alvo de tal mudança de atitude. A Sra. Sylvia Ganush (Lorna Raver) vai ao banco pedir uma extensão de hipoteca e Chris se vê encurralada e termina negando o benefício a “pobre” Sra. Neste momento já se nota o tom do longa com doses cavalares de situações desagradáveis (gosmentas) protagonizadas por Sylvia e sua dentadura, muito bom. Desesperada a Sra. Sylvia se ajoelha, mas ainda assim Chris não cede, enfurecendo a dona que parte do banco injuriada.
O chefe de Chris então informa que ela está à frente na disputa e ela fica contente, consequentemente. Chris mal sabia que o inferno a aguardava logo ali, literalmente. Abordada no estacionamento Chris é perseguida por Sylvia que consegue lançar uma praga nela. Esta praga será o mote principal do filme, pois ao final de 3 dias ela será arrastada para o inferno pelo demônio Lâmia. A cena da briga entre as duas é fantástica com momentos incríveis de extrema criatividade e inspiração de Sam que além de dirigir, assina o roteiro juntamente com Ivan Raimi. Após lançada a praga Chris começa a ter alucinações com Sylvia e se sente constantemente perseguida por algo que não consegue identificar.
Chris resolve então consultar uma espécie de médium, Rham Jas (Dileep Rao), e este então esclarece do que poderia se tratar os problemas que ela vinha passando. Uma coisa muito boa que se pode notar é que na sequência das situações é tudo muito bem construído e concatenado, não há situações que acontecem sem um ritmo lógico, demonstrando a qualidade do filme que foi realizado sem grande orçamento por opção do próprio Sam Raimi.
O tempo vai passando e as situações estranhas vão piorando à medida que o terceiro dia se aproxima. Chris e Rham conseguem um plano para tentar quebrar o feitiço, mas obviamente não funciona e aqui acontece outra cena extremamente criativa e até certo ponto hilária, quando a cabra é possuída pelo espírito da Lâmia. Falando em humor, o filme conta com cenas muito grotescas, mas que não são doentias como impera nos demais filmes, não há mortes de extremo mau gosto que testam sua capacidade de lucidez. O filme busca retornar aos tempos áureos dos filmes de terror em que o que importava era uma boa dose de tolerância às situações gosmentas. Assim como outros filmes de terror, em Drag me to hell temos um estilo. O filme não prepondera pelos sustos (apesar deles acontecerem de vez em quando) e nem pela sensação de claustrofobia de outros longas (ex: Alien). Aqui temos um terror mais direto que busca brincar mais com as chances cada vez menores da protagonista se livrar da maldição.
O aspecto técnico é muito bom no geral, tem alguns defeitos aqui e acolá, mas que não comprometem de forma alguma o resultado final. O roteiro é firme e muito bem estruturado para um filme de terror e até surpreende em certos momentos, dando aquele sentimento de curiosidade de como será o desfecho. Há momentos que se pensa que tudo correrá bem, logo após tudo muda novamente, isso é muito bacana e divertido. Não se trata de um longa no estilo de Exorcista, Alien ou Jogos Mortais, sem falar do terror oriental. É um longa mais voltado ao estilo pastelão de Evil Dead mesmo, um pouco de Hora do Pesadelo e também do mais recente Planeta Terror.
Se você quer assistir um filme para ficar se borrando de medo na sala, esse não é para você, mas se você gosta de uma boa dose de melecas e cenas muito bem compostas com desfechos extremamente inusitados que quase surpreendem aí sim você terá um prato cheio, de uma forma ou de outra Drag me to hell deverá ser o representante máximo do terror de qualidade no ano.
Intensidade da força: 8,0

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