Se beber, não case

Título Original- The Hangover.
Título Nacional- Se beber, não case.
Diretor- Todd Phillips.
Roteiro- Jon Lucas/Scott Moore.
Gênero- Comédia.
Ano- 2009.

– Se quer rir, assista…

O filme em questão é um prato cheio para quem quer ir ao cinema dar umas boas risadas. O trailer pode dar a falsa impressão de que se trata de mais uma comédia americana idiota que só serve para ganhar uns trocados, mas tal impressão é completamente equivocada. O filme tem como pano de fundo as famosas despedidas de solteiro em Las Vegas, mas a forma como tudo é escrito é muito bem feita e criativa, com situações hilariantes ao extremo que será difícil não te fazer rir.

Arrasta-me para o inferno

Título Original- Drag me to hell

Título Nacional- Arrasta-me para o inferno
Diretor- Sam Raimi
Roteiro- Sam Raimi/Ivan Raimi
Gênero- Terror/Suspense
Ano- 2009
– Arrasta-me para o cinema…
Quem ainda não viu e curte bons filmes não pode perder esse longa dirigido por Sam Raimi que resolveu dar um tempo nos blockbusters do aracnídeo para retornar às origens que o lançaram para o cinema como diretor. Diretor de uma das séries de terror para o cinema mais cultuadas no gênero (Evil Dead-“Noite Alunicante”) Sam Raimi retorna em Drag me to hell com um filme que segue a mesma toada daquele que o fez conhecido no passado. Os mais novos irão estranhar o jeitão desse filme que não segue uma linha muito parecida com a recente onda de filmes de terror/suspense que impregnam o mercado (sobre serial killers e de origem japonesa).
O que se tem em Drag me to hell é um filme que preza pelo bom e velho terror mais “trash”, mas sem cair no exagero ou bestialidade, tentando ainda organizar tudo isso com uma história plausível que consiga prender quem assiste. Nada de requintes doentios de tortura ou coisas sobrenaturais de origem tacanha (como uma menina saindo de uma TV ou uma casa onde todo mundo que morreu no passado volta para assombrar os novos moradores). A originalidade impera aqui, não pelo fato de algo inédito, mas sim por ter sido esquecido ao longo dos anos nessa constante deterioração do gênero.
Em Drag me to hell temos a história de Christine Brown (Alison Lohman) que é uma funcionária de banco responsável por empréstimos e que está na disputa por uma promoção com um novato (crítica aos patrões que não valorizam seus funcionários). Ela se vê numa situação difícil quando seu chefe praticamente condiciona sua promoção a uma mudança em sua postura com relação aos empréstimos e condições de pagamento àqueles que não possam arcar. O problema é que ela escolhe a pessoa errada para ser o alvo de tal mudança de atitude. A Sra. Sylvia Ganush (Lorna Raver) vai ao banco pedir uma extensão de hipoteca e Chris se vê encurralada e termina negando o benefício a “pobre” Sra. Neste momento já se nota o tom do longa com doses cavalares de situações desagradáveis (gosmentas) protagonizadas por Sylvia e sua dentadura, muito bom. Desesperada a Sra. Sylvia se ajoelha, mas ainda assim Chris não cede, enfurecendo a dona que parte do banco injuriada.
O chefe de Chris então informa que ela está à frente na disputa e ela fica contente, consequentemente. Chris mal sabia que o inferno a aguardava logo ali, literalmente. Abordada no estacionamento Chris é perseguida por Sylvia que consegue lançar uma praga nela. Esta praga será o mote principal do filme, pois ao final de 3 dias ela será arrastada para o inferno pelo demônio Lâmia. A cena da briga entre as duas é fantástica com momentos incríveis de extrema criatividade e inspiração de Sam que além de dirigir, assina o roteiro juntamente com Ivan Raimi. Após lançada a praga Chris começa a ter alucinações com Sylvia e se sente constantemente perseguida por algo que não consegue identificar.
Chris resolve então consultar uma espécie de médium, Rham Jas (Dileep Rao), e este então esclarece do que poderia se tratar os problemas que ela vinha passando. Uma coisa muito boa que se pode notar é que na sequência das situações é tudo muito bem construído e concatenado, não há situações que acontecem sem um ritmo lógico, demonstrando a qualidade do filme que foi realizado sem grande orçamento por opção do próprio Sam Raimi.
O tempo vai passando e as situações estranhas vão piorando à medida que o terceiro dia se aproxima. Chris e Rham conseguem um plano para tentar quebrar o feitiço, mas obviamente não funciona e aqui acontece outra cena extremamente criativa e até certo ponto hilária, quando a cabra é possuída pelo espírito da Lâmia. Falando em humor, o filme conta com cenas muito grotescas, mas que não são doentias como impera nos demais filmes, não há mortes de extremo mau gosto que testam sua capacidade de lucidez. O filme busca retornar aos tempos áureos dos filmes de terror em que o que importava era uma boa dose de tolerância às situações gosmentas. Assim como outros filmes de terror, em Drag me to hell temos um estilo. O filme não prepondera pelos sustos (apesar deles acontecerem de vez em quando) e nem pela sensação de claustrofobia de outros longas (ex: Alien). Aqui temos um terror mais direto que busca brincar mais com as chances cada vez menores da protagonista se livrar da maldição.
O aspecto técnico é muito bom no geral, tem alguns defeitos aqui e acolá, mas que não comprometem de forma alguma o resultado final. O roteiro é firme e muito bem estruturado para um filme de terror e até surpreende em certos momentos, dando aquele sentimento de curiosidade de como será o desfecho. Há momentos que se pensa que tudo correrá bem, logo após tudo muda novamente, isso é muito bacana e divertido. Não se trata de um longa no estilo de Exorcista, Alien ou Jogos Mortais, sem falar do terror oriental. É um longa mais voltado ao estilo pastelão de Evil Dead mesmo, um pouco de Hora do Pesadelo e também do mais recente Planeta Terror.
Se você quer assistir um filme para ficar se borrando de medo na sala, esse não é para você, mas se você gosta de uma boa dose de melecas e cenas muito bem compostas com desfechos extremamente inusitados que quase surpreendem aí sim você terá um prato cheio, de uma forma ou de outra Drag me to hell deverá ser o representante máximo do terror de qualidade no ano.
Intensidade da força: 8,0

Brüno

Título Orignal -Brüno
Título Nacional– Brüno
Diretor– Larry Charles
Roteiro– Sacha Baron Cohen/Anthony Hines
Gênero– Comédia
Ano-2009
– Não é para todo mundo…
O tipo de comédia tratada em Brüno, novo filme/documentário de Sacha Baron Cohen, não é indicado para todo tipo de público que curte comédias. Politicamente incorreto ao extremo, o estilo de piadas que é retratado no filme é mais pesado do que em Borat (filme anterior de mesma linha do ator). Agora Sacha é Brüno um jovem de 19 anos que quer alcançar o estrelato mundial a todo custo e não medirá esforços para tanto.
A forma como Sacha trata as situações continua na mesma linha de Borat, mas dessa vez pelo fato do personagem principal ser um gay as coisas ficam ainda mais drásticas, com diretos a pênis na tela durante certos momentos, coisa que não irão aprazer a todos, não resta dúvida. Nem tudo em Brüno, porém, é vazio ou se resume a apenas fazer comédia de forma grotesca em alguns momentos. Há insinuações em muitos momentos e mensagens que ganham ainda mais importância por serem retratos de como as pessoas costumam se comportar perante determinados momentos.
Dessa vez Sacha não mediu limites em suas brincadeiras, provavelmente porque já imagina que a coisa não irá ser fácil para ele conseguir fazer outro filme neste estilo. Aqui ele já teve de fazer várias mudanças de visual para conseguir enganar as pessoas mais uma vez, mas já nota-se que as situações já não duram mais tanto tempo quanto em Borat. As pessoas sacam mais rápido as brincadeiras, ainda assim existem momentos de “lerdeza” protagonizado por certos indivíduos.
Um dos exemplos mais emblemáticos disso são as cenas com as entrevistas com pais e mães para testes com bebês em comerciais, assim como quando está num acampamento com outras figuras para caçar. Nas demais situações a coisa se deteriora mais depressa, talvez por causa do tipo de personagem interpretado ser muito exagerado e isso causa uma percepção mais rápida por parte de alguns. Mesmo assim as pegadinhas acontecem e são, em sua maioria, hilárias ao extremo.
As partes que remetem uma reflexão estão presentes como quando na cena da entrevista com os pais dos bebês, a cena do hotel quando ele está algemado com o companheiro na cama, mas por incrível que pareça a intolerância é um pouco menor neste filme do que em Borat, as pessoas se expõem menos com relação as suas atitudes, muito em virtude do fato de Brüno ser muito espalhafatoso, isso mais compromete do que ajuda numa possível enganação. Borat era um cara mais verossímil, por isso conseguia expor mais facilmente os pensamentos dos outros.
O que Sacha realizou com estes dois filmes foi um estilo que só ele consegue fazer com qualidade. O documentário-comédia, não existe outros representantes nesse sentido dignos de alguma atenção, até porque Sacha se preocupa em não ser somente idiota, mas em agregar algo nas suas brincadeiras quase sempre. O filme é muito divertido, mas força um pouco em determinados momentos o que pode assustar pessoas mais puritanas, por isso cuidado ao se aventurar em assistir Brüno. O que se tem é uma versão anabolizada de Borat nas piadas e situações constrangedoras, espantando ainda mais uma boa parte do público. Sabendo desses detalhes assista que você irá se divertir horrores.
Intensidade da força: 7,5

G.I Joe: A Origem de Cobra

Título Original- G.I Joe: The Rise of Cobra
Título Nacional- G.I Joe: A Origem de Cobra
Diretor- Stephen Sommers
Roteiro- Stuart Beattie/David Elliot
Gênero- Ação
Ano- 2009
– Na linha de Transformers…
O filme em questão segue a mesma linha de Transformers, portanto, isso já pode ser um motivo para algumas pessoas não quererem assisti-lo. Apesar das semelhanças (foco no visual, interpretações abaixo da média para alguns atores) os filmes tem diferenças. Gi-Joe não se parece tanto com Transformers, pois a história é focada em humanos e isso já aproxima um pouco mais do público, dá uma percepção de maior veracidade, pois os conflitos vividos são familiares. A história é mais elaborada que a de Transformers e melhor conduzida. O propósito para as ações apesar de banais são mais bem justificados em Gi-Joe do que em Transformers. Feita esta apresentação inicial tratemos do filme em si.
O longa se baseia na linha de brinquedos que depois iria virar desenho animado que fez muito sucesso nos anos 80 e início dos 90 aqui no Brasil e pelo mundo. Se trata de uma história familiar para quem viveu nessa época e traz curiosidade para se ver como ficaria transposto para a tela do cinema. O momento para um longa de Gi-Joe não podia ser melhor, num momento em que se buscam idéias novas para os filmes, nada mais seguro do que se apoiar numa marca que com certeza atrairá um bom público aos cinemas, nem que seja por curiosidade. O filme não ficou ruim. Isso é importante dizer, pois o que se tem de fracassos nesse tipo de situação não se tem como contabilizar. A produção está na média tomando por base uma idéia que foi feita para um público infantil, para quem não conhece não vá esperando um filme fiel a nada, até porque não é essa a intenção.
Tudo começa com um grupo de soldados americanos que ficam encarregados de uma carga de uma nova arma que teria um poder destrutivo imenso e que ainda permitia um controle total sobre sua capacidade de destruição por parte de quem a obtivesse. Seria uma espécie de nano robôs que poderiam fazer de tudo praticamente, bastando apenas um comando de quem o tivesse (surreal, não?). Os soldados são emboscados por uma força inimiga desconhecida, mas que apresenta uma tecnologia muito avançada e são facilmente derrotados, nessa pequena batalha aparece um outro grupo que também conta com uma boa tecnologia e consegue parar tais inimigos desconhecidos. Estes últimos eram os Gi-Joe e os primeiros viriam a ser os Cobras. O filme conta como os Cobras surgem e isso ficou até que bem escrito, avaliando as dimensões que tem como molde para tal estória.
Os únicos sobreviventes desse embate inicial foram os soldados Duke (Channing Tatum) e Ripcord (Marlon Wayans), logo de início Duke reconhece entre os Cobras uma antiga conhecida a Baronesa (Sienna Miller), porém não entende o que havia causado sua mudança de atitude. Levados ao quartel do Joe, Duke e Ripcord conseguem uma oportunidade de ingressar no grupo. Passado o teste inicial eles então iriam partir para recuperar a maleta que continha as ogivas com os “nanomites” as quais os Cobras haviam conseguido reaver. Por incrível que pareça, essa cena é um dos furos de roteiro do longa. Como uma base super avançada e especializada é facilmente assaltada por meia dúzia de Cobras? Sem explicação. Eles apenas entram lá facilmente e conseguem a maleta com os “nanomites”.
Durante a caça aos inimigos os Joe descobrem de forma patética que quem estava por trás do plano de roubo da maleta era o mesmo que a criara Christopher Eccleston (McCullen/Destro), isso ficou muito mal feito também porque não houve nenhum pouco de apuro em pelo menos se dar uma explicação menos infantil para a descoberta. Eles simplesmente sacaram do nada. O que leva a outra questão; Por que não haviam descoberto antes do roubo? Percalços que ainda sim não comprometem tanto o desenrolar do longa, mas já mostram o pouco cuidado com detalhes não tão pequenos assim. Enquanto caçam seus inimigos os Joe testam uma roupa super avançada que amplifica as capacidades do ser humano. A cena é a melhor do filme, apesar de ainda assim possuir alguns errinhos de edição, direção e continuidade.
Como visto, o filme não é um apuro técnico. Possui problemas em todos os setores, assim como seu semelhante Transformers. O grande problema de Gi-Joe é que tais probleminhas são em maior número e ainda contam um agravante, a péssima atuação do escolhido para protagonizar o filme, Duke. Esse cara é ruim demais e é incapaz de demonstrar qualquer lampejo de sentimento durante as cenas, nem que fossem de ação, fúria, alegria ou qualquer coisa. Até o sorriso do cara é forçado. Benza Deus! Os demais atores estão na medida, mas fazem sempre aquele estereótipo manjado. Ripcord faz o engraçadinho, mas pelo menos sabe ser responsável quando preciso. Heavy Duty (Adewale Akinnuoye-Agbaje) faz o truculento, mas que no fundo tem um bom coração. Scarlett (Rachel Nichols) é séria, mas que sente atração pelo engraçadinho. Os personagens Joe podem ser bobos, mas ao menos os Cobras são interessantes; Baroness é interessante até o momento que se descobre porque ela age daquele jeito, Mccullen é o típico vilão, mas não fica estereotipado, enquanto The Doctor (Joseph Gordon-Levitt) também dá uma dose de mistério a trama. Por fim os ninjas dão aquele toque diferente e dinâmico que desafoga todo aquele militarismo tecnológico que às vezes pode saturar.
O que se pode dizer de Gi-Joe é que se trata de um filme na média, mas que diverte muito nos seus bons momentos. As cenas de ação são interessantes em sua maioria, pois apresentam todo aquele aparato tecnológico criativo que faz nossa imaginação voar, apesar de alguns escorregões, isso não chega a comprometer o pacote como um todo. É um filme muito bom para se assistido despretensiosamente. Tal aspecto pode agradar alguns e a outros nem tanto, mas nem sempre se tem a oportunidade de se ver uma produção de boa qualidade desse tipo. Normalmente ficam sempre caricaturadas e desse mal G.I Joe: A Origem de Cobra não sofre. Bom divertimento!
Intensidade da força: 6,0

A Proposta

Título Original– The Proposal
Título Nacional- A Proposta
Diretor- Anne Fletcher
Roteiro- Peter Chiarelli
Gênero- Comédia/Romance
Ano-2009
– Essa proposta é das boas!
Mesmo com todos os contratempos que acompanham filmes de comédia romântica (roteiros previsíveis que doem, momentos clichê de fazer vomitar até uma criancinha de 5 anos, melodramas sofríveis) A Proposta é a prova de que é possível fazer um bom filme no gênero minimizando os aspectos ruins e maximizando os bons até o limite. Essa é a grande virtude desse filme que conta com Sandra Bullock (magérrima e bem bonita) e Ryan Reynolds (no traço absurdo). O filme foge ao estereótipo básico da maioria dos representantes ao mostrar uma história bacaninha, mas principalmente, por nunca deixar o bom humor de lado durante a exibição.
O filme apresenta Margaret Tate (Sandra Bullock) como uma editora-chefe de renomada empresa do ramo literário que remonta a outra personagem de outro longa (Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada) por sua semelhança na atitude fria (cruel em certos momentos) com funcionários, sem falar a dedicação exarcebada ao seu trabalho, contudo as semelhanças entre os personagens morrem aí saberemos o porquê mais adiante. Fazendo às vezes de Andrea está Andrew Paxton (Ryan Reynolds), apesar de ser espezinhado pela chefa as semelhanças com Andrea acabam por aí. O começo do filme mostra que não se trata de uma simples comédia romântica, mas a questão estava em até quanto tempo o nível inicial iria perdurar? Durará até o fim do filme.
Margaret se apresenta em mais um dia de trabalho na empresa e todos já vão se esgueirando com maior medo da chefa enquanto ela vai passando (as mensagens no chat são hilárias, inclusive com os sonzinhos! Muito bom!). O pobre Andrew já tem problemas quando derrama o café de sua chefa e mal sabia ele que aquilo seria apenas o começo. Depois de despedir um funcionário e quebrar o maior pau Margaret é convidada à sala dos chefes para uma conversa, lá então ela descobre que seu visto de permanência nos EUA fora rejeitado e que ela teria que abandonar o país por 1 ano e que o funcionário que ela acabara de despedir ocuparia seu lugar. Desesperada com a situação ela vê em Andrew a saída para a sua situação; um casamento de fachada para assim permanecer no país.
Andrew fica assustado e confuso no começo com tal proposta tão repentina, mas depois da entrevista com o agente da imigração ele vê a oportunidade na situação e resolve tirar proveito da melhor forma. Daí em diante o filme se desenrola, mas não é algo estático e preso às amarras comuns a filmes de comédia romântica, mas sim um desenvolvimento bem cadenciado que conduz ao final feliz esperado em todo filme do gênero. Há toda uma interação familiar que vai construindo em Margaret sentimentos outrora esquecidos por ela e isso vai construindo uma certa ligação entre o casal principal.
Curioso comentar que apesar das aparências semelhantes aos personagens de O Diabo Veste Prada, em A Proposta a semelhança não é imitação. Tanto Margaret como Andrew não são como Miranda e Andrea. Eles tem realidades diferentes, comportamentos diferentes e motivações diferentes para agirem como fazem no filme e isso também ajuda a elevar o nível da trama, valorizando o trabalho do roteirista que não se deixou levar pela falta de criatividade. Outra coisa muito boa é que o “par romântico”, na verdade não fica morrendo de amores um pelo outro até o final. Eles vão descobrindo coisas um do outro e se afeiçoando, apesar da expressão “eu te amo” estar presente não é naquele tom exagerado e surrealista a que comumente se vê sendo utilizando neste tipo de filme. A famosa química é dada na medida, justamente por causa do enfoque realista que se busca tratar a relação dos dois.
A parte técnica do filme está muito boa no geral. As cenas são bem dirigidas. Os personagens sabem o que fazer durante as tomadas, isso mostra a boa mão do diretor. O roteiro está bem afinado e creio ser difícil se conseguir fazer melhor com algo tão “formuláico” como é o gênero de comédia romântica. Até mesmo os clássicos momentos de decepção com o grande amor estão ausentes do longa, adotando-se uma posição diferente para tal situação. Em geral o nível é muito alto em A Proposta. A interpretação de Ryan Reynolds é altíssima durante todo o filme. A primeira cena é antológica e mata qualquer um de rir e ele o faz apenas com expressões faciais, mostrando que é um bom ator mesmo. Sandra Bullock não convence como chefa durona que, entretanto é uma pessoa amável, porém apenas endurecida por acontecimentos difíceis em sua vida, mas nem isso é capaz de ofuscar o brilho dessa produção surpreendente. Assistir esse filme com seu par será sem dúvida muito bom para qualquer relacionamento. Não percam!
Intensidade da Força: 8,0