Anjos e Demônios

Título Original- Angels & Demons
Título Nacional- Anjos e Demonios
Diretor- Ron Howard
Roteiro- David Koepp/Akiva Goldsman
Gênero- Mistério
Ano- 2009

– Uma missão complicada…

É a de analisar esse filme, haja vista se tratar de uma produção baseada num livro de sucesso e que mexe com os gostos particulares de muitas pessoas, mas estamos aqui para isso também. Se tiver que ser esculachado, que seja.

O filme conta as aventuras de Robert Langdon (Tom Hanks), que está mais uma vez na pele do historiador/caçador de mistérios interpretado anteriormente no Código DaVinci. Nessa película, a presença a críticas com relação a Igreja Católica é ainda mais voraz que no primeiro filme. Pode se ter a falsa impressão de que o Código DaVinci foi mais perturbador que este longa, mas tal impressão é equivocada, apesar de questionarem a idéia da história de Cristo e de algumas simbologias sagradas no primeiro longa, neste questionam as bases que sustentam a própria igreja.

A questão é que a história de Cristo é cercada de muitos mistérios e muitos mitos o que; quer queira, quer não possibilita margem a indagações e basicamente isso é feito no Código DaVinci. A afronta vista por mim no primeiro não é tão grave quanto neste, pois se trata de um filme que lança uma segunda versão: “E se a história não for do jeito que está na Bíblia base da Igreja?” Isso tem um tom de desafio, mas não de menosprezo como é visto em Anjos e Demônios.

O anjo neste filme é Robert Langdon (um ateu) e o demônio é representado pelos padres, pois do jeito que são retratados é o que fica salientado. Isso é brincar demais com a crença de milhares de pessoas. É usurpar o direito das pessoas de sonhar, tratando isso como se fosse lixo. Ninguém tem esse direito, num conflito de direitos fundamentais, a liberdade religiosa (e nisso inclui-se o respeito ao credo dos católicos e quaisquer outras igrejas, por mais questionável que elas possam ser) sobrepõe à liberdade intelectual de um único ser (o escritor, Dan Brown). Interesse difuso homogêneo e abstrato na pura essência versus interesse privado praticamente.

É difícil se dissociar a idéia de um filme baseado em certas fundações, mesmo que a parte técnica do filme não seja tão ruim. Num paradigma complexo esse filme é melhor que o péssimo Wolverine, mas não muito melhor, não somente pela temática totalmente desprezível, bem como por não ser lá nenhum primor técnico também. Temos uma sucessão de esculhambações (o termo mais apropriado é esse) à Igreja e tudo que ela representa para seus fiéis, com padres que vão da pura futilidade e apego material ao radicalismo intolerável comparável ao próprio Islã, mas com o agravante da falta de honra, aspecto muitíssimo prezado naquela cultura.

Quem leu o livro é quem na maioria foi ver o filme. Conta a história de uma ameaça à Igreja em pleno Vaticano motivada pela descoberta da antimatéria provinda do choque dos átomos. Daí chamam Robert por ser um especialista no assunto já que os indícios levam a suspeita de que o grupo estivesse se utilizando de conhecimentos sobre o passado da Igreja. As coisas se desenrolam de forma lenta no início, mas aquecem na última terça parte do filme, apesar do vilão mor causar certa surpresa, não é algo totalmente imprevisto, quando se descobre que é ele a frustração é até maior por utilizar de artifício tão manjado assim. Quem assiste não vai pensando em reviravoltas óbvias ou previsíveis.

O filme é isso; quase sempre morno, do meio para o final esquenta e no final dá uma reviravolta, mas que não surpreende com algo inesperado de fato. Tom Hanks não se destaca, tampouco está ruim, bem como o restante do elenco. Tudo é médio no filme e o atroz é a brincadeira com a Igreja Católica. A briga, que fique bem claro, não é porque ofende a Igreja Católica em particular, seria o mesmo pensamento se fosse qualquer religião milenar desse mundo. É com a falta de respeito com o mundo de pessoas que se sustentam naquilo muitas vezes para manter uma postura otimista frente a tudo e ninguém tem o direito (por pretexto que seja) de brincar com os sentimentos das pessoas.

Intensidade da força: 4,5

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