Milk

Título Original- Milk
Título Nacional-
Milk
Diretor-
Gus Van Sant
Roteiro-
Dustin Lance Black
Gênero-
Biografia/Drama
Ano-
2008

– Fabuloso!

A história de Harvey Milk(Sean Penn) é incrível, não pelo que ele representou em si para o movimento gay, em especial nos EUA nos anos 70, mas como pessoa que foi no acúmulo de coisas de sua vida. Harvey Mylk passou boa parte de sua vida se comportando como a grande maioria dos gays, com medo, enumerar as razões de tal medo não faz sentido aqui, mas o filme deixa claro isso nos seus primeiros minutos. Ele se envolve Scott Smith (James Franco) e passam a viverem juntos daí.

Ao se mudaram para o Bairro do Castro em São Francisco nos EUA, na esperança de lá encontrarem um lugar mais acolhedor eles se decepcionam. Pudera! Eles haviam escolhido um bairro católico-irlandês para viverem com sua opção sexual. Era pedir demais. Recebidos da pior forma possível o jovem casal resolve lutar contra as dificuldades, mas para Harvey tais dificuldades despertaram nele algo mais. Uma vontade de agir contra toda aquela onda discriminatória exacerbada que havia não só impondo sua presença e seu estilo de vida, mas conclamando todos os demais para se unirem numa espécie de cruzada contra o preconceito.

A situação da época era realmente péssima. A polícia oprimia os gays sem nenhuma razão, inclusive matando (coisa que ainda hoje acontece por aqui e mesmo em outros lugares de primeiro mundo), porém as coisas eram mais abertas naquele tempo, era algo ainda mais tolerado pelo restante da sociedade. Neste ambiente de hostilidade Milk resolve se candidatar a Supervisor do Distrito que o Castros se encontrava. Ele havia entendido que apenas tendo uma representação política teria armas para combater tudo aquilo.

No início as coisas não são nada faceis. Milk perde por anos seguidos suas tentativas de eleição. Ele busca apoio de outros gays poderosos da área, mas não o encontra (ninguém queria um “novato” alcançando o poder). Quando está prestes a desistir há uma virada. Ele reformula seu plano eleitoral mudando a assistente de campanha (antes Scott) e com ela, finalmente Milk chega ao poder.

No entanto, nem tudo são flores. Harvey percebe que a vida no parlamento é ainda mais conturbada e complexa do que antes e enfrenta o preconceito também naquele meio. O mais impressionante nisso tudo é que Harvey Milk era uma pessoa com um carisma natural, de fato um predestinado a fazer algo maior nessa Terra e ele fez. Acordou uma massa oprimida e deu a eles a consciência política necessária para poderem defender seus interesses.

A mensagem de Milk não é apenas passar o estilo de vida gay nos anos 70, como também apresentar as razões fundamentais da luta dessa minoria. A idéia do filme é abrir os horizontes para que as pessoas entendam que ninguém deve ser reduzido de sua condução humana apenas por uma opção sexual e muito menos ter sua vida estirpada por isso. Como Harvey diz no filme: “Eu luto por uma causa de vida”. Isso é tocante e é de fato o que ele buscava. A proteção da vida daquelas pessoas, pelo menos. A mensagem foi passada com certeza.

Tecnicamente o filme é ótimo em todos os sentidos, tem uma narrativa bem conduzida, com interlúdios bem produzidos e aparentemente retratou com uma boa fidelidade quem era a pessoa “Harvey Milk” (primeiro gay assumido a chegar a um cargo político nos EUA). A atuação de Sean Penn é embasbacante (sua transformação impressiona, ainda mais para quem sabe que ele é um baita “garanhão” hétero) e dá um tapa na cara bonito nos ignorantes de plantão. Sem mais debates a respeito do assunto da opção sexual, se você tiver tempo, tiver uma certa dose de coragem (o filme tem cenas “picantes”) assista Milk sim, a certeza é de que você terá um filme que conta uma história de vida linda!

Intensidade da Força: 9,0

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