Talvez o Ritmo Diminua

Olá amigos do blog!

No momento estou sem a carteira de estudante e talvez ainda leve um tempo para que ela chegue. Por isso, é possível que eu passe um certo tempo sem postar no blog novas análises.

No entanto, estarei postando sempre que vir alguma notícia realmente relevante, caso apareça neste período, ou mesmo se eu for assistir algum filme mesmo pagando a inteira (que é bastante cara).

Quero dizer apenas que o blog vai continuar, apenas que as coisas irão ter uma intensidade mais reduzida durante, no máximo, 1 mês. Quando voltar será com a corda toda! Até lá então!

Abraços Power!

Gran Torino

Título Original- Gran Torino
Título Nacional- Gran Torino
Diretor- Clint Eastwood
Roteiro- Nick Schenk/Dave Johannson
Gênero- Drama
Ano- 2008

– Como pode?
Como um filme tipo Gran Torino fica de fora da disputa do Oscar? – Vai saber! É o que respondo- É sabido que a Academia escolhe por critérios estranhos seus indicados e que nem sempre o melhor de fato está entre os possíveis indicados. Agora, que foi feita uma grande injustiça sem indicar Gran Torino nem que fosse ao Oscar de melhor filme isso foi. O leitor saberá porque em diante.
O filme conta a história de um Sr. veterano de guerra, Walt Kowalski(Clint Eastwood). Amargurado por toda a vida pelas coisas que teve que fazer durante a guerra. Além disso, Walt é muito preso a um estilo de vida antigo e não conseguiu se adaptar bem às situações contemporâneas se tornando uma pessoa díficil de lidar e cheia de preconceitos inadimissíveis nos dias atuais.
Tudo isso, no entanto, não retira o seu caráter humano e bondoso ainda presente, mesmo que díficil de dectar perante toda aquela “casca” que havia formado durante os anos. Walt perde sua esposa, aparentemente a única pessoa que o compreendia e com que ele parecia ter laços mais próximos passando a viver sozinho. Seus filhos tem pouco contato com ele e por isso não se sentem a vontade na sua presença, dificultando ainda mais as coisas.
Walt vai morar num bairro considerado pobre que é frequentado por imigrantes asiáticos em sua maioria e por pessoas de idade como ele. Ele acha tudo normal, pois realmente queria ficar sozinho o que melhor seria do que estar no meio de asiáticos e velhotes? Segundo seu modo de pensar. Acontece que um evento mudará completamente sua percepção sobre como vê a vida e nisto reside a maestria de Gran Torino.
O jovem hmong Thao (Bee Vang) sempre vinha sendo perseguido por uma gangue de asiáticos na qual seu primo era o líder. Eles queriam que Thao integrasse a gangue, infelizmente Thao cede às pressões e tenta roubar o Gran Torino(um carro) de Walt, mas fica apenas na tentativa. Noutro momento do filme a gangue tenta arrastar Thao mais uma vez só que Walt interfere impedindo que isso aconteça. Após este evento a comunidade asiática do bairro fica grata a Walt e passam a tê-lo como uma espécie de heroí.
A magia de Gran Torino, no entanto, está em seus diálogos carregados de um humor negro sem precedentes com muitos toques racistas de todos os sentidos possíveis, tornando um assunto tão polêmico em algo até engraçado, tudo isso devido ao brilhantismo do roteiro que soube lidar com algo tão delicado. Clint está incrível no papel de durão implacável, mas com um toque de humanidade e sabedoria na medida, sem falar da mensagem que não há idade para se mudar a forma como se porta diante da vida.
É um pecado uma obra como Gran Torino não ter concorrido a nenhum Oscar e termos visto filmes médios como “O Leitor” em seu lugar. Vá lá que a Academia tivesse querido dizer que não se rende a fórmulas de filmes para ganhar Oscar. O que é mais importante então? Um filme ser bom e seguir uma fórmula ou não ser bom e não seguir fórmula alguma? O que deve ser preservado é a qualidade do filme e não seu meio de produção e foi esse o pecado cometido em Gran Torino. Um filme único, inesquecível, imperdível que aos que ainda não viram, “CORRAM!” O tempo está passando e ele vai sair de cartaz.
Intensidade da Força: 10

Milk

Título Original- Milk
Título Nacional-
Milk
Diretor-
Gus Van Sant
Roteiro-
Dustin Lance Black
Gênero-
Biografia/Drama
Ano-
2008

– Fabuloso!

A história de Harvey Milk(Sean Penn) é incrível, não pelo que ele representou em si para o movimento gay, em especial nos EUA nos anos 70, mas como pessoa que foi no acúmulo de coisas de sua vida. Harvey Mylk passou boa parte de sua vida se comportando como a grande maioria dos gays, com medo, enumerar as razões de tal medo não faz sentido aqui, mas o filme deixa claro isso nos seus primeiros minutos. Ele se envolve Scott Smith (James Franco) e passam a viverem juntos daí.

Ao se mudaram para o Bairro do Castro em São Francisco nos EUA, na esperança de lá encontrarem um lugar mais acolhedor eles se decepcionam. Pudera! Eles haviam escolhido um bairro católico-irlandês para viverem com sua opção sexual. Era pedir demais. Recebidos da pior forma possível o jovem casal resolve lutar contra as dificuldades, mas para Harvey tais dificuldades despertaram nele algo mais. Uma vontade de agir contra toda aquela onda discriminatória exacerbada que havia não só impondo sua presença e seu estilo de vida, mas conclamando todos os demais para se unirem numa espécie de cruzada contra o preconceito.

A situação da época era realmente péssima. A polícia oprimia os gays sem nenhuma razão, inclusive matando (coisa que ainda hoje acontece por aqui e mesmo em outros lugares de primeiro mundo), porém as coisas eram mais abertas naquele tempo, era algo ainda mais tolerado pelo restante da sociedade. Neste ambiente de hostilidade Milk resolve se candidatar a Supervisor do Distrito que o Castros se encontrava. Ele havia entendido que apenas tendo uma representação política teria armas para combater tudo aquilo.

No início as coisas não são nada faceis. Milk perde por anos seguidos suas tentativas de eleição. Ele busca apoio de outros gays poderosos da área, mas não o encontra (ninguém queria um “novato” alcançando o poder). Quando está prestes a desistir há uma virada. Ele reformula seu plano eleitoral mudando a assistente de campanha (antes Scott) e com ela, finalmente Milk chega ao poder.

No entanto, nem tudo são flores. Harvey percebe que a vida no parlamento é ainda mais conturbada e complexa do que antes e enfrenta o preconceito também naquele meio. O mais impressionante nisso tudo é que Harvey Milk era uma pessoa com um carisma natural, de fato um predestinado a fazer algo maior nessa Terra e ele fez. Acordou uma massa oprimida e deu a eles a consciência política necessária para poderem defender seus interesses.

A mensagem de Milk não é apenas passar o estilo de vida gay nos anos 70, como também apresentar as razões fundamentais da luta dessa minoria. A idéia do filme é abrir os horizontes para que as pessoas entendam que ninguém deve ser reduzido de sua condução humana apenas por uma opção sexual e muito menos ter sua vida estirpada por isso. Como Harvey diz no filme: “Eu luto por uma causa de vida”. Isso é tocante e é de fato o que ele buscava. A proteção da vida daquelas pessoas, pelo menos. A mensagem foi passada com certeza.

Tecnicamente o filme é ótimo em todos os sentidos, tem uma narrativa bem conduzida, com interlúdios bem produzidos e aparentemente retratou com uma boa fidelidade quem era a pessoa “Harvey Milk” (primeiro gay assumido a chegar a um cargo político nos EUA). A atuação de Sean Penn é embasbacante (sua transformação impressiona, ainda mais para quem sabe que ele é um baita “garanhão” hétero) e dá um tapa na cara bonito nos ignorantes de plantão. Sem mais debates a respeito do assunto da opção sexual, se você tiver tempo, tiver uma certa dose de coragem (o filme tem cenas “picantes”) assista Milk sim, a certeza é de que você terá um filme que conta uma história de vida linda!

Intensidade da Força: 9,0