Dúvida

Título Original- Doubt
Título Nacional- Dúvida
Diretor- John Patrick Shanley
Roteiro- John Patrick Shanley
Gênero- Drama
Ano- 2008
– A dúvida está no ar…
Este filme que concorreu a muitos Oscars em 2009 (5 no total) no quesito de atuação especiamente (só nesta parte foram 4 indicações; Meryl Streep-melhor atriz-, Philip Seymour Hoffman-ator coadjuvante-, Amy Adams e Viola Davis -atrizes coadjuvantes-) tem neste quesito seu ponto mais forte. De fato, os atores indicados tiveram grandes momentos e, por incrível que pareça, Meryl e Philip são os que ficaram abaixo dessa vez.
O filme se passa basicamente numa comunidade pequena muito ligada à religião na qual a Igreja principal da área também é uma escola regida por freiras. Num ambiente muito estrito, com poucas regalias, Irmã Aloysius (Meryl) é a chefe das freiras e responsável pela “ordem” , não só de suas Irmãs como dos alunos da escola. A Irmã James (Amy Adams) é uma das professoras da escola.
O Padre Brendan Flynn (Philip) representa uma espécie de chefia naquele meio, inclusive sendo superior à Irmã Aloysius. As coisas começam a mudar quando a Irmã Aloysius começa a criar uma espécie de rixa com o Padre Flynn pelo simples de fato de ter “invocado” com ele. Ela começa alertando a Irmã James para que fique atenta a qualquer movimento suspeito que o Padre realize. Criado o ambiente de desconfiança, a fagulha estava lançada, bastando uma leve brisa para que o fogo se espalhasse.
Em um incidente isolado, o Padre se aproxima de um aluno novo, Donald Miller, que também revela a ele o interesse no sacerdócio. Mais tarde percebe-se que o jovem havia simpatizado com o Padre pelo fato de ter sido uma figura acolhedora para ele. A escola em questão era branca e Donald era o primeiro estudante negro admitido e isso, obviamente, causou alguns incovenientes e repressões de outros alunos ao jovem. O Padre Flynn lhe estende à mão e num momento isolado o convida para uma conversa particular em sua sala. O vento havia passado e o fogo iria se espalhar descondroladamente.
Uma série de dúvidas são levantadas contra o Padre pela Irmã Aloysius que relutante termina por dizer as razões pelas quais havia chamado o jovem à sua sala. A Irmã não fica satisfeita com as explicações e continua a persegui-lo sem nenhuma razão fundada, atormentando a vida do pobre homem. Assim segue até o final.
O filme tem um nível técnico muito bom, com atuações fabulosas de Amy Adams (confesso surpresa aqui) e Viola Davis (mãe de Donald) que em apenas um diálogo com Meryl Streep conseguiu a merecdia indicação ao Oscar. Este diálogo é o momento alto do filme com várias menções à incompreensão, intolerância, preconceito, violência infantil e conformismo. O filme é bastante amarrado aos diálogos, mas estes sempre tem toques muito bons a respeito de dualidades religiosas e humanas, a questão da pedofilia no meio católico e outras mensagens que merecem reflexão. Não é só um drama, é um convite ao debate sobre tais problemas, uma lição a não julgar apressadamente as pessoas e um incentivo, ao mesmo tempo, a bondade, respeito e amor ao próximo e dedicação aos necessitados e incompreendidos que são as bases da religião em si.
Enfim, “Dúvida” é um baita filme, não é um primor ténico, pois contém uns escorregões aqui e acolá na edição e continuidade de certos momentos, bem como algumas coisas fora de lugar que foram colocadas na tentativa de “desanuviar” o clima tenso do filme, ainda sim merece sua atenção. Uma pergunta se faz pertinente ao final. Você acha o quê do Padre Flynn? -Eu o acho inocente- . Aguardo sua resposta…
Intensidade da Força: 8,5

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