Rede de Mentiras

Título Original- Body of Lies
Título Nacional- Rede de Mentiras
Diretor – Ridley Scott
Roteiro – William Monahan/David Ignatius
Gênero- Ação/Drama/Policial
Ano- 2008

– Di Caprio na luta pelo Oscar…

Essa é uma das impressões que se tem ao terminar de assistir Rede de Mentiras, não que a atuação de Di Caprio tenha sido espetacular (Javier Bardem, Daniel Day-Lewis, Jamie Foxx etc.), mas que até o presente momento foi um dos grandes momentos do ano nesse sentido não há dúvida. Se será indicado ao Oscar também será outra história, levar então… uma coisa ainda mais distante para se cogitar, porém não há como negar que Di Caprio evoluiu muito como ator desde seu estrondo com Titanic e nos últimos anos vem se notabilizando por grandes personagens com boas interpretações de sua parte. 
Nunca fui um fã dele e continuo não sendo, mas não há como não notar sua evolução e reconhecer que se trata sim de um bom ator, não é um Russell Crowe seu parceiro neste filme, mas está já bem distante da mediocridade do seu início de carreira. O filme tem na direção um tripé muitíssimo respeitável com Di Caprio (Roger Ferris), Crowe (Ed Hoffman) e Ridley Scott na direção o que já é um baita motivo para não se deixar de assistir o que um time de peso desses teria conseguido nessa reunião. O resultado, adiantando, é muito bom. Rede de Mentiras é um filme movimentado, com um roteiro coeso e bem trabalhado, ótimas interpretações, inclusive dos atores de origem árabe que compõem o filme. A sensação de intriga, articulações permeia toda trama e dá uma sensação precisa do que o título do filme já sugere. 
O longa trata da ação contra o terrorismo por parte dos EUA, mas não por aquele enfoque tradicional, alienado que se tem na maioria dos longas de ação que tem como pano de fundo a guerra contra o terror, isso já era de se esperar de um filme com o toque de Ridley Scott, diretor que não costuma fazer filmes vazios ou que retratam apenas um lado da moeda (de preferência aquele que os americanos são os mocinhos). Nesse filme temos um enfoque ao sofrimento do povo árabe e como a política anti-terror dos EUA traz malefícios aos inocentes, numa clara crítica ao dito de que “o sacrifício de poucos é um preço justo pelo bem estar da maioria”. O diretor das operações na área de conflito no Oriente Médio é Ed Hoffman, ele é um burocrata, trabalha nos bastidores, mas como todo burocrata é dele que emanam as ordens finais e, no filme, ele representa também a faceta arrogante, autoritária e acima do bem e do mal que os EUA e sua CIA tem certeza de que representam ao defender um suposto “bem estar” do mundo. 
Não há como negar a importância dos EUA na política de segurança mundial, tampouco podemos fechar os olhos ao modo agressivo e desrespeitoso com as demais culturas quando ele age no interesse do “mundo” (aqui eles próprios). O cínico Ed Hoffman representa com maestria tudo isso em mais um papel completo interpretado por Crowe. O agente de campo é Roger Ferris que é subordinado de Ed, mas nem sempre concorda com suas ações, não somente por ser mais humano que seu compatriota, mas pelo fato de que muitas das ações de Hoffman põem em risco a integridade de toda a operação que ele “sua como um cão” para fazer eficiente. Soldado de muita fibra, inteligência e articulação Roger não faz aquele típico brutamontes de outros filmes do estilo ou aquele “pau mandado” que faz tudo sem nunca pestanejar. Muitas vezes ele segue o que acha certo e, por isso, quebra a cara em diversos momentos no filme. Usado como um joguete por Hoffman e pelo chefe da inteligência da Jordânia, Hani (Mark Strong), Ferris pena muito durante todo o filme o que agrega uma tremenda simpatia ao seu personagem. 
Papel fundamental na trama é desempenhado pelo chefe da inteligência jordaniana (Hani) muito bem interpretado por Mark Strong e que traz um pouco de como funcionam as relações pessoais no meio árabe e como, por não entender isso, os EUA se consideram superiores e no direito de passar por cima de toda a cultura daqueles povos. Apesar de Hani também agir como político, burocrata e usar Ferris é bem mais difícil o personagem dele causar repúdia, ou a mesma repúdia do personagem de Ed Hoffman. No longa, Di Caprio tem atuação marcante, inclusive agregando um novo valor à sua aparência com barba e cabelos escurecidos, retirando o tão famoso “jeito de bebê” característico na sua apresentação. Consegue mostrar intensidade e consistência durante toda a interpretação sem nenhum momento perceptível de falha, sem dúvidas um de seus grandes papéis até hoje. 
O filme também tem direção firme e muito bem conduzida por Ridley Scott, não há refrescos, mentiradas, é tudo muito sóbrio e direto, sem maquiagens. A continuidade é bem concatenada, com bons interlúdios entre cenas. Um filme muito bom em todos os aspectos. Talvez não agrade em cheio como deveria por justamente não passar aquela idéia de que os Ocidentais são “santinhos” e os Orientais os “malvados”, não que haja algum tipo de justificativa ao terrorismo no filme, pelo contrário, mas há um grande respeito pela cultura árabe que apenas é usada como desculpa para todas as atrocidades cometidas por estes loucos. Não percam!

Intensidade da Força: 9,5

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