Queime Depois de Ler

Título Original- Burn After Reading
Título Nacional– Queime Depois de Ler
Diretor- Ethan Coen/Joel Coen
Roteiro– Joel Coen/Ethan Coen
Gênero– Comédia
Ano- 2008

– Não queime depois de ver…

Confuso, curioso e deveras hilário para quem curte o estilo de humor do filme, assim é a nova investida dos irmãos Coen no cinema em 2008, apesar de ter sido lançado há alguns meses nos EUA, Burn After Reading é uma ótima pedida para quem quer ir dar umas boas risadas sem ter sua inteligência aviltada por piadas “imbecilóides” que contaminam a grande maioria das produções do gênero que chegam oriundas dos EUA.

Os irmãos Coen, na verdade, tem um histórico muito mais rico e ligado a este tipo de filme do que ao denso e violento Onde os Fracos Não tem Vez de 2007, mas mostram que mesmo tendo feito enorme sucesso com o filme do ano passado não esqueceram como fazer o que os notabilizaram no meio artístico. Queime Depois de Ler é um filme cabeça, sem deixar de ser altamente crítico a vários aspectos da política americana em especial, bem como a traços do cotidiano de certos tipos de pessoas. Com um elenco muito respeitável está num patamar bem elevado e mereceria concorrer como melhor filme nesse ano, já que melhor que ele poucos foram os exemplares.

O filme tenta contar a história de várias pessoas que irão ter suas vidas cruzadas de alguma forma em um certo ponto da trama. George Clooney (Harry Pfarrer) faz uma espécie de hipocondriáco misturado com garanhão e com um gosto nada comum para certos momentos, Frances McDormand (Linda Litzke) interpreta uma instrutora de academia beirando a casa dos 50 e que não se conforma com os efeitos da idade, ela tem como parceiro Brad Pitt (Chad Feldheimer) único personagem realmente desmiolado no filme que não aparenta ser uma crítica a nenhum aspecto relevante, concluindo John Malkovich (Osbourne Cox) e Tilda Swinton (Katie Cox) formam um casal nada comum, mas que representam a grande maioria dos relacionamentos de hoje em dia (irônico não?).

Queime Depois de Ler é uma salada que aparenta não tem nenhuma pretensão e nenhum sentido no seu primeiro terço e que aos poucos vai tomando forma e interligando uma teia muito hilária que culmina com uma participação ainda mais inusitada da CIA num caso de vazamento de informações confidenciais por parte de Osbourne Cox que estaria tentando escrever suas memórias. Ele comete o acidente de deixar seu rascunho na academia e Chad toma posse e vê ali uma oportunidade de ganhar uma “recompensa” por isso. É deveras engraçado mesmo, enquanto isso Linda quer usar isso como oportunidade de reconstruir seu corpo na mesa de cirurgia já que o salário que ganha não é suficiente para tanto.

Essa seria uma das confusões do filme, a outra fica por conta do envolvimento de Harry com Katie que também se envolve com Linda. Todas as situações se cruzam em algum momento da trama de forma tão bem traçada e ao mesmo tempo tão hilária que o telespectador fica atônito em meio aquilo tudo. O filme tem uma direção muito bem amarrada, um roteiro divino, com diálogos estupendos que quase sempre trazem alguma gozação nas entrelinhas. Não espere nada forçado, nada é óbvio. O filme não é desmiolado, então quem não curte ficar ligado para entender e associar as coisas é melhor não ir assistir, pois irá querer queimar e será um pecado com este que é um dos melhores filmes do ano até então.

Intensidade da força: 9.5

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