Carga Explosiva 3

Título Original- The Transporter 3
Título Nacional– Carga Explosiva 3
Diretor– Olivier Megaton
Roteiro- Luc Bensson/Robert Mark Kamen
Gênero- Ação
Ano- 2008

-Sem nenhuma pretensão…

É essa sensação passada por Carga Explosiva 3, filme de ação que conta com Jason Statham (Frank Martin) de volta nesse série que chega ao seu terceiro capítulo com esse novo filme, não que os anteriores componham uma história que é fechada neste, mas há alguma ligação com alguns personagens aqui e acolá.

Interessante de se ver em Carga Explosiva 3 são as seqüências desmioladas de ação que não prezam por nenhum senso de veracidade ou autenticidade, é tudo uma grande salada que remonta a filmes como Triplo XXX, Adrenalina, Busca Explosiva, filmes de ação de segundo escalão. A grande pena em tudo isso é ver Jason sem embarcar num filme de ação realmente marcante, um pouco mais elaborado (como um 007 ou Missão Impossível).Qualidade para participar de um filme desse tipo é quase certo que ele tenha.

O filme tem uma história bem rasa (assim como os 2 primeiros) que serve apenas de pretexto para as coisas mais insanas que ocorrerão no decorrer da exibição. Um vilão (Robert Knepper) bem genérico quer se livrar de uma embarcação carregada de lixo tóxico e, para isso, pressiona um chefe de governo francês a liberar a entrada da embarcação no seu país. No início não fica evidente qual seria a arma que ele utiliza contra o chefe de governo, mas logo já dá para imaginar sem muito esforço do que se trata. Não adiantarei para manter um certo clima de expectativa.

A reputação de Frank é reconhecida e ele é o responsável por carregar o objeto dessa chantagem em segurança para que possa ser usado contra o Ministro. O Audi Rs4 da segunda versão do filme está presente também nesse e serve como boa propaganda da marca Audi. Não sabia Frank que teria que lidar com uma carona nessa aventura de entrega, misteriosa no começo do filme, a jovem Valentina (Natalya Rudakova) aos poucos vai se soltando (até demais) e começa a confiar em Frank. Para fazer esse serviço os capangas de Johnson (vilão) emboscam Frank e prendem nele um bracelete que o força a sempre estar a certa distância do carro para que se mantenha vivo (caso contrário o portador do bracelete explode, daí o título nacional).

O filme tem cenas de ação altamente manjadas e pouco inspiradas que se salvam um pouco pela boa mobilidade de Jason quando interpreta esse tipo de cena, além disso, são extremamente forçadas em todos os momentos chegando ao ponto do risível. Aparentemente há uma intencionalidade em fazer o filme ser dessa forma, as cenas não são mal feitas em si, ou seja, não se fez diferente, pois o mote do filme é ser um “genéricão” de ação mesmo, sem grandes pretensões, e remontar à filmes de ação do passado que faziam sucesso nos anos 80 e 90, mas que hoje não tem mais o mesmo apelo. Some-se à isso o fato da garota Valentina ser uma péssima atriz sem qualquer talento para interpretar, sendo apenas um rostinho “peculiar” para chamar atenção no filme. Insistiram demais em sua participação o que deteriorou sobremaneira a qualidade do filme.

É forçoso dizer que se trata de um filme descartável, mas é um filme fraco, pouco ambicioso e que traz uma simplicidade pouco criativa o que o torna medíocre (simplicidade não é sinônimo de ruindade quando bem aproveitada e ajustada no contexto), ainda sim é possível sim achar diversão em Carga Explosiva 3, seu ritmo intenso e até com certa continuidade não prejudica o desenrolar dos fatos e o filme apresenta bons momentos em certas tomadas. A carência de filmes de ação mais pirotécnicos e despretensiosos no mercado também ajuda a tirar um pouco da carga negativa do filme, no final do computo o resultado não é de todo desprezível para esse que talvez seja o último dessa série.

Intensidade da força: 5,0

Queime Depois de Ler

Título Original- Burn After Reading
Título Nacional– Queime Depois de Ler
Diretor- Ethan Coen/Joel Coen
Roteiro– Joel Coen/Ethan Coen
Gênero– Comédia
Ano- 2008

– Não queime depois de ver…

Confuso, curioso e deveras hilário para quem curte o estilo de humor do filme, assim é a nova investida dos irmãos Coen no cinema em 2008, apesar de ter sido lançado há alguns meses nos EUA, Burn After Reading é uma ótima pedida para quem quer ir dar umas boas risadas sem ter sua inteligência aviltada por piadas “imbecilóides” que contaminam a grande maioria das produções do gênero que chegam oriundas dos EUA.

Os irmãos Coen, na verdade, tem um histórico muito mais rico e ligado a este tipo de filme do que ao denso e violento Onde os Fracos Não tem Vez de 2007, mas mostram que mesmo tendo feito enorme sucesso com o filme do ano passado não esqueceram como fazer o que os notabilizaram no meio artístico. Queime Depois de Ler é um filme cabeça, sem deixar de ser altamente crítico a vários aspectos da política americana em especial, bem como a traços do cotidiano de certos tipos de pessoas. Com um elenco muito respeitável está num patamar bem elevado e mereceria concorrer como melhor filme nesse ano, já que melhor que ele poucos foram os exemplares.

O filme tenta contar a história de várias pessoas que irão ter suas vidas cruzadas de alguma forma em um certo ponto da trama. George Clooney (Harry Pfarrer) faz uma espécie de hipocondriáco misturado com garanhão e com um gosto nada comum para certos momentos, Frances McDormand (Linda Litzke) interpreta uma instrutora de academia beirando a casa dos 50 e que não se conforma com os efeitos da idade, ela tem como parceiro Brad Pitt (Chad Feldheimer) único personagem realmente desmiolado no filme que não aparenta ser uma crítica a nenhum aspecto relevante, concluindo John Malkovich (Osbourne Cox) e Tilda Swinton (Katie Cox) formam um casal nada comum, mas que representam a grande maioria dos relacionamentos de hoje em dia (irônico não?).

Queime Depois de Ler é uma salada que aparenta não tem nenhuma pretensão e nenhum sentido no seu primeiro terço e que aos poucos vai tomando forma e interligando uma teia muito hilária que culmina com uma participação ainda mais inusitada da CIA num caso de vazamento de informações confidenciais por parte de Osbourne Cox que estaria tentando escrever suas memórias. Ele comete o acidente de deixar seu rascunho na academia e Chad toma posse e vê ali uma oportunidade de ganhar uma “recompensa” por isso. É deveras engraçado mesmo, enquanto isso Linda quer usar isso como oportunidade de reconstruir seu corpo na mesa de cirurgia já que o salário que ganha não é suficiente para tanto.

Essa seria uma das confusões do filme, a outra fica por conta do envolvimento de Harry com Katie que também se envolve com Linda. Todas as situações se cruzam em algum momento da trama de forma tão bem traçada e ao mesmo tempo tão hilária que o telespectador fica atônito em meio aquilo tudo. O filme tem uma direção muito bem amarrada, um roteiro divino, com diálogos estupendos que quase sempre trazem alguma gozação nas entrelinhas. Não espere nada forçado, nada é óbvio. O filme não é desmiolado, então quem não curte ficar ligado para entender e associar as coisas é melhor não ir assistir, pois irá querer queimar e será um pecado com este que é um dos melhores filmes do ano até então.

Intensidade da força: 9.5

Sem Internet, mas agora tudo está voltando aos eixos

Pois é gente, fiquei sem internet durante todo esse tempo de ausência, migrando para os serviços de uma nova operadora que apresenta planos mais atrativos tanto em termos de preço como para velocidades.

Antes tinha um plano que cobrava 2 vezes mais do que o atual por uma velocidade 5 vezes menor, agora tenho uma net de 5 mega situação mais confortável em se tratando de velocidade.

Então é isso. Já tenho novas análises para apresentar e durante a semana estarei atualizando o site. Não se preocupem mais! Poderão ler seu canal de informação predileto sobre como são os filmes mais quentes do momento! AHAH.

Abraços!

Rede de Mentiras

Título Original- Body of Lies
Título Nacional- Rede de Mentiras
Diretor – Ridley Scott
Roteiro – William Monahan/David Ignatius
Gênero- Ação/Drama/Policial
Ano- 2008

– Di Caprio na luta pelo Oscar…

Essa é uma das impressões que se tem ao terminar de assistir Rede de Mentiras, não que a atuação de Di Caprio tenha sido espetacular (Javier Bardem, Daniel Day-Lewis, Jamie Foxx etc.), mas que até o presente momento foi um dos grandes momentos do ano nesse sentido não há dúvida. Se será indicado ao Oscar também será outra história, levar então… uma coisa ainda mais distante para se cogitar, porém não há como negar que Di Caprio evoluiu muito como ator desde seu estrondo com Titanic e nos últimos anos vem se notabilizando por grandes personagens com boas interpretações de sua parte. 
Nunca fui um fã dele e continuo não sendo, mas não há como não notar sua evolução e reconhecer que se trata sim de um bom ator, não é um Russell Crowe seu parceiro neste filme, mas está já bem distante da mediocridade do seu início de carreira. O filme tem na direção um tripé muitíssimo respeitável com Di Caprio (Roger Ferris), Crowe (Ed Hoffman) e Ridley Scott na direção o que já é um baita motivo para não se deixar de assistir o que um time de peso desses teria conseguido nessa reunião. O resultado, adiantando, é muito bom. Rede de Mentiras é um filme movimentado, com um roteiro coeso e bem trabalhado, ótimas interpretações, inclusive dos atores de origem árabe que compõem o filme. A sensação de intriga, articulações permeia toda trama e dá uma sensação precisa do que o título do filme já sugere. 
O longa trata da ação contra o terrorismo por parte dos EUA, mas não por aquele enfoque tradicional, alienado que se tem na maioria dos longas de ação que tem como pano de fundo a guerra contra o terror, isso já era de se esperar de um filme com o toque de Ridley Scott, diretor que não costuma fazer filmes vazios ou que retratam apenas um lado da moeda (de preferência aquele que os americanos são os mocinhos). Nesse filme temos um enfoque ao sofrimento do povo árabe e como a política anti-terror dos EUA traz malefícios aos inocentes, numa clara crítica ao dito de que “o sacrifício de poucos é um preço justo pelo bem estar da maioria”. O diretor das operações na área de conflito no Oriente Médio é Ed Hoffman, ele é um burocrata, trabalha nos bastidores, mas como todo burocrata é dele que emanam as ordens finais e, no filme, ele representa também a faceta arrogante, autoritária e acima do bem e do mal que os EUA e sua CIA tem certeza de que representam ao defender um suposto “bem estar” do mundo. 
Não há como negar a importância dos EUA na política de segurança mundial, tampouco podemos fechar os olhos ao modo agressivo e desrespeitoso com as demais culturas quando ele age no interesse do “mundo” (aqui eles próprios). O cínico Ed Hoffman representa com maestria tudo isso em mais um papel completo interpretado por Crowe. O agente de campo é Roger Ferris que é subordinado de Ed, mas nem sempre concorda com suas ações, não somente por ser mais humano que seu compatriota, mas pelo fato de que muitas das ações de Hoffman põem em risco a integridade de toda a operação que ele “sua como um cão” para fazer eficiente. Soldado de muita fibra, inteligência e articulação Roger não faz aquele típico brutamontes de outros filmes do estilo ou aquele “pau mandado” que faz tudo sem nunca pestanejar. Muitas vezes ele segue o que acha certo e, por isso, quebra a cara em diversos momentos no filme. Usado como um joguete por Hoffman e pelo chefe da inteligência da Jordânia, Hani (Mark Strong), Ferris pena muito durante todo o filme o que agrega uma tremenda simpatia ao seu personagem. 
Papel fundamental na trama é desempenhado pelo chefe da inteligência jordaniana (Hani) muito bem interpretado por Mark Strong e que traz um pouco de como funcionam as relações pessoais no meio árabe e como, por não entender isso, os EUA se consideram superiores e no direito de passar por cima de toda a cultura daqueles povos. Apesar de Hani também agir como político, burocrata e usar Ferris é bem mais difícil o personagem dele causar repúdia, ou a mesma repúdia do personagem de Ed Hoffman. No longa, Di Caprio tem atuação marcante, inclusive agregando um novo valor à sua aparência com barba e cabelos escurecidos, retirando o tão famoso “jeito de bebê” característico na sua apresentação. Consegue mostrar intensidade e consistência durante toda a interpretação sem nenhum momento perceptível de falha, sem dúvidas um de seus grandes papéis até hoje. 
O filme também tem direção firme e muito bem conduzida por Ridley Scott, não há refrescos, mentiradas, é tudo muito sóbrio e direto, sem maquiagens. A continuidade é bem concatenada, com bons interlúdios entre cenas. Um filme muito bom em todos os aspectos. Talvez não agrade em cheio como deveria por justamente não passar aquela idéia de que os Ocidentais são “santinhos” e os Orientais os “malvados”, não que haja algum tipo de justificativa ao terrorismo no filme, pelo contrário, mas há um grande respeito pela cultura árabe que apenas é usada como desculpa para todas as atrocidades cometidas por estes loucos. Não percam!

Intensidade da Força: 9,5