007 Quantum of Solace

Título Original- Quantum of Solace
Título Nacional-007 Quantum of Solace
Direção– Marc Forster
Roteiro- Paul Haggis/Neal Purvis
Gênero- Ação/Thriller
Ano– 2008

– Mais violento, mais frio, melhor?

Não necessariamente. O novo filme da revigorada franquia 007 não é propriamente um filme melhor que Casino Royale, não em todos os sentidos. Se trata de um bom filme de ação, mas que busca focar basicamente nisso nesse novo episódio em detrimento da produção de uma trama mais elaborada e de uma motivação mais profunda. O filme começa logo com uma cena de perseguição de carros que já conta com uma das muitas “forçadas” de barra que irão dar a tônica do longa ao decorrer da exibição.

James Bond (Daniel Craig) está muito mais violento neste filme, muito mais implacável se afastando ainda mais daquele 007 iconizado por Sean Conery, Roger Moore e até Pierce Brosnan. Naquele 007 se tinha um agente mais inteligente que preferia pensar a atirar. O que acontece agora é justamente o oposto, o “novo” Bond atira antes de pensar. Isso tem seu lado e bom e ruim. Bom porque traz um dinamismo maior ao filme, ruim, pois retira de James Bond um dos aspectos que o diferenciava dos demais agentes de espionagem do cinema. A conclusão que se pode chegar com isso é que não se trata de uma iniciativa de todo vantajosa.

Neste longa James está em busca de vingança pela morte de Vesper (Eva Green) ainda do 007 anterior. Tentanto entender as motivações que a levaram a fazer o que fez e quem a teria obrigado a agir daquela forma do primeiro longa. É interessante ver 007 envolvido de alguma forma nas suas ações, porém a forma que tudo é conduzido é muito dura e por diversos momentos a crueza impera de forma muito voraz o que retira um pouco da “magia” que envolve o nome “007”. Nesse longa James é capaz de simplesmente jogar um parceiro na lata de lixo após ser morto (tendo sido usado de escudo por ele) o que choca e até pode criar certa antipatia ao personagem. A dimensão de como tratar o aspecto “frio” de James foi um pouco exacerbada e se perderam na dosagem claramente.

Um ponto a ressaltar é a aproximação com filmes como “Missão Impossível” nesse longa. Há cenas dignas dessa outra franquia durante a película (queda do avião, perseguição inicial de carros), tudo bem que 007 sempre foi um filme que primou pela “mentirada” e este foi um dos motivos que levaram a reformulação de idéia primária do filme, retirando aqueles “gadgets” e carros super equipados. No Casino Royale a idéia tinha sido levada muito mais afinco do que neste longa em que há exageros chatos e até um pouco mal feitos em algumas cenas.

A história, apesar de Bond estar sendo motivado por vingança, é deixada muito de lado, sendo um mero pretexto para uma matança desenfreada, tanto que não há desfecho algum para a história que se busca contar, ou seja, se fica com aquela impressão de um filme “tampão”, apenas para se continuar fazendo mais 007’s sem muita lógica por traz dos fatos. Bond conhece aqui a jovem Camille (Olga Kurylenko) que tem uma proximidade com a estranha organização que parece ter contatos em todos os lugares, inclusive no MI6. Ela quer matar um general boliviano responsável pela morte dos pais (banalidade máxima?) por aí já se mede o nível da trama. Na verdade não há trama, não que se busque isso quando se assiste um 007, mas com a idéia lançada em Casino Royale se esperava mais neste filme, até mesmo alguma reviravolta típica de filme de espiões.

No final se descobre que essa organização tem por nome “Quantum” e só. Legal hein? Bond alcança o elemento responsável pela morte de Vesper no primeiro filme e Bond finalmente tem sua vingança completa (ao menos isso), talvez isso seja o momento alto de todo o filme. No fim, este novo 007 é filme de ação de primeira, mas falta aquele toque que daria mais “corpo” ao longa. Daniel Craig mostra que tem tudo haver com este novo traço dado à franquia. No entanto, se deixou por demais aquele “glamour” e elegância de Casino Royale por uma frieza exagerada que custa até a simpatia com o personagem. Como filme de ação supera Casino Royale, mas peca pelo roteiro cheio de brechas e inacabado, além de dar uma frieza demasiada a Bond. Uma boa pedida, sem dúvida, mas que deixa um pouco a desejar pela expectativa criada de ser um filme muito melhor que Casino Royale (que é ótimo) o que não se comprova no final.

Intensidade da Força: 7,0

2 opiniões sobre “007 Quantum of Solace”

  1. O filme deu uma mudada de foco. No primeiro a coisa tinha ficado boa porque houve um pouco mais de equilibrio, mas nesse as coisas ficaram mais forçadas perdendo este equilibrio.

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