Max Payne

Título Original- Max Payne
Título Nacional- Max Payne
Diretor- John Moore
Roteiro- Beau Thorne/Sam Lake
Gênero- Ação/Drama/Policial
Ano- 2008

– Dessa vez foi?

De certa maneira sim. O que se pode notar é que em Max Payne tentaram fazer um esforço em levar mais a sério o roteiro original do jogo, mas ainda assim existe um ranço descabido no mundo Hollywoodiano com relação a adaptação de jogos para a telona. Em Max Payne procuraram manter o “plot” original do game sem muitas alterações, diferentemente de outros títulos baseados em jogos como a trilogia Resident Evil que distorceu sem nenhum pudor o filme, mudando até personagens principais da trama, em Max Payne a história foi um pouco melhor.

O filme tenta captar a essência do jogo com aquele tom “noir” visto no game (o fato de estar sempre nevando)o que ajuda a dar um ar mais sóbrio e “dark” à história, e o figurino se esforça para se aproximar do jogo. Há pontos positivos em Max Payne em termos de adaptação de um jogo (algo nunca levado a sério por Hollywood antes, e que parece estar tomando rumos melhores). O problema que fica são as histórias que estão servindo de cobaia para esse trajeto (Max Payne, Silent Hill, Resident Evil, Quake, Dungeons Dragons…) são ótimos jogos que tem roteiros interessantes (exceto Quake) que poderiam dar bons filmes de ação, suspense, terror e aventura. Para os amantes de jogos ver tudo isso ser jogado no lixo com adaptações que nem podem ser dignas do título “caça-níquel” é triste e decepcionante.

O filme conta a história do policial Max que tem sua família brutalmente assassinada (a censura tirou o “brutal”) e parte em busca de vingança sendo que no meio desse caminho descobre que os motivos que levaram à morte de sua família são muito mais profundos do que ele imaginava. O filme tenta resgatar o aspecto investigativo do jogo, mas esquece da ação. Max Payne é um jogo que contém um balanço muito bem feito entre ação e trama coisa que não é transportada com a mesma eficiência para o filme, infelizmente. No filme a ação é reduzidíssima se tendo como foco apenas a “busca” de Max por pistas de quem teria sido responsável pela morte de sua família.

O personagem principal da trama (Max Payne) interpretado por Mark Wahlberg condiz com as características do jogo, bem como Mona Sax (Mila Kunis), mas pára por aí (talvez BB também) o policial Jim Bravura (Ludacris?) é uma das aberrações do filme tendo sua participação reduzidíssima na trama, servindo apenas como composição, coisa que não acontece no game. Sem falar em outras distorções da história que acabariam por fazer dessa pretensa análise uma esteio de críticas dando um tom negativo por demais ao filme.

Na verdade “Max Payne” é um bom filme policial e por pura burrice a Fox insistiu em usar o nome do jogo como alavanca para o filme. Há referências ao jogo sim, mas tudo isso poderia ser sutilmente alterado e ter se retirada a marca “Max Payne” e com certeza esse filme teria sido muito melhor recebido. A censura foi outro aspecto que arrasou o longa. Para quem não sabe Max Payne (jogo) é extremamente violento e com vários toques de suspense que foram completamente obturados nessa adaptação. Há cenas que ficaram ruins por conta disso, pois a edição foi pega de surpresa com a decisão de se tirar a violência do filme e não conseguiu “consertar” os momentos mais intensos das cenas. Resultado? Pior possível.

No final fica aquela ponta de decepção por terem utilizado um jogo fantástico, daqueles dignos de serem chamados de obras-primas (como o próprio Spielberg já mencionou), para um filme apenas mediano se for completamente ignorado o aspecto de ser basear noutra história. Se tomar esse aspecto com a devida relevância Max Payne seria um filme ruim-péssimo, colocando esse aspecto em segundo plano até que se pode extrair alguns aspectos positivos no longa; a trama do policial que tenta buscar vingança, enquanto luta contra todos inclusive colegas de trabalho, a traição de seu melhor amigo e por aí vai.

Não é um filme ruim de toda sorte, mas é uma adaptação fraca, ainda assim a melhor já feita em se tratando de jogos para filmes, mas longe de colocar essa mídia (jogos) no mesmo patamar que os quadrinhos estão. Resta aguardar o filme de Halo e World of Warcraft.

Intensidade da força: 6.0

007 Quantum of Solace

Título Original- Quantum of Solace
Título Nacional-007 Quantum of Solace
Direção– Marc Forster
Roteiro- Paul Haggis/Neal Purvis
Gênero- Ação/Thriller
Ano– 2008

– Mais violento, mais frio, melhor?

Não necessariamente. O novo filme da revigorada franquia 007 não é propriamente um filme melhor que Casino Royale, não em todos os sentidos. Se trata de um bom filme de ação, mas que busca focar basicamente nisso nesse novo episódio em detrimento da produção de uma trama mais elaborada e de uma motivação mais profunda. O filme começa logo com uma cena de perseguição de carros que já conta com uma das muitas “forçadas” de barra que irão dar a tônica do longa ao decorrer da exibição.

James Bond (Daniel Craig) está muito mais violento neste filme, muito mais implacável se afastando ainda mais daquele 007 iconizado por Sean Conery, Roger Moore e até Pierce Brosnan. Naquele 007 se tinha um agente mais inteligente que preferia pensar a atirar. O que acontece agora é justamente o oposto, o “novo” Bond atira antes de pensar. Isso tem seu lado e bom e ruim. Bom porque traz um dinamismo maior ao filme, ruim, pois retira de James Bond um dos aspectos que o diferenciava dos demais agentes de espionagem do cinema. A conclusão que se pode chegar com isso é que não se trata de uma iniciativa de todo vantajosa.

Neste longa James está em busca de vingança pela morte de Vesper (Eva Green) ainda do 007 anterior. Tentanto entender as motivações que a levaram a fazer o que fez e quem a teria obrigado a agir daquela forma do primeiro longa. É interessante ver 007 envolvido de alguma forma nas suas ações, porém a forma que tudo é conduzido é muito dura e por diversos momentos a crueza impera de forma muito voraz o que retira um pouco da “magia” que envolve o nome “007”. Nesse longa James é capaz de simplesmente jogar um parceiro na lata de lixo após ser morto (tendo sido usado de escudo por ele) o que choca e até pode criar certa antipatia ao personagem. A dimensão de como tratar o aspecto “frio” de James foi um pouco exacerbada e se perderam na dosagem claramente.

Um ponto a ressaltar é a aproximação com filmes como “Missão Impossível” nesse longa. Há cenas dignas dessa outra franquia durante a película (queda do avião, perseguição inicial de carros), tudo bem que 007 sempre foi um filme que primou pela “mentirada” e este foi um dos motivos que levaram a reformulação de idéia primária do filme, retirando aqueles “gadgets” e carros super equipados. No Casino Royale a idéia tinha sido levada muito mais afinco do que neste longa em que há exageros chatos e até um pouco mal feitos em algumas cenas.

A história, apesar de Bond estar sendo motivado por vingança, é deixada muito de lado, sendo um mero pretexto para uma matança desenfreada, tanto que não há desfecho algum para a história que se busca contar, ou seja, se fica com aquela impressão de um filme “tampão”, apenas para se continuar fazendo mais 007’s sem muita lógica por traz dos fatos. Bond conhece aqui a jovem Camille (Olga Kurylenko) que tem uma proximidade com a estranha organização que parece ter contatos em todos os lugares, inclusive no MI6. Ela quer matar um general boliviano responsável pela morte dos pais (banalidade máxima?) por aí já se mede o nível da trama. Na verdade não há trama, não que se busque isso quando se assiste um 007, mas com a idéia lançada em Casino Royale se esperava mais neste filme, até mesmo alguma reviravolta típica de filme de espiões.

No final se descobre que essa organização tem por nome “Quantum” e só. Legal hein? Bond alcança o elemento responsável pela morte de Vesper no primeiro filme e Bond finalmente tem sua vingança completa (ao menos isso), talvez isso seja o momento alto de todo o filme. No fim, este novo 007 é filme de ação de primeira, mas falta aquele toque que daria mais “corpo” ao longa. Daniel Craig mostra que tem tudo haver com este novo traço dado à franquia. No entanto, se deixou por demais aquele “glamour” e elegância de Casino Royale por uma frieza exagerada que custa até a simpatia com o personagem. Como filme de ação supera Casino Royale, mas peca pelo roteiro cheio de brechas e inacabado, além de dar uma frieza demasiada a Bond. Uma boa pedida, sem dúvida, mas que deixa um pouco a desejar pela expectativa criada de ser um filme muito melhor que Casino Royale (que é ótimo) o que não se comprova no final.

Intensidade da Força: 7,0

Passando o tempo…

Olá a todos mais uma vez!

Uma semana mais sem análises. Bem, como vocês podem notar há uma carência de bons filmes no momento, poucos são os representantes dignos de serem vistos, apesar de como pretenso “crítico” deveria assistir todos ou boa parte dos filmes.

Bom, a notícia é que estou com alguns planos para assistir filmes nacionais (aos que podem achar que só assisto filme estrangeiro), entre eles estão Última Parada 174 e Linha de Passe. Confesso que irei assistir o primeiro por obrigação, enquanto o segundo espero um bom filme de fato. Além disso, até o fim do ano eu estarei postando a análise da trilogia do Poderso Chefão na sua mais nova edição; “The Coppola Restoration” . Adianto que está fenomenal.

É isso então galera. Esse texto é para não perdermos o contato ou blog ficar inativo por muito tempo. Estou aqui, mesmo com essa maré baixa de bons títulos disponíveis. Pensam que assistir filmes é sempre uma tarefa prazerosa? AHAH! Nem tudo na vida são flores!

Abraços!