As Duas Faces da Lei

Título Orignal- Righteous Kill
Título Nacional- As Duas Faces da Lei
Diretor- Jon Avnet
Roteiro- Russel Gewirtz
Gênero- Ação/Crime/Drama
Ano- 2008

– Quando dois monstros sagrados se unem…

Nem sempre o resultado é aquele que esperaríamos. Não é para menos, dois pesos pesados da indústria hollywoodiana como De Niro e Pacino no mesmo filme e atuando lado a lado não é todo dia que se vê e nem num filme policial. Contudo, nem só com um par de excelentes atores e uma premissa interessante já se tem a garantia de que o filme será tudo que promete ser. Com Rigtheous Kill a coisa funciona bem dessa forma. Por ser um filme policial o leque de opções de roteiro se restringem, ainda mais se for para contar com 2 atores na beira dos 70 anos. A ação é um pouco deixada de lado e o foco é mais na trama. Até que há um esforço para se fazer isso de forma que o telespectador fique antenado, mas o resultado podia ser melhor.

O filme conta a história de 2 policiais veteranos e que por conta disso já estão cansados de verem bandidos se aproveitarem de brechas do sistema jurídico para se safarem numa boa das barbaridades que cometem. É nesse dilema da profissão que vivem De Niro e Pacino, interessante notar que mesmo lá nos EUA em que os policiais recebem muito melhor que aqui há esse tipo de sensação e de frustração, daí poderíamos traçar um paralelo com nossa situação aqui e termos um pouco mais de compreensão com os policiais despreparados que compõem nossa força.

O filme começa mostrando o policial Turk (De Niro) armando uma forma de incriminar um sujeito que cometera estupro contra uma criança e que iria conseguir sair da punição. Antevendo tais acontecimentos e inconformado com aquilo Turk se vê no dilema de forçar a situação e usar de seu posto plantando a arma do crime no quarto do sujeito. Rooster (Pacino) apóia seu amigo (aparentemente), mas internamente fica abalado com aquela atitude dele. O sujeito é incriminado e vai para a cadeia, teoricamente a justiça teria sido feita.

Passado um tempo daqueles eventos, começam a pipocar na cidade assassinatos contra criminosos com histórico conhecido, mas que sempre se safavam das grades. Na esteira de tais crimes Turk e Rooster se unem para tentar pegar o tal assassino. Levantando a polêmica da justiça pelas próprias mãos e da ineficiência do sistema jurídico (creio aqui, algo que se aplica não só à realidade norte americana) Righteous Kill trabalha nessa temática difícil e que levanta discussões complexas ainda mais nos dias atuais com a violência galopante que se nota em todo planeta.

Sobre o filme o que se pode dizer é que apesar de De Niro e Pacino estarem lá e com interpretações na medida, ainda sim não há nada de especial na trama. A história contada já é batida e a forma como ela é contada é ainda mais batida. Turk faz o policial linha dura, esquentado e garanhão, enquanto Pacino faz o mais cabeça, calmo e simpático. Ao lado deles ainda existe outra dupla composta por Simon Perez (John Leguizamo, finalmente num filme que não é classe E!) e Ted Riley (Donnie Wahlberg, sim irmão mais novo de Mark e ex-membro da boy band New Kids On The Block) que rivalizam os veteranos.

Sob estes pilares o filme transcorre sem maiores surpresas, dinâmicas, cenas de impacto ou qualquer outra coisa que faça valer o “peso” dos astros que estrelam a produção. O filme é mediano, não alcança o patamar que pretendeu, não faz jus à força do elenco bom que tem, exceto por 50 Cent (Spider), e fica barrado na promessa apenas. Não foi dessa vez, talvez agora nunca mais, que De Niro e Pacino fizeram um filme digno de suas grandes carreiras, talvez a falta de um Michael Mann ou um Francis Ford Coppola na direção seja o motivo.

Intensidade da Força: 6,0

Max Payne estreou nos EUA. O que esperar?

Aparentemente nada de bom, infelizmente.

Estreou este fim de semana nos EUA o filme baseado na famosa franquia de jogos da 3d Realms (produzida pela Remedy Entertaiment) Max Payne, jogo este que conta a história de um policial (Max) que tem sua família assassinada e ao mesmo tempo é acusado do crime.

O jogo fez muito sucesso e como tem sido praxe no meio do cinema atual os estúdios não perderam tempo e compraram os direitos para fazer o filme, depois de muita especulação saiu o filme nos EUA este fim de semana.

Segundo o site IMDB o resultado não foi nada bom, parcos 18 milhões de dólares considerado muito pouco para uma estreia poder ser marcada como bem sucedida. Some-se a isso o fato das notas de quem assistiu o filme não estarem sendo nada boas (a média encontra-se em míseros 6.6). Resta a nós aguardamos o lançamento no Brasil previsto para 31/10 .

Aqui no blogpowercinema estamos de olho e traremos o mais rápido possível a análise desse filme e se está sendo digno de um começo tão fraco como vem se apresentando. Até lá.

Ensaio Sobre a Cegueira

Título Original- Blindness
Título Nacional- Ensaio Sobre a Cegueira
Diretor- Fernando Meirelles
Roteiro- José Saramago/Don MacKellar
Gênero- Drama/Mistério
Ano- 2008

O ser humano sem máscaras…

Não que nunca se tenha tentado antes, não que nunca outro filme já tenha retratado as facetas do homem quando encurralado e sem opções, desprovido de esperanças, mergulhado no completo desespero. É nessa situação que Ensaio Sobre a Cegueira mergulha e retrata, sem pudores, sem medo. Até aonde pode ir ou mesmo poderia ir o ser humano em situações extremas. O filme é baseado na obra de José Saramago que trata de uma “cegueira branca” repentina que começa a afligir a população e não tem explicação lógica ou científica a princípio. Nesse momento inusitado em que todos são pegos de surpresa o filme passa a relatar o drama da sociedade frente a algo inexplicável e que limita as capacidades do homem por demais.

A história começa com um japonês ficando cego no meio do trânsito, daí já podemos ver algum prelúdio do que está por vir. Um estranho, muito solícito, a princípio, se propõe a ajudar a levar o carro dele até sua casa já que aparentemente ele não conseguia ver. Nada mais que um malandro querendo tirar proveito da situação. Chega a ser um pouco revoltante e estarrecedora a situação, mas nada mais é que a pura verdade do que o ser humano pode fazer quando vislumbra uma oportunidade de lucro com baixo risco de que algo aconteça de volta. Daí por diante a cegueira começa a se alastrar por todos os demais.

Nesse meio tempo a história se volta ao casal protagonista composto por Julianne Moore e Mark Ruffalo, ele médico, fica cego logo no princípio e ela não fica e segue com ele para ajudá-lo naquele momento de dúvida e agonia. Chegando ao abrigo temporário organizado pelas autoridades a esposa já começa a se deparar com a realidade de como será aquele ambiente. Logo no princípio já começam discussões, a intolerância impera, as pessoas começam a rejeitar sugestões e a tentativa de pensar racionalmente. A regressão para o primitivo começa a dar seus primeiros sinais de contágio.

O filme, de fato, trata de como o homem veste uma máscara de civilidade e de pretensas boas maneiras, mas que no fundo, em sua grande maioria, ainda não deixou aquele instinto animal meio que irracional completamente apagado. A lógica dá lugar à estupidez, a lei do mais forte começa a imperar rapidamente e abusos de autoridade, intolerância e supressão de desejos comunitários começam a tomar lugar, ao invés do social e comunitário. As pessoas simplesmente regridem ao estágio mais primitivo de fato, não se preocupando com asseio próprio ou com qualquer dose mínima de educação, tudo é substituído pelo primal. O desejo sexual sem limites, o instinto de sobrevivência sem controle, a ganância desmedida, tudo de pior do ser humano é posto em destaque.

Nesse mar de loucura Julianne Moore vê atônita toda àquela situação e até consegue controlar seus impulsos naturais melhor, mas também chega ao seu limite e talvez se a situação de encarceramento a que foram submetidos os doentes durasse algum tempo mais, com certeza ela também se renderia à loucura. O filme trata da incapacidade dos governos em agir organizadamente nessas situações, de buscarem alternativas racionais de ação, tudo é muito abrupto e egoísta, sempre pensando no bem-estar deles. O abandono a que foram relegados os doentes é impressionante e põe em questionamento várias situações que podem ser adaptadas à realidade presente, como a incapacidade dos governos em conterem a violência, a fome, as desigualdades sociais entre outros graves problemas que afligem o mundo como um todo, em maior ou menor grau, dependendo da localidade.

Como tudo na vida, nem tudo são flores, ou nem tudo é maravilhoso e altamente intelectual em Ensaio Sobre a Cegueira. O filme que foi muito criticado por alguns meios de comunicação internacionais de certo renome (New York Times, por exemplo) tem seus defeitos sim, talvez não no grau de intensidade destacado por estes meios de comunicação. É inegável que o filme é para um nicho bem específico, o filme é muito denso e não conta com nenhum momento de alívio de tensão ou seriedade, sem contar que a narrativa se passa de forma um pouco arrastada e o apego aos detalhes passou um pouco da medida no modo de ver de quem vos escreve.

Contudo, críticas ao elenco (que ainda conta com a paticipação de Danny Glover e da brasileira Alice Braga)e à direção do filme (que toma um aspecto meio documental) são completamente descabidas. O filme em seu aspecto técnico é muito bom no geral, porém peca quanto à narrativa dos acontecimentos e afasta o público mais geral. Sabidamente, não se trata de um filme blockbuster ou de grande público, mas ser crítico, introspectivo da condição humana não é necessário que seja inatingível, intangível, é possível fazer um filme nessa linha e ainda manter uma narrativa menos amarrada. O balanço do filme é positivo, mas não vá assisti-lo esperando algo leve ou tranqüilo. A experiência é penosa e sabe-se que muitas pessoas não curtem ir ao cinema para ficar remoendo coisas ruins ou divagar sobre aspectos da psique do homem.

Intensidade da Força: 6,5

Trovão Tropical

Título Original- Tropic Thunder
Título Nacional- Trovão Tropical
Diretor- Ben Stiller
Roteiro- Ben Stiller/Justin Theroux
Gênero– Comédia/Ação
Ano- 2008

– Abobado, mas com conteúdo

A comédia de Trovão Tropical segue um estilo que não vai agradar tantos no Brasil e talvez em outros países que dividam gostos parecidos com o nosso, quando se trata de humor. O tom do humor nesse longa é mais voltado ao exagero com muitas coisas forçadas e até um pouco desagradáveis para os que tem baixa tolerância a situações nojentas e a um palavreado muito carregado de gírias muito fortes.

O filme conta com um tripé de peso composto por Ben Stiller (Tugg Speedman), Jack Black (Jeff Portnoy) e Robert Downey Jr. (Kirk Lazarus), este último parece ter se reencontrado com o equilíbrio e com as boas atuações e parece que não irá mais sair dos trilhos, assim fica a torcida. Além desse, ainda conta com a participação de um ilustre e famoso ator que depois de anos fazendo sempre o mesmo tipo de papel resolveu finalmente dar uma resposta com uma atuação, no mínimo, diferente e que remete ao que a palavra ator representa nesse meio de fato.

Outro ponto a se considerar em Trovão Tropical é que o filme é muito voltado à vida norte americana, então aqueles telespectadores que forem assistir o filme e tiverem pouca familiaridade com aquela realidade vão ficar “viajando” durante o longa e sentirão muito pouco os momentos de comédia no filme. Na verdade, o longa é uma crítica ao próprio estilo de vida das celebridades Hollywoodianas, praticamente todos os personagens representam um ou mais tipos de pessoas que circundam o métier de Hollywood.

O longa tenta contar como é a filmagem de um grande filme em Hollywood com muito dinheiro em jogo, um misto de grandes atores envolvidos, juntamente com um diretor em busca do reconhecimento na adaptação de um livro que conta a história “verídica” de um ex-soldado do Vietnam. Les Grossman (famoso ator que caberá a você, leitor, reconhecer no filme) é o investidor dessa grande produção. Trovão Tropical lida justamente com todas essas variáveis ao mesmo tempo, de forma muito bem articulada sem perder o tom da comédia e da crítica que ao mesmo tempo tenta demonstrar.

Ben Stiller traz o ator decadente de filmes de ação e grandes blockbusters que tentou a sorte em alguns filmes mais encorpados e foi um verdadeiro fracasso, clara alusão a atores como Stallone, Bruce Willis, Schwarzenegger entre outros. Jack Black faz o ator de filmes de comédia sem sentido e viciado em drogas, aqui talvez até uma auto-crítica, somando-se a Adam Sandler (no tocante às drogas a crítica se transfere para atrizes como Lindsay Lohan) e outros que fazem filmes como American Pie, Todo Mundo em Pânico e similares. Por último está Robert Downey Jr. trazendo a representação do grande ator que se doa completamente ao papel se esquecendo inclusive de quem ele é, talvez uma crítica a Daniel Day Lewis famoso por incorporações extremamente fortes em seus personagens. Sem falar dos outros componentes do grupo que apesar de aparecerem pouco trazem representações características também, como o ator negro que sempre recebe papéis no mesmo estilo ou o ator novato que nunca deslancha.

O primeiro passo para entender muitas das piadas do filme passa por essa compreensão do que cada personagem representa. O filme ainda conta com Matthew McConaughey como o agente de atores que não sabe se o dinheiro é o mais importante ou a amizade do seu agenciado, sem falar claro do investidor (representando aqui os estúdios) que também faz uma gozação tremenda aos rappers. O “casting” do filme é riquíssimo e conta ainda com Nick Nolte (soldado 4 folhas) e como representante dos diretores está Jeff Kahn (Snooty Waiter) estes dois criticam aqueles escritores que tem suas obras adaptadas e nunca estão satisfeitos com o resultado do filme e o diretor megalomaníaco que sempre busca fazer o melhor filme a qualquer custo. Todos esses componentes afastam Trovão Tropical da primeira impressão de imbecilidade que o filme possa aparentar, introduzindo uma nova forma (difícil, porém) de se fazer comédia.

O filme é muito carregado de palavrões de baixíssimo calão que não foram nenhum pouco amenizados pela censura e estão lá, como pouquíssimas vezes se viu, traduzidos na íntegra para alívio (ou desespero) de alguns. A interpretação do tripé do filme é boa com grande destaque para Downey Jr. que consegue destaque até num personagem escrachado e para o investidor do filme Les Grossman pela caracterização do seu papel. Repetindo, o filme não vai agradar a todos que forem assistir, muitos não irão entender as piadas e outros até entenderão, mas irão achar a forma como as piadas são contadas muito exageradas, mas a questão é justamente essa, o brilhantismo de Trovão Tropical está em não maquiar nada, pouca coisa retratada ali está de fato aumentada. Os bastidores de Hollywood infelizmente são assim, basta você assistir aos programas de canais como E! e VH1 para confirmar.

Por essas e outras é que Trovão Tropical é um filme de comédia acima da média e mesmo que você ao assisti-lo não aprecie a forma como foi conduzido não poderá negar que a crítica ao estilo “Hollywoodiano de ser” está ali e isso deve ser pontuado e elogiado. Parabéns a Ben Stiller pela audácia em fazer um filme desses e ao grande elenco que reuniu, nessa que é a melhor comédia de 2008 até agora e tem tudo para que continue assim até o fim desse ano.

Intensidade da força: 8,0