Procurado

Título Original– Wanted
Título Nacional– Procurado
Diretor– Timur Bekmambetov
Roteiro– Michael Brandt/Derek Haas
Gênero- Ação
Ano- 2008

-Quebrando as leis da física:

Desconsidere tudo que você já aprendeu na escola sobre física antes de ir assistir Procurado. Vá ao cinema com sua mente limpa, despida de preconceitos e regras, pois o que você verá será um festival de loucuras poucas vezes vista, da forma apresentada, num filme. Nem mesmo Matrix conseguiu ir tão longe! Procurado consegue colocar até Matrix no chinelo em se tratando de loucuras num filme de ação.

Começa pela primeira cena em que se pode ter um aperitivo do que nos aguardaria pelo resto do filme, um agente muito bem vestido é emboscado e já apresenta seu arsenal de golpes e movimentos loucos de forma bem criativa e explosiva. A partir daí a trama volta a centrar no personagem principal Wesley Gibson (James Mcavoy) que consegue passar de forma convincente toda sua vida de perfeito fracassado. Bons momentos de humor são apresentados nesse começo e, apesar de ter seu ritmo atenuado à medida que o filme se desenrola, nunca o humor (irônico, ácido, negro ou tradicional) abandona o filme por completo.

Wesley não consegue entender seu lugar no mundo, não acha motivação para nada e , coincidentemente, nem no Google há referências à sua pessoas. Nesse marasmo de vida, de repente aparece Fox (Angelina Jolie) que mexe totalmente com a vida de Wesley apresentando-o à Fraternidade (uma sociedade secreta de assassinos que existe há mais de 1000 anos! Liderada por Sloan – Morgan Freeman -). Para quem ainda não sabe, Procurado é um filme “inspirado” nos quadrinhos que tratam dessa sociedade, porém o filme foi muitíssimo alterado em relação ao original em quadrinhos, o que provocou a ira de fãs em todo mundo fazendo com que os produtores do longa até mudassem o discurso afirmando que eles apenas fizeram algo como uma “livre adaptação” do original. Como não conheço os quadrinhos referidos (confesso que fiquei curioso) esta análise tratará do filme no que ele é, um filme de ação.

Introduzido à Fraternidade, Wesley aprende que seu pai fora um membro daquele grupo e que teria sido assassinado por outro membro que teria se separado da sociedade. Ao descobrir que ele faz parte de um grupo de poucas pessoas que tem uma espécie de “alteração” orgânica que os permite fazerem coisas sobre-humanas (inclusive fazer balas seguir em curva) Wesley começa um treinamento para dominar suas capacidades superiores. Durante esse treinamento mais espaço para momentos engraçados devido ao sofrimento imposto ao personagem.

Após ter seu treinamento concluso, Wesley parte à caçada do assassino de seu pai e a partir daí começa a seqüência de cenas realmente mirabolantes no longa. Com direito a balas se chocando umas contra as outras e carros fazendo manobras altamente insanas. De fato, tem que ser dado crédito aos roteiristas, editores, diretor, supervisores e todos os envolvidos na consecução das cenas de ação de Procurado. Sem dúvidas estão bem acima da média dos filmes tradicionais de ação. Apesar de terem alterado a história do original em quadrinhos, o filme conseguiu manter uma consistência na história contada, o que ainda contribuiu para dar ainda mais corpo e não deixar que o filme caísse na mesmice de ser apenas um “genericão” de ação de qualidade ruim. É visível que se tentou fazer um filme bom de ação desenfreada e seria injusto afirmar que Procurado não cumpre com seu papel. Uma grata surpresa, sem dúvidas.

Dito isso, antes de assistir ao filme se prepare psicologicamente para ter doses cavalares de exageros nas cenas de ação, mas com um bom toque de criatividade e que na verdade o filme não se passa na nossa realidade perfeitamente, é uma adaptação. As pessoas envolvidas não são normais, então há alguma justificativa para aquilo tudo. Feito isso, é possível encontrar muita diversão em Procurado e ter uma sessão bem agradável para descontrair sem ter que se preocupar com maiores elucubrações filosóficas e coisas do tipo. Um filme puramente divertido se for visto dessa maneira.

Intensidade da força: 7,5

Star Wars: Guerras Clônicas

Título Original- Star Wars: The Clone Wars
Título Nacional- Star Wars: Guerras Clônicas
Diretor- Dave Filoni
Roteiro- Henry Gilroy/George Lucas
Gênero- Ação/SCi-Fi/Animação
Ano- 2008
Para fãs
Quem não for fã de Star Wars com certeza irá encontrar poucos atrativos ou motivos para ir ao cinema assistir mais este capítulo da série. Agora animada, mais um ponto que pode irritar os não fãs ou fãs mais “hardcore” da história. O fato é que este Star Wars é para quem curte o universo de Star Wars e não apenas é um fã passageiro que assistiu alguns filmes ou mesmo todos, mas que não tem aquela atração de saber mais e mais sobre o universo e não somente o retratado pelos filmes.

É desse ponto que se trata este novo capítulo, contar uma história que se passa em segundo plano nos filmes. A sextologia de SW tem como referencial primário a história do jovem Anakin Skywalker e os demais eventos que circundam todo aquele universo giram em torno dele, sejam como causas de suas decisões ou mesmo conseqüências dessas decisões por ele tomadas. O que George Lucas almeja é retratar o universo de SW de forma mais inteira e que Anakin não é o centro desse universo, apesar de se tratar de peça importante na história que é contada. Por isso esse filme terá um apelo mais direcionado ao “nicho do nicho” se assim podemos descrever tal situação.

Este filme gira em torno dos acontecimentos das Guerras Clônicas entre o 2º e o 3º filme da série e que não puderam ser contados de forma mais elaborada devido às limitações impostas pelo formato tradicional cinematográfico, claramente ao se utilizar da ferramenta da animação George Lucas se desvencilha de entraves como lidar com atores, custos elevados de produção e limitação de liberdade criativa. Bem, esse último ponto é o ápice desse novo longa animado recém lançado. O que podemos ver é o universo SW sendo contado, mesmo que não seja uma grande novidade, pois se sabe que os personagens daquele momento já têm seu desfecho contado pelo filme. Há um grande espaço para que outras coisas sejam contadas (as motivações das Guerras Clônicas, como os Sith montam toda a teia que envolve os Jedis, como é o desenvolvimento de Anakin, entre outros aspectos).

Introduziu-se um personagem novo nesse cenário que é a jovem e impulsiva Ahsoka Tano que vem para ser a aprendiz de Jedi (padawan) de Anakin. A idéia do conselho Jedi é de que Anakin aprenda a lidar com suas emoções e com o sentimento de perda (no caso quando Ahsoka terá que deixar de ser sua aprendiz). A idéia é interessante, o personagem é curioso e lembra Anakin e por isso as cenas entre eles são bem engraçadas, mas a verdade é que poderia-se ter contado a história sem apelar para tamanha liberdade criativa. Exemplo disso foi como o Tartakovisk fez a série do Cartoon Network, na qual ele criou novos personagens, mas que ficaram muito encaixados na narrativa original e não se ficou com aquele senso de “deslocamento” que é sentido com a jovem Padawan de Anakin.

O filme é basicamente focado na ação e, graças aos recursos e facilidades da animação, foi possível finalmente dar aquele “ar” de grandiosidade das batalhas de SW que muitos sentiam falta recentemente. O filme tem bastante disso o que é divertido, mas também deixa o longa com uma sensação de que é “ralinho”, ou seja, não passa de 2h de guerras sem maiores motivações ou preocupações. A introdução da Padawan tentou minimizar isso, mas não conseguiu por completo. Além disso, o filme tem alguns defeitos na animação com cenários pobres e repetitivos em certas situações (vide o longo trecho da guerra inicial), as lutas apesar de terem um ar de “grandiosidade” mais forte, ainda assim, não conseguem retratar com perfeição o uso dos poderes da força, ficando aquela sensação de que se poderia ter caprichado mais também nesse sentido.

No final Star Wars: Guerras Clônicas é um bom filme de ação animado, divertido e descompromissado. Os seus defeitos de edição e produção não chegam a comprometer, mas tiram um pouco daquele “apuro” a que estávamos acostumados seja nos filmes, seja na série do Cartoon Network. Além disso, o roteiro praticamente inexistente apesar de trazer mais espaço para a ação, apenas corrobora com o fato de que ação sem alguma motivação termina ficando um pouco repetitivo. Tudo isso também pode ser amenizado, pois se trata de uma “introdução” para toda uma história que será contada sobre esse capítulo do fabuloso universo de SW. Um filme para fãs que possui mais defeitos que qualidades, mas que agrega mais à mitologia de SW na medida em que as liberdades criativas não tiram o “nexo” das coisas.

Intensidade da força: 6,0

Crise Criativa no Cinema?

Tentando inaugurar uma nova fase no blog começo com essa pergunta que foi basicamente o tema de uma reportagem de uma Superinteressante de alguns meses atrás.O cinema vive uma crise criativa?

Muitos críticos e fãs de cinema tem se incomodado com a onda de adaptações de quadrinhos, livros e reciclagem de antigas séries que pareciam encerradas. Nesse mundo onde tudo se reinventa será que é possível que se trata de uma crise criativa?

Na minha visão não consigo encarar o atual momento do cinema (últimos 3 anos principalmente) como um momento negativo da indústria em termos de criatividade. Criatividade não significa somente fazer algo novo (como até sugere o prefixo da palavra), mas também readaptar, recriar como muito se tem feito recentemente.

O tema foi levantado porque existe um certo incomodo com a atual situação em que filmes como Batman, Spiderman, Homem de Ferro, Piratas do Caribe estão dominando a cena e meio que excluindo produções originais (Juno, Pequena Miss Sunshine).

Os exemplos dados são retirados da reportagem supra mencionada, pois na opinião particular de quem vos escreve não considero Juno um filme original. O fato de se tratar de uma produção independente não dá essa conotação ao filme. Discordo também de que filmes adaptados de quadrinhos são exemplos de falta de criatividade ou originalidade. Até porque o que se está fazendo com Batman, Homem de Ferro entre outros não se trata de uma repetição, mas sim de algo novo, apenas com bases numa outra fonte criativa.

O que existe, sim, é preconceito. Os ditos, “entendidos” de cinema torcem o nariz para tais produções e custam a concedê-las algum crédito. Enquanto filmes médios (Juno) são forçosamente elegidos por “esses” com estandartes de um cinema “lindo e maravilhoso” que está ameaçado por aquelas produções de qualidade “duvidosa”.

Paremos de hipocrisia e tenhamos coragem de assumirmos os nossos defeitos! Digam na cara limpa que não gostam de filmes baseados em quadrinhos por puro preconceito e não venham com esse papo furado de que se trata de uma questão criativa ou orignal de ser.

Cinema levado a sério, não significa cinema chato. Significa entender as produções numa escala geral e de forma justa de acordo com seus reais defeitos técnicos e não de acordo com presunções pessoais.

Aos leitores que acompanham nosso blog está lançada a pergunta. Vocês acham que o cinema vive uma crise criativa? Sim ou não?

A Múmia: Tumba do Imperador Dragão

Título Nacional- A Múmia: Tumba do Imperador Dragão
Título Original– The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor
Diretor- Rob Cohen
Roteiro- Alfred Gough/Miles Millar
Gênero- Ação/Aventura
Ano- 2008


– O primo pobre do Indiana Jones

Assim é a Múmia, assim é Brendan Fraser e a trupe que compõe o mais novo filme da série Múmia. Agora, com a participação de Jet Li como vilão do filme, tentou-se trazer novo fôlego ao título. Será que a tentativa deu certo? Em parte sim. A Múmia: Tumba do Imperador Dragão é um filme divertido no seu pacote final e tem boas cenas de ação. O filme conta com bons efeitos especiais e tem partes muito interessantes apresentadas durante a película, como a quando os Yetis surgem para lutar, as transformações da múmia Imperador Han (Jet Li), entre outras.

O filme começa com o personagem Rick O’Connell (Brendan Fraser) vivendo com sua esposa Evelyn (Maria Belo) distante das aventuras do passado (outros 2 filmes). Rick está um pouco enfadado daquela vida pacata, bem como sua esposa (que agora vende livros que contam as histórias de suas aventuras). Enquanto isso, seu filho Alex (Luke Ford) está para desenterrar os ossos do Imperador Han, sem imaginar o perigo que estará despertando. Os pais de Alex pensam que ele está na faculdade e não imaginam o que ele está aprontando.

O Imperador Han fora um grande ditador nos tempos passados na China, mas sua sede por poder o levou à queda, pois ao apelar para a ajuda de uma feiticeira, no intuito de conseguir o segredo para a vida eterna, ela lança uma maldição nele como punição por ter matado seu grande amor. Como se pode ver nessa breve descrição, o pano de fundo para o desenrolar dessa história é bem ralinho e pouco inspirado, na verdade um pretexto para poder trazer o filme de volta a vida. Não que se esperasse maiores rebusques na história da Múmia já se imaginando como tinham sido os 2 primeiros, mas bem que poderiam ter caprichado um pouquinho mais ao invés de terem repetido fórmulas mais que chatas de amor traído, homens ambiciosos e lacaios com desejos megalomaníacos e coisas do tipo.

Como aventura o filme cumpre bem seu papel. Tem cenas bem interessantes e bem articuladas, tudo é motivo para uma explosão ou uma luta, mas é isso que torna o filme vibrante durante quase todo o tempo. Realmente a queda se nota quando tentam dar mais profundidade à trama, colocando uma possível relação familiar conturbada entre Rick (pai) e Alex (filho), nem Brendan nem Luke Ford conseguem convencer nas cenas mais sérias do filme. De fato, o Brendan Fraser é um ator bem pastelão que dá certo mesmo fazendo cenas mais cômicas. Ele não possui qualquer talento para transmitir seriedade em qualquer momento.

O filme mostra que ainda precisa evoluir se quiser conseguir parte da boa fama que circunda Indiana Jones, mesmo com todos as brechas desse último Indiana a Múmia consegue ser ainda pior em se tratando de roteiro. Ao menos Indiana tem um pano de fundo um pouco menos piegas e bobo do que a Múmia. No que A Múmia se sobressai um pouco mais que Indiana são as cenas de ação. As de Indiana são melhor articuladas em execução, mas as de A Múmia passam um ar de grandiosidade maior do que as de Indiana. Infelizmente não temos muitas cenas criativas (labirintos com armadilhas e coisas do tipo), mas o próprio Indiana recente não teve muito disso, então não se pode culpar muito A Múmia que é um filme voltado mais para o lado da ação.

Num rápido balanço comparativo é possível se colocar “A Múmia” como um filme razoável no que se propõe a fazer (entreter com bastante ação), infelizmente o roteiro fraco e as atuações pífias de seus atores principais estragam o filme um pouco e também se fica com uma impressão de que Jet Li foi colocado ali mais como chamariz para o filme do que para realmente compor um bom personagem. Ele pouco aparece como pessoa, ficando mais tempo transformado em vários monstros ou como múmia do que outra coisa. Um filme que pode agradar aos que querem fugir da temática trivial de filmes de ação policiais, mas não espere uma grande produção.

Intensidade da Força: 5,5