BATMAN

Título Original- The Dark Knight
Título Nacional- O Cavaleiro das Trevas
Diretor- Christopher Nolan
Roteiro- Jonathan Nolan/Christopher Nolan
Gênero- Ação/Policial/Drama
Ano- 2008

– Insuperável

Nada pode definir melhor esta nova sequência de Batman. Christopher Nolan conseguiu o que muitos imaginavam (quem acompanhou o filme passo-a-passo já esperava por isso), mas ainda sim houve espaço para se surpreender ainda mais. Insuperável foi também o desempenho de Heath Ledger (Coringa) num papel icônico que irá marcar a história do cinema como uma das interpretações mais realistas, conturbadas e autênticas já dadas a um personagem. Insuperável também foi o elenco como um todo, em especial, Aaron Eckhart (Harvey Dent/Duas Caras). Esse filme ficou tão impressionante que o próprio Batman ficou num segundo plano. As pessoas queriam mais e mais de Coringa, e sim, ele está lá em doses cavalares, mas incansáveis de muita insanidade, força e personalidade, a prova final (infelizmente) de um ator que não poderemos mais ver até onde poderia chegar. Ao menos o consolo de que um de seus últimos trabalhos em vida foi tão marcante e definitivo como sua ida tão prematura e misteriosa.

O que se conseguiu com esse Batman foi uma mistura absurda e inimimaginável de perfeições desde as interpretações de alguns personagens até os dialógos mais simples que sempre tinham um algo mais, sempre possuiam um “plus” nas entrelinhas, seja sarcástico, seja cômico (humor negro, é verdade) tudo ficou minunciosamente trabalhado o que demonstrou aos estúdios que eles devem dar sim confiança e liberdade às suas equipes num filme (não que sempre o resultado vá ser bom, mas se a equipe for boa a probabilidade de um grande acerto é muito maior) e isto ficou claramente provado em Batman. Deram a Nolan liberdade para trabalhar, não interferindo em decisões polêmicas (deixar o filme adulto, apesar de nos EUA ser apenas 13 anos) e abarcar uma trama profunda e bem intrincada que poderia culminar no risco do afastamento dos mais receosos. Por enquanto isso não causou efeito negativo em Batman, pois o filme arrecadou no seu primeiro fim de semana nos EUA nada menos de 155 milhões de dólares, maior cifra do ano e uma das maiores de toda história do cinema, e pela aclamação pública e crítica que o filme vem açambarcando, é provável que o ritmo se mantenha fortíssimo nos próximos fins de semana.

O filme continua do momento que Batman Begins parou. Uma nova ameaça ronda a cidade de Gotham e, apesar de inicialmente ainda não chamar a atenção de Batman, o Coringa já está causando tumulto com assaltos e também atraindo a atenção de outro inimigo perigoso, a Máfia. Máfia essa que se encontrava extramemente insatisfeita com as ações de Batman, mas não conseguia detê-lo. O Coringa surge numa de suas reuniões e faz um de seus truques de mágica logo na entrada (fazer o lápis sumir! Impressionante pela crueza, simplismo e genialidade ao mesmo tempo). O “plano” do Coringa era simples; matar o Batman. Porém, a máfia ainda não acreditava nele como solução “viável” para o problema. Depois de aprontar diversas, o Coringa finalmente atrai a atenção do Batman e da Máfia e aí que as coisas se complicam.

Bruce Wayne fica visivelmente desorientado nesta sequência, pois ele não sabe o que esperar de uma pessoa como o Coringa, imprevisível, movido por sentimentos nada complexos, porém que o faziam ser altamente perigoso já que como louco e maniáco que se apresentava, motivações mundanas (fama, dinheiro) não fariam nenhum efeito nele e o Batman ao se vê frente a frente com esse novo inimigo fica atônito e sem ação. Apesar de Alfred tentar alertá-lo, isso pouco adianta, ele tomaria diversos bailes do seu novo inimigo até finalmente conseguir uma forma de parar sua insanidade. Nesse fogo cruzado encontrava-se o promissor Promotor Harvey Dent, figura também central da trama já que vê no Batman um reforço na luta contra o crime galopante de Gotham. Sempre tentando fazer de tudo para conseguir agir pela lei Harvey Dent remonta em muito a situação de nossos magistrados em cidades extremamente violentas de nosso país. A diferença é que na real não existe Batman para conter tão avassaladora onda de crimes.

O filme se desenrola de forma frenética do início ao fim. Não há pausas, não há refrescos. É ação sobre ação, momentos que se completam de forma perfeitamente ritmada, ainda assim rápida, tecendo delicadamente toda teia de uma trama cheia de reviravoltas e grandes momentos. O cinema vibra com as cenas do filme (lápis, perseguição contra o caminhão) é tudo feito com muita coordenação e o elenco sabe seu lugar, sabe agir e estava afiadissimo a todo momento. Alguns comentários curiosos chamam a atenção, inclusive. “Bale está pior nesse filme?” , “Poxa, um filme do Batman e ele nem parece que é o principal” . Bale está lá, talvez até melhor que no primeiro Batman. A diferença é que esse filme não é centrado nele, nesse filme existem outros que chamam a atenção e fazem parte da trama. Seja o Coringa, seja Harvey Dent ou mesmo Comissário Gordon. São muitos grandes atores que compraram definitivamente um projeto e acreditaram no filme. É visível o comprometimento. Batman não é encarado como um filme POP, mas algo mais e é isso que causa a extrema ovação que o filme vem recebendo.

Não é um filme de heroí comum e creio que seja injusto tentar compará-lo com o excelente Homem de Ferro ou os 2 primeiros Spiderman. Batman não se resume a tão somente contar uma historinha e ter um vilãozinho manjado com objetivos mais que manjados. Batman conta mais, Batman lida com algo muito maior. O ser humano. Até onde podemos ir quando encurralados? O que leva as pessoas a tomarem determinadas decisões. Como se portar quando tudo desmorona ao seu redor diante de um obstáculo quase intangível? Estas são algumas das quesões levantadas por Batman. O mais legal/irônico a respeito de todas elas? O filme não ousaser simplista e dar respostas prontas para elas. Não deixa cair na armadilha do sentimental. É um filme sério, duro a todo instante e por isso alcançou o nível da excelência.

Pode-se ver um Batman que há muito tempo se esperava. Um Batman em constante conflito, um Batman humano, capaz de se exceder quando encurralado, uma pessoa como nós, sujeita a vacilos e dificuldades, mas esse mesmo Batman imperfeito é capaz de sobrepor tudo isso e trazer aquela força vital que todo ser humano possui de lutar contra os problemas e não se deixar levar pelo caminho mais fácil da maldade. Ser correto é duro sim, ser honesto e digno também, mas Batman consegue provar que sendo assim encontramos nossa humanidade. Essa é uma de suas grandes lições.

Por último, resta falar que não há mais filmes de heroí. Há Batman de Christopher Nolan. Não há mais Marvel x DC. Há DC Comics (que só acerta com Batman agora) e uma Marvel que aparentemente acerta com quase todos, mas que agora tem um baita desafio pela frente e que não acho que ela irá pegar por enquanto. Batman vai ficar rei muito tempo e talvez para sempre como maior filme de heroí já feito. Será que é um filme de heroí tão somente? De fato seria fazer pouco do filme, mas não há como fugir de sua essência uma vez que temos a fantasia do heroí lá. Então faça o seguinte: Esqueça Batman. Deixe-o naquele espaço separado, sem competição (hors concours) será muito mais justo com os demais filmes de heroí. Parabéns Nolan, Bale, Aaron, Gary Oldman, Michael Caine e Morgan Freeman e um saudoso obrigado a Heath Ledger por nos brindar com esta atuação memorável.

Intensidade da força: 10,0

4 opiniões sobre “BATMAN”

  1. Opa Gil! Valeu por postar sua opinião sobre o filme aqui no bloginho! EHHE

    Bom, antes de mais nada vou esclarecer uma confusão que muitos fazem.

    Esse Batman (apesar do nome semelhante) não é baseado na obra de Frank Miller não. Na verdade o Batman de Frank Miller está sendo congitado somente agora para ser transportado à telona e se for feito será pelo Zack Snyder (300, Sin City) e não por Christopher Nolan.

    Feito esse esclarecimento espero que as suas “decepções” com o filme tenham sido minimizadas. Na verdade o título é apenas uma alusão mesmo ao vigilante noturno Batman e não uma relação com a obra do Frank Miller.

    Valeu de novo pela postagem e fique á vontade.

  2. Olá Bill,

    Parabéns pelo blog!

    Assisti o filme ontem e gostei bastente. É uma ótima experiência como cinema.

    Mas…
    Ficou aquém do que eu esperava.

    A razão disso é que eu li o Cavaleiro das trevas (Frank Miller) quando era garoto. E o filme deixa um pouco a desejar em relação à HQ.

    Mas isso já era esperado, certo?

    []s,
    Gil Galad

  3. Opa Daniel (dac!) valeu por participar do meu bloginho e também por deixar sua opinião.

    O filme é bem bacana mesmo, não que não tenha um ou outro porém, mas o pacote final é bom demais e não merece perder a nota máxima por conta de alguns defeitinhos.

    Abraços.

  4. Grande análise, Bill! Tô doido pra ver, acho que de hoje não passa!

    Muito interessantes suas comparações com outros filmes de heróis e a descrição sobre o lado dramático do filme, que explora o herói como ser humano.

    Parabéns!

    Abraço,
    daczero

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