Batman e os Números!

Pois é pessoal, 2 semanas se passaram e Batman está muito bem obrigado em termos de bilheteria. O filmão está arrebentando nos EUA com impressionantes 314 milhões e 440 milhões mundiais.

Impressionante é que o filme ainda não foi lançado em todo o mundo por isso a cifra mundial ainda é basicamente apenas a cifra norte americana, mas isso não desmerece o filme que arrisco poder chegar próximo aos 500 milhões apenas nos EUA!

Isso é bom e ruim. Bom, pois mostra a aceitabilidade do público sobre o filme e ruim, pois pode gerar uma pressão para que hajam mais filmes e que talvez sejam sacrificados para serem feitos com pressa. Espera-se que isso não aconteça. Batman está muito bem e seria um pecado jogar fora todo esse prestígio.

O filme também está liderando o ranking de notas do site IMDB.com com incríveis 9.2 à frente de Poderoso Chefão. Dificilmente se manterá em primeiro lugar, mas com certeza figurará entre os 10 mais de todos os tempos, outra marca importante para a produção.

BATMAN

Título Original- The Dark Knight
Título Nacional- O Cavaleiro das Trevas
Diretor- Christopher Nolan
Roteiro- Jonathan Nolan/Christopher Nolan
Gênero- Ação/Policial/Drama
Ano- 2008

– Insuperável

Nada pode definir melhor esta nova sequência de Batman. Christopher Nolan conseguiu o que muitos imaginavam (quem acompanhou o filme passo-a-passo já esperava por isso), mas ainda sim houve espaço para se surpreender ainda mais. Insuperável foi também o desempenho de Heath Ledger (Coringa) num papel icônico que irá marcar a história do cinema como uma das interpretações mais realistas, conturbadas e autênticas já dadas a um personagem. Insuperável também foi o elenco como um todo, em especial, Aaron Eckhart (Harvey Dent/Duas Caras). Esse filme ficou tão impressionante que o próprio Batman ficou num segundo plano. As pessoas queriam mais e mais de Coringa, e sim, ele está lá em doses cavalares, mas incansáveis de muita insanidade, força e personalidade, a prova final (infelizmente) de um ator que não poderemos mais ver até onde poderia chegar. Ao menos o consolo de que um de seus últimos trabalhos em vida foi tão marcante e definitivo como sua ida tão prematura e misteriosa.

O que se conseguiu com esse Batman foi uma mistura absurda e inimimaginável de perfeições desde as interpretações de alguns personagens até os dialógos mais simples que sempre tinham um algo mais, sempre possuiam um “plus” nas entrelinhas, seja sarcástico, seja cômico (humor negro, é verdade) tudo ficou minunciosamente trabalhado o que demonstrou aos estúdios que eles devem dar sim confiança e liberdade às suas equipes num filme (não que sempre o resultado vá ser bom, mas se a equipe for boa a probabilidade de um grande acerto é muito maior) e isto ficou claramente provado em Batman. Deram a Nolan liberdade para trabalhar, não interferindo em decisões polêmicas (deixar o filme adulto, apesar de nos EUA ser apenas 13 anos) e abarcar uma trama profunda e bem intrincada que poderia culminar no risco do afastamento dos mais receosos. Por enquanto isso não causou efeito negativo em Batman, pois o filme arrecadou no seu primeiro fim de semana nos EUA nada menos de 155 milhões de dólares, maior cifra do ano e uma das maiores de toda história do cinema, e pela aclamação pública e crítica que o filme vem açambarcando, é provável que o ritmo se mantenha fortíssimo nos próximos fins de semana.

O filme continua do momento que Batman Begins parou. Uma nova ameaça ronda a cidade de Gotham e, apesar de inicialmente ainda não chamar a atenção de Batman, o Coringa já está causando tumulto com assaltos e também atraindo a atenção de outro inimigo perigoso, a Máfia. Máfia essa que se encontrava extramemente insatisfeita com as ações de Batman, mas não conseguia detê-lo. O Coringa surge numa de suas reuniões e faz um de seus truques de mágica logo na entrada (fazer o lápis sumir! Impressionante pela crueza, simplismo e genialidade ao mesmo tempo). O “plano” do Coringa era simples; matar o Batman. Porém, a máfia ainda não acreditava nele como solução “viável” para o problema. Depois de aprontar diversas, o Coringa finalmente atrai a atenção do Batman e da Máfia e aí que as coisas se complicam.

Bruce Wayne fica visivelmente desorientado nesta sequência, pois ele não sabe o que esperar de uma pessoa como o Coringa, imprevisível, movido por sentimentos nada complexos, porém que o faziam ser altamente perigoso já que como louco e maniáco que se apresentava, motivações mundanas (fama, dinheiro) não fariam nenhum efeito nele e o Batman ao se vê frente a frente com esse novo inimigo fica atônito e sem ação. Apesar de Alfred tentar alertá-lo, isso pouco adianta, ele tomaria diversos bailes do seu novo inimigo até finalmente conseguir uma forma de parar sua insanidade. Nesse fogo cruzado encontrava-se o promissor Promotor Harvey Dent, figura também central da trama já que vê no Batman um reforço na luta contra o crime galopante de Gotham. Sempre tentando fazer de tudo para conseguir agir pela lei Harvey Dent remonta em muito a situação de nossos magistrados em cidades extremamente violentas de nosso país. A diferença é que na real não existe Batman para conter tão avassaladora onda de crimes.

O filme se desenrola de forma frenética do início ao fim. Não há pausas, não há refrescos. É ação sobre ação, momentos que se completam de forma perfeitamente ritmada, ainda assim rápida, tecendo delicadamente toda teia de uma trama cheia de reviravoltas e grandes momentos. O cinema vibra com as cenas do filme (lápis, perseguição contra o caminhão) é tudo feito com muita coordenação e o elenco sabe seu lugar, sabe agir e estava afiadissimo a todo momento. Alguns comentários curiosos chamam a atenção, inclusive. “Bale está pior nesse filme?” , “Poxa, um filme do Batman e ele nem parece que é o principal” . Bale está lá, talvez até melhor que no primeiro Batman. A diferença é que esse filme não é centrado nele, nesse filme existem outros que chamam a atenção e fazem parte da trama. Seja o Coringa, seja Harvey Dent ou mesmo Comissário Gordon. São muitos grandes atores que compraram definitivamente um projeto e acreditaram no filme. É visível o comprometimento. Batman não é encarado como um filme POP, mas algo mais e é isso que causa a extrema ovação que o filme vem recebendo.

Não é um filme de heroí comum e creio que seja injusto tentar compará-lo com o excelente Homem de Ferro ou os 2 primeiros Spiderman. Batman não se resume a tão somente contar uma historinha e ter um vilãozinho manjado com objetivos mais que manjados. Batman conta mais, Batman lida com algo muito maior. O ser humano. Até onde podemos ir quando encurralados? O que leva as pessoas a tomarem determinadas decisões. Como se portar quando tudo desmorona ao seu redor diante de um obstáculo quase intangível? Estas são algumas das quesões levantadas por Batman. O mais legal/irônico a respeito de todas elas? O filme não ousaser simplista e dar respostas prontas para elas. Não deixa cair na armadilha do sentimental. É um filme sério, duro a todo instante e por isso alcançou o nível da excelência.

Pode-se ver um Batman que há muito tempo se esperava. Um Batman em constante conflito, um Batman humano, capaz de se exceder quando encurralado, uma pessoa como nós, sujeita a vacilos e dificuldades, mas esse mesmo Batman imperfeito é capaz de sobrepor tudo isso e trazer aquela força vital que todo ser humano possui de lutar contra os problemas e não se deixar levar pelo caminho mais fácil da maldade. Ser correto é duro sim, ser honesto e digno também, mas Batman consegue provar que sendo assim encontramos nossa humanidade. Essa é uma de suas grandes lições.

Por último, resta falar que não há mais filmes de heroí. Há Batman de Christopher Nolan. Não há mais Marvel x DC. Há DC Comics (que só acerta com Batman agora) e uma Marvel que aparentemente acerta com quase todos, mas que agora tem um baita desafio pela frente e que não acho que ela irá pegar por enquanto. Batman vai ficar rei muito tempo e talvez para sempre como maior filme de heroí já feito. Será que é um filme de heroí tão somente? De fato seria fazer pouco do filme, mas não há como fugir de sua essência uma vez que temos a fantasia do heroí lá. Então faça o seguinte: Esqueça Batman. Deixe-o naquele espaço separado, sem competição (hors concours) será muito mais justo com os demais filmes de heroí. Parabéns Nolan, Bale, Aaron, Gary Oldman, Michael Caine e Morgan Freeman e um saudoso obrigado a Heath Ledger por nos brindar com esta atuação memorável.

Intensidade da força: 10,0

Viagem ao Centro da Terra

Título Original- Journey to the Center of the Earth
Título Nacional- Viagem ao Centro da Terra
Diretor- Eric Brevig
Roteiro- Michael Weiss/Michael D Weiss
Gênero- Ação/Aventura/Fantasia
Ano- 2008

– 3D ou não 3D?

A coisa mais polêmica que deve estar rondando o filme em questão é a polêmica 3D. Nos trailers sempre foi anunciado que o filme viria em 3D. Como entusiasta das novidades fiquei curioso em ver o filme nesse formato, ignorante eu, nem sabia que a tecnologia 3D não era mais aquela do filme 3D do Freddy Gruger. Depois de me informar um pouco descobri que apenas uma meia dúzia de salas no país possuem a tecnologia necessária para passar o filme e para piorar apenas umas 2 possuem a tecnologia para passar em 3D legendado. No entanto, eu fui saber que não iria ser 3D apenas na hora de comprar o ticket da sessão. Culpa da estupidez dos veículos de comunicação de nossa cidade que alardearam que o filme seria 3D em todas as principais salas da cidade (UCI e Cinemark), talvez pensando da mesma forma equivocada que eu.

Não podendo ver o filme em 3D boa parte do “plus” e do charme esmoreceram e o desânimo bateu antes mesmo de ver o filme, pois pelos trailers notava-se que o filme era bem fraco em termos de diversão bem organizada e que de fato trouxesse algo de engraçado. Confirmado o que já imaginava com apenas 5 minutos de película, o negócio foi me conformar e assistir a todo o filme e trazer a vocês a impressão final, mesmo que não tenha sido de todo positiva.

O filme começa com Trevor Anderson (Brendan Fraser) tendo um sonho com o seu irmão e em seguida (já na faculdade que lecionava) tendo que lidar com o fechamento do seu laboratório de pesquisa por falta resultados nos seus estudos até então. Logo depois, seu sobrinho Sean Anderson (Josh Hutcherson) chega à sua casa para passar alguns dias, conversa vai, conversa vem, eles descobrem que um dos aparelhos da pesquisa de Trevor estava funcionando e que o localização coincidia com o último lugar que tinham tido notícias do irmão de Trevor. Já na Islândia eles conhecem a guia Hannah Ásgeirsson (Anita Briem) que os guiaria até o local do aparelho (uma espécie de sismógrafo).

O filme se baseia no livro de Julio Verne e conta a história de forma mais infantil e boba justamente para alcançar o público mais “família”, o problema não é esse, enfim. A questão básica é que o filme como um todo é muito fraco, circundado de péssimas atuações de Sean e Hannah e com um Trevor se salvando por muito pouco do completo fracasso. Eles não convencem em nenhum instante em nenhuma cena, seja de comédia, seja de aventura ou nos momentos de perigo e até “dramáticos” do filme. Tudo bem que nesse último não é justo se exigir um grande desempenho dramático num filme infantil, mas existe um mínimo de convencimento (a cena de Brendan lendo as últimas palavras de seu irmão para o filho (Sean) é ruim de doer).

No mais, o filme também decepciona, pois não consegue ser engraçado, as piadas são muito fracas, as cenas para rir também são muito mal articuladas e o fato do filme ter sido rodado para salas de cinema equipadas para passar em 3D fez com que o filme nos momentos 3D ficasse com um aspecto “tosco” que destoava muito dos demais cenários, mas isso não é culpa inteira do filme, mas também da ganância dos que gerenciam os cinemas em não prover (nem que fosse com uma sala por Estado) o equipamento para assistir em 3D.

Feito todo o panorama (infelizmente não muito bom) o saldo de Viagem ao Centro da Terra (3D?) não é positivo, aliás, bem longe disso, ele não consegue emplacar como um bom filme “família” e é fraco até mesmo nos parâmetros que fazem um bom filme nesse estilo (comédia, cenas de ação mirabolantes, improviso, condução dos momentos de aventura) é uma pedida pouco indicada mesmo para que gosta do gênero, mas se você já viu todos os filmes na sua cidade ou simplesmente gosta de ver uma novidade não é um completo desperdício não. Se sua cidade tem a possibilidade de ver o filme em 3D melhor ainda. Fora isso, não recomendo.

Intensidade da força: 4,5

Novidades à vista!

Bom pessoal, pretendo movimentar mais o blog com adição de textos mais participativos do que apenas análises. Textos em que perguntarei a opinião dos que leem o nosso blog (poucos, mas existem!) e notícias de cinema em geral na parte de destaques.

Essa é uma tentativa de buscar maior participação dos leitores e incentivá-los a se registrarem e criar um espaço bacana para discutirmos e darmos nossa opinião. Pretendo também atualizar o blog 2x por semana. Não defini quais dias ainda, mas creio que um dos dias será Quarta-Feira.

Aguardem…

Hancock

Título Original- Hancock
Título Nacional- Hancock
Diretor- Peter Berg
Roteiro- Vincent NGO/Vice Gilligan
Gênero- Ação/Comédia
Ano- 2008

– Um herói diferente

Para quem havia visto o trailer já foi assistir à Hancock esperando, no mínimo, algo diferente com relação ao seu típico herói bonzinho e que sempre tem uma palavra simpática para com seu público. Assim começa o filme Hancock estrelado por Will Smith como o protagonista e que ainda conta com o peso de Charlize Theron (Mary Embrey) e Jason Bateman (Ray Embrey). Um filme com uma proposta diferente que atraí num primeiro momento justamente por isso, sem falar que conta com Will Smith na ponta.

Começa bem o filme, isso é inegável, segue assim por sua primeira metade (quase exatamente isso) e depois… bem, depois o filme se perde completamente e o que era para ser um baita filme de ação com temática de super herói se torna um mix sem sentido de ação, comédia, drama e ainda com um toque de romance. São estes dois últimos atributos que marcam negativamente o longa e estragam sobremaneira o retrato final que se tem do filme, fazendo com que o telespectador até esqueça de quão bom é o filme no seu começo.

Hancock é um cara diferente dos demais humanos da Terra. Ele tem super poderes e até os utiliza para ajudar as pessoas, mas algo está errado. Por que as pessoas o odeiam? Por que ninguém o reconhece como um salvador? Hancock salva as pessoas de forma inusitada e sempre causando mais prejuízo ao seu redor com seus salvamentos do que realmente produzindo algo de bom dos seus feitos. Isso deixa a todos muito irritados e é também o que confere um certo charme ao “heroí”. Sempre bêbado e mulambento ele não é nada simpático com os outros e isso irrita mais a plebe. Assim seguia a vida de Hancock, inclusive com mandados de prisão decretados contra ele devido os danos causados a cidade em seus “salvamentos”. Tudo isso muda quando ele salva Ray que além de agradecê-lo vê a oportunidade de ajudá-lo a mudar sua imagem perante a cidade.

Até este momento e um pouco mais adiante o filme é muito bom e agrada demais. O plano de Ray consistia em basicamente fazer com que as pessoas sentissem que Hancock é importante para o bem estar da cidade e para isso ele devia mostrar respeito às leis e às pessoas. Depois de um breve período preso a cidade pede sua ajuda e Hancock o faz, mas tudo muda logo depois disso, pois um segredo existia e Hancock o descobre logo depois de começar a colher os louros da gratidão do povo.

Pronto. Basicamente o filme acaba aí. Cerca de 1h ou pouco mais que isso. Depois disso um rumo completamente inesperado (até certo ponto) assola o longa e toma conta da história e se mantém assim até o final. Nessa nova parte o filme perde boa parte da comédia, a ação diminui deveras, ou seja, passa a ser outro filme só que dentro do mesmo. Estranho não? Mas, é exatamente isso que acontece.

Nem Will Smith com todo seu carisma e boa interpretação mesmo com um roteiro muito fraco e completamente perdido consegue salvar o filme de cair na mediocridade. Charlize Theron então! Nossa! Está quase irreconhecível tanto física (com um banho de bronzeamento artificial que não ficou bem nela) como no papel da esposa de Ray e é quase o pivô da abrupta queda de rendimento do filme.

No final é basicamente isso. Um filme que poderia ser originalíssimo jogado fora. Uma boa idéia mais uma vez desperdiçada por roteiro ruim e uma direção também perdida ( a saber que Peter Berg fez o ótimo Collateral ). Will Smith apesar de estar lá e até se esforçar não consegue suportar sozinho toda a bagunça feita no filme é até surpreende por ter encarado um papel assim. Charlize Theron, irreconhecível em todos os sentidos, e Jason Bateman não comprometem, tampouco ajudam a melhorar nada. Infelizmente Hancock deixou muito a desejar e no final o que faz ele não descambar para a completa ruindade é Will Smith e o ótimo começo que é vagamente relembrado na última cena (já nos créditos). No mais, um filme comum. Uma pena.

Intensidade da Força: 6,0

Wall-E

Título Original– Wall-E
Título Nacional– Wall-E
Diretor- Andrew Stanton
Roteiro– Andrew Stanton/ Jim Capobianco
Gênero- Animação/Comédia
Ano– 2008

-Waaallee, Eeevaa

O que se pode dizer de um filme em que os personagens principais basicamente falam só isso? À primeira vista que seria um filme bobo e sem graça, mas a Pixar conseguiu mais uma vez quebrar a lógica com sua nova animação. Wall-E é daqueles filmes que chegam de mansinho sem fazer muito alarde e conquista nossos corações, basta reparar na quantidade de trailers promocionais (ao menos no cinema de Salvador) em muito menor quantidade que seu rival Kung Fu Panda que inundava as sessões há 1 ano aproximadamente. Particularmente, não assisti sequer um trailer de Wall-E, por não ter sido exibido nenhum por aqui.

Depois de poder ter visto o filme realmente não me incomodo nenhum pouco com esse detalhe. Com uma expectativa normal com relação ao filme esperava algo do nível de Carros ou Procurando Nemo (boas animações, mas longe de Incríveis ou Ratatouille). Ao término da sessão qual não foi a surpresa em saber que havia errado por muito e que Wall-E está no panteão de grandes filmes de animação de todos os tempos. Dito isso já é sabido o que se aguardar desse texto sobre o longa.

Walle (na verdade se fala como no título, mas o hífen é deveras chato de ficar digitando) aparentemente é o único de sua “espécie” que se manteve funcional num planeta Terra devastado pelo lixo que havia tomado conta de tudo e inviabilizado a vida orgânica. Solitário, ele cumpria sua diretriz básica (compactar lixo) religiosamente todo dia, mas já se notava que Walle não era um robozinho comum. Provavelmente com o passar do tempo sua inteligência artificial se desenvolveu e ele se adaptou àquela realidade dura e fazia mais do que apenas seguir sua diretriz básica. Ele guardava tudo que achava diferente no seu lar (um container abandonado) e com isso tinha construído algo semelhante a uma casa como os humanos faziam quando ainda viviam na Terra. Acompanhado apenas de uma baratinha (piada da Pixar para dizer que tudo pode sumir exceto as baratas) Walle seguia sua rotina até que chega do espaço um visitante.

Esse visitante era um outro robô também, curioso Walle tenta se aproximar, mas o visitante é pouco amistoso no início e refuta suas investidas de aproximação, porém, depois de alguns incidentes os dois se unem e ficam relativamente amigos. No entanto Eva (nome do robô visitante) ainda estava muito apegada a sua diretriz básica (encontrar sinais de vida na Terra como prova de que condições de vida havia se tornado possível novamente), entre as coisas curiosas que Walle guardava havia uma plantinha dentro de uma bota, quando Eva entra em contato com essa planta se desliga automaticamente e passa a aguardar o retorno da nave-mãe para levá-la. Inconformado Walle tenta reativar Eva sem sucesso durante um bom tempo. A nave retorna para levar Eva e Walle não aceita aquilo e segue a nave para tentar rever sua amiga/amor religado mais uma vez.

A nave na realidade era apenas uma pequena parte de uma grande espaçonave que abrigava os humanos restantes da Terra, lá eles viviam de forma ociosa e sem quaisquer expectativas. Ao chegarem à nave Walle e Eva começam a se meter em inúmeras confusões, pois descobre-se que os robôs que dirigiam a nave tinham uma diretriz de jamais retornar à Terra e iriam obedecer aquela ordem a todo custo. O capitão da nave ao ver a plantinha descobre que a Terra era seu planeta natal e decide voltar e o filme se desenrola até o final.

Extremamente singular, sincero, ingênuo e tocante, estas são algumas das características que fazem Walle um filme especial. Não é somente um filme bobo com piadas idiotas e coisas sem sentido acontecendo. Há uma mensagem, várias mensagens, algumas piegas e outras muito curiosas para um filme dito infantil (como a ameaça do lixo e do descaso do ser humano com o nosso planeta) o valor do amor e da amizade e outras menores. É um filme que se preocupa em não ser mais do mesmo e é o caminho que a Pixar vem trilhando já há algum tempo e que torço para que continue assim, pois é muito legal chegar ao final de uma sessão com aquele sentimento de alívio e de paz por ter assistido um filminho tão lindo e singelo. Wall-E é um filme não só para crianças, mas para adultos também. Tem coisas bobas? Claro que sim! Como também é incrivelmente sentimental e simples. Especial é a uma boa palavra para resumir Wall-E. Assistam sem medo.

Intensidade da Força: 9,0