As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian

Título Original – The Chronicles of Narnia: Prince Caspian
Título Nacional – As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian
Diretor – Andrew Adamson
Roteiro – Andrew Adamson/Christopher Markus
Gênero – Aventura/Ação/Fantasia
Ano – 2008

– De volta para Nárnia

Depois de 2 anos e meio o universo de Nárnia está de volta à telona e antenado, como sempre nas novidades, relato as impressões com relação a esta seqüência. O primeiro filme tinha a missão de contar a história do mundo de Nárnia e apresentar aos telespectadores os personagens principais da trama que é inspirada na obra de C.S Lewis que tem por fonte inspiradora nada mais, nada menos que J.R Tolkien (criador de Senhor dos Anéis). O que se pode esperar de semelhança? Muitas coisas. Nárnia é um mundo fantasioso em que temos seres mitológicos como centauros, anões, além de animais e plantas encantadas que falam. No primeiro filme tudo era muito mais bonito e ingênuo do que nesta seqüência. Isto se deve ao fato de que o primeiro livro conta uma história num momento em que Nárnia ainda era controlada pelos “narnianos”, diferentemente do que acontece neste filme.

No presente da trama deste novo longa temos Nárnia controlada pelos Temerianos (humanos) que há muito tempo chegaram em Nárnia e começaram uma guerra que terminou com a derrota dos “narnianos” e o controle daquele território.Por conta disso o mundo de Nárnia não é mais o mesmo. É mais sombrio, mais feroz e muito menos amistoso do que na época do primeiro filme. Na verdade se passaram mais de 1000 anos desde a vez em que o grupo de crianças que havia salvado Nárnia esteve lá. Muita coisa havia mudado neste meio tempo. Trazidos de volta pelo chamado de uma trompa mágica os heróis mirins (não mais tão mirins assim) voltam a terra que ajudaram a proteger no passado.

Nesta “nova Nárnia” os temerianos têm o controle e o príncipe Caspian é o sucessor direto do trono que está vago a espera que complete a idade para que possa assumi-lo (assim presumo, pois na verdade isso não é esclarecido diretamente no filme), mas seu tio Miraz (Sergio Castellito) pretende tomar o trono para si e com o nascimento de um herdeiro tem toda a condição de fazê-lo, bastando apenas dar um fim no “impecilho” que é o seu sobrinho. Avisado de última hora por seu tutor do plano contra si, Caspian foge do Castelo e descobre que os “narnianos” supostamente “extintos” na verdade estão escondidos na floresta conhecida pelos temerianos como “mal assombrada”.

Enquanto isso, o jovem grupo que está recém chegado em Nárnia ainda tenta se familiarizar com a estranha situação (não sabem eles que havia se passado tanto tempo). Composto pelos mesmos 4 jovens do primeiro longa; Peter (William Moseley), Lucy(Georgie Henley), Susan (Anna Popplewell) e Edmund (Skandar Keynes) se deparam com o príncipe Caspian, enquanto exploravam a “nova” Nárnia. Inteirando-se da situação e unindo forças com o recém formado exército liderado por Caspian os 4 reis (assim conhecidos pelos “narnianos”) buscam tentar o resgate da terra de Nárnia aos seus antigos donos. No começo, sem a ajuda do leão Aslam eles passam por muitas dificuldades, muito em conta pela disputa de Pedro e Caspian pela liderança do exército.

Como filme, este novo Nárnia está num patamar superior ao primeiro em quase todos os sentidos. É um filme mais dinâmico, com um roteiro mais coeso, porém que ainda precisa ter um corpo mais definido com relação a como conduz a história que se propõe a contar. Mesmo com suas quase 2h30min o filme consegue acabar sem explicar muitas coisas que são importantes para o bom entendimento da história e para quem não acompanhou os livros. Não é nada extremamente comprometedor, mas afeta o fluxo do longa. Nota-se que os atores amadureceram na forma de interpretar, mas ainda precisam evoluir mais para conseguirem convencer bem o público em toda a sua esfera de interpretação.

O ator escalado para interpretar o príncipe Caspian tem pouca empatia e não consegue se firmar bem como líder durante todo o filme, bem como o jovem Peter, não somente por seus personagens serem assim, mas falta mais expressão na interpretação, o mesmo problema afeta a irmã Susan (mais velha) e o irmão Edmund (mais novo, menos que os 2 primeiros) esse problema aflige menos a jovem Lucy, mas muito por conta do papel dado a ela do que por sua interpretação como atriz. Vejamos como ela irá se sair no próximo Nárnia, agendado para 2010 que será centrado nela e no irmão Edmund.

No mais, Crônicas de Nárnia e o Príncipe Caspian é um filme muito bom, mas pode não passar toda aquela boa impressão para alguns telespectadores que se deixarem iludir pela falsa impressão de que se trata de um filme de ação. Não se trata de um filme que quer ser um “Novo Senhor dos Anéis”, mas sim um filme de aventura com um enfoque diferente que tenta trazer boas doses de ação, fantasia, mas muito mais direcionado ao público jovem, por seu pano de fundo leve e pouco complexo do que um épico como Senhor dos Anéis. Não caindo nessa armadilha quem for assistir Nárnia poderá ter certeza que sairá muito satisfeito do cinema com um filme que agrega boas doses de aventura, ação, algumas de comédia, fantasia sem descambar para o excesso de ingenuidade ou complexidade. Um filme que evolui com relação ao primeiro e se consolida ainda mais como nova franquia forte do cinema atual.

Intensidade da força : 8,0

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