Agente 86

Título Original- Get Smart
Título Nacional- Agente 86
Diretor- Peter Segal
Roteiro- Tom J. Astle/Matt Ember
Gênero- Comédia/Ação
Ano- 2008

Reescrevendo a comédia…

Esse pode ser um começo para os filmes de comédia americanos que em geral são extremamente exagerados e pouco inspirados em sua grandíssima maioria. Agente 86 mostra que é possível fazer comédia escrachada sem descer tão baixo como filmes tipo American Pie e Todo Mundo em Pânico. Antes, porém, não fiquem muito contentes com essa introdução. Não que o filme seja ruim ou coisa do tipo, mas pode ser que Agente 86 seja apenas um filme dentre os milhares ruins e não consiga mudar nada neste triste cenário das comédias pastelão americanas.

Não acompanhei a série de TV de sucesso na qual o filme se inspira, mas li um pouco sobre a mesma antes de assistir o filme e pode ser que o resultado tenha saído bom devido o fato do filme se inspirar nesse seriado do passado, ficando a teoria de “mudança” do cenário dos filmes de comédia apenas no sonho. Agente 86 representa o filão de bons filmes de comédia como O Todo Poderoso ou até mesmo o menos inspirado A Volta do Todo Poderoso, bem como Virgem de 40 anos e outros poucos representantes. Trata-se de um filme exagerado, mas mantém a integridade sem cair na própria armadilha. Talvez por contar com um elenco firme e um diretor respeitável coisa que não acontece com a maioria dos demais filmes do gênero.

O filme começa com Maxwell Smart (Steve Carell) analista de uma agência “super secreta” tentando a aprovação no exame para soldado de campo já que se encontra entediado com a vida burocrática de um analista. Aprovado no teste tem suas expectativas frustradas por ser um excelente funcionário e seu chefe não quer perdê-lo naquela posição, pois não haveria substituto. Ocorrido um ataque à base de operações da Agência todos os agentes são descobertos e , por isso Maxwell é promovido a agente de campo e se torna então o agente 86, aliando-se a bela Agente 99 (Anne Hathaway) que fez plástica e mudou completamente de rosto, eles se unem para tentar descobrir quem fez o ataque à base e acabar com seus planos maléficos!

Descoberto o inimigo (se trata da Agência russa KAOS) os 2 agentes vão em busca dos planos por trás do ataque e o que haveria de maior nisso tudo. Muitas loucuras envolvem esse trajeto com direito a cenas insanamente hilárias que fazem até o mais chato rachar de rir (a do banheiro do avião é a maior de todas) e basicamente nisso se resume o filme. O Agente 86 normalmente fazendo suas trapalhadas e a Agente 99, mais séria, consertando essas trapalhadas, mas de vez em quando também é surpreendida pelos acertos do parceiro. A trama do filme é bem pastelão e simplista como deveria ser numa comédia do gênero. As cenas de ação do filme são relativamente bem trabalhadas para o tipo de filme o que coloca Agente 86 num patamar acima, pois, apesar de ser uma comédia escrachada não é um filme “retardado” e mal feito como a maioria dos demais. Se tenta fazer as coisas correrem com organização e de forma relativamente cadenciada dando ao filme um toque de seriedade neste sentido. Tentou-se, de fato, fazer um bom filme de comédia que respeitasse a boa fama da série de TV do passado.

O resultado final é muito positivo com ótimas cenas de riso em sua maioria, claro que existe uma ou outra exagerada que passa do ponto aqui e acolá, mas Steve Carell é hilário só de olhar para a cara de paspalho dele e isso ajuda bastante a manter o nível sempre num bom patamar. O filme ainda conta com o desconhecido Agente 23 (Dwayne Johnson-“The Rock”), “O Chefe” (Alan Larkin) e Siegfried (Terrence Stamp). The Rock está bem no papel e mostra mais uma vez que só precisa de um papel melhorzinho para decolar como o sucessor de Stallone e Schwarzenegger em filmes de ação, pois tem carisma e consegue ser engraçado como fica provado neste filme e em “Be Cool”. Então fica a dica para quem quiser passar 90 minutos no cinema dando boas risadas e sair aliviado de uma semana estressante ou simplesmente pelo prazer de relaxar. Agente 86 cumpre muito bem esse papel.

Intensidade da força: 7,5

O Incrível Hulk

Título Original – The Incredible Hulk
Título Nacional – O Incrível Hulk
Diretor – Louis Leterrier
Roteiro – Zack Penn/Edward Norton
Gênero – Ação/SCi-Fi
Ano – 2008

– Hulk esmaga…

Finalmente chegou ao cinema a versão que muitos queriam que tivesse sido a primeira versão de Hulk a estrear na telona e não aquela feita por Ang Lee em 2003. A questão é que o filme daquela época deixou uma impressão ruim no público que não simpatizou nenhum um pouco com o filme e, sem dúvidas, houve um certo exagero quanto as críticas em relação ao longa.

Deixando de lado aquele filme e falando do momento atual. Neste novo Hulk os fãs irão encontrar tudo que eles sempre sonharam num filme do verdão para o cinema. Muita ação, muita força bruta e lutas incríveis com o monstrão mais irado do mundo dos gibis (opiniões contrárias a parte…). Este Hulk conta com o talento de Edward Norton no papel principal (quem diria!) e Tim Roth como seu antagonista “O Abominável”, além de William Hurt como General Ross e Liv Tyler como a insossa paixão de Bruce Banner.

Apesar de durante as filmagens terem surgido boatos de que Norton teria até se desentendido com a Marvel quanto à forma que o filme seria conduzido, nota-se que dessa vez a decisão do estúdio foi mais inteligente e apropriada para o momento. Hulk tinha uma missão árdua pela frente. Conseguir desmistificar a péssima impressão deixada pelo título de 2003 e ainda conseguir manter uma toada do mesmo nível a dada por Homem de Ferro, que apesar de não ter sido feito com a idéia de ser o hit que foi, surpreendeu muitos e estourou nas bilheterias e na crítica. Para a sorte dos fãs do herói e dos fãs de filmes de ação o longa conseguiu tudo que se esperava. Não ficou no nível de Homem de Ferro, mas conseguiu chegar bem perto e é de se esperar que tenhamos continuações em seguida. Não seria de surpreender se a Marvel daqui a 2 semanas chegasse dizendo que irá gravar um novo Hulk num futuro próximo.

É fácil notar o porquê de tudo isso. Assim como em Homem de Ferro é visível e simples de se compreender o porquê de tudo isso. Como faz bem a Marvel estar tomando as rédeas de suas propriedades intelectuais também no mundo do cinema! É possível presenciar um tratamento muito mais sério aos personagens, uma abordagem muito mais fidedigna ao que se tem nos quadrinhos, pois o filme é feito por fãs para fãs. Claro que existem adaptações, mas não distorções como infelizmente vimos em outros títulos que ficaram nas mãos dos grandes estúdios que nada conhecem e pouco se importam com a essência dos personagens, mas apenas em como sugar alguns trocados com os mesmos.

Neste Hulk não temos uma nova história de “origem”, esta parte é pulada, sendo apenas apresentada de maneira bem rápida aos telespectadores por flashbacks logo no início. Isso dá mais espaço para que o longa se desenvolva com muita ação desde seu começo. Bruce Banner está no Brasil, na favela da Rocinha (sim, foi gravado aqui) tentando encontrar a “cura” para sua “condição verde”. Devido a um descuido, o exército americano descobre sua localização e o persegue até aqui, liderado por Emil Blonsky sob o comando do General Ross. E já no início temos Hulk em ação quebrando tudo e colocando os soldadinhos para correr. De volta aos EUA depois disso, Banner se reencontra com sua amada Betty Ross e vai tentar encontrar o Sr. Azul (Tim Blake Nelson), pesquisador que estaria tentando ajudá-lo a curar-se de sua “condição”.

Muita perseguição decorre durante estes momentos em que Bruce tenta encontrar o Sr. Azul que na verdade se chama Samuel Sterns e várias lutas eletrizantes muito bem articuladas ocorrem. Destaque especial para Tim Roth (Blonsky) que se deixa injetar com o soro do supersoldado (aquele que faz o Capitão América virar Capitão América!) e permite que ele tente lutar contra Hulk. Fanático por aquele poder Blonsky vai adiante com o soro e se deixa aplicar uma super dose que começa a provocar efeitos colaterais. Neste momento Bruce está perto de alcançar a cura, pois encontra o Samuel e este acredita saber como fazer isso. Porém este doutor também é meio louco e fica fascinado pelo poder que Bruce tem. Quando em contato com Blonsky, Samuel é forçado a injetá-lo com sangue de Bruce e isto o transforma no Abominável, destaque especial para o momento em que o próprio doutor também é “infectado” pelo sangue de Bruce, dando já o gancho para o vilão de uma possível continuação. Depois disso temos um embate fantástico entre Hulk e o Abominável. Luta ainda mais impressionante do que a de Homem de Ferro contra o Monge de Ferro coisa que parecia impensável. Babante!

Comentar sobre interpretação no filme é cair no lugar comum. Todos sabemos quem é Edward Norton. Ator notável de versatilidade rara e capacidade de interpretar ainda mais impressionante e em Hulk ele mais uma vez confirma o óbvio. Destaque também para Tim Roth como Blonsky/Abominável e para o General Ross (william Hurt). Liv Tyler não é uma Jennifer Connely, mas como o filme nos demais setores só ganhou, o fato de ter decaído neste ponto não interfere e Liv não compromete também. As cenas de ação são muito bem feitas, os efeitos especiais são de prima (abaixo de Homem de Ferro, mas ainda sim ótimos), este Hulk (animação) é muito melhor do que o primeiro, tem um “ar” mais real do que seu antecessor. Quanto ao roteiro temos várias menções aos quadrinhos, várias conexões de universos são insinuadas e uma que é uma realidade acontece no finzinho do filme e deixa todos com água na boca para o que o futuro nos reserva para a forma como a Marvel irá conduzir a idéia de “linkar” os universos dos heróis como faz nos quadrinhos. É uma idéia grandiosa e de difícil implementação, mas que dá seus primeiros passos de forma muito coordenada e bem feita.

O filme tem um saldo final excelente e deve ser visto seja por fãs do herói ou por fãs de filmes de ação. Tem um roteiro relativamente coeso, é visível que se queria ter dito mais no filme sobre a dualidade de Bruce e Hulk, mas a Marvel não permitiu e creio que fez bem com isso, pois focando na ação apagou a imagem ruim do filme passado e pavimentou o caminho para que numa continuação tenhamos um desenvolvimento mais fundo nesse sentido. Para finalizar, as menções ao seriado de TV estão lá inclusive com Lou Ferrigno participando do filme numa ponta bacanona e fazendo as poucas, mas marcantes falas de Hulk. “HULK ESMAGA!”

Intensidade da força: 8,5

As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian

Título Original – The Chronicles of Narnia: Prince Caspian
Título Nacional – As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian
Diretor – Andrew Adamson
Roteiro – Andrew Adamson/Christopher Markus
Gênero – Aventura/Ação/Fantasia
Ano – 2008

– De volta para Nárnia

Depois de 2 anos e meio o universo de Nárnia está de volta à telona e antenado, como sempre nas novidades, relato as impressões com relação a esta seqüência. O primeiro filme tinha a missão de contar a história do mundo de Nárnia e apresentar aos telespectadores os personagens principais da trama que é inspirada na obra de C.S Lewis que tem por fonte inspiradora nada mais, nada menos que J.R Tolkien (criador de Senhor dos Anéis). O que se pode esperar de semelhança? Muitas coisas. Nárnia é um mundo fantasioso em que temos seres mitológicos como centauros, anões, além de animais e plantas encantadas que falam. No primeiro filme tudo era muito mais bonito e ingênuo do que nesta seqüência. Isto se deve ao fato de que o primeiro livro conta uma história num momento em que Nárnia ainda era controlada pelos “narnianos”, diferentemente do que acontece neste filme.

No presente da trama deste novo longa temos Nárnia controlada pelos Temerianos (humanos) que há muito tempo chegaram em Nárnia e começaram uma guerra que terminou com a derrota dos “narnianos” e o controle daquele território.Por conta disso o mundo de Nárnia não é mais o mesmo. É mais sombrio, mais feroz e muito menos amistoso do que na época do primeiro filme. Na verdade se passaram mais de 1000 anos desde a vez em que o grupo de crianças que havia salvado Nárnia esteve lá. Muita coisa havia mudado neste meio tempo. Trazidos de volta pelo chamado de uma trompa mágica os heróis mirins (não mais tão mirins assim) voltam a terra que ajudaram a proteger no passado.

Nesta “nova Nárnia” os temerianos têm o controle e o príncipe Caspian é o sucessor direto do trono que está vago a espera que complete a idade para que possa assumi-lo (assim presumo, pois na verdade isso não é esclarecido diretamente no filme), mas seu tio Miraz (Sergio Castellito) pretende tomar o trono para si e com o nascimento de um herdeiro tem toda a condição de fazê-lo, bastando apenas dar um fim no “impecilho” que é o seu sobrinho. Avisado de última hora por seu tutor do plano contra si, Caspian foge do Castelo e descobre que os “narnianos” supostamente “extintos” na verdade estão escondidos na floresta conhecida pelos temerianos como “mal assombrada”.

Enquanto isso, o jovem grupo que está recém chegado em Nárnia ainda tenta se familiarizar com a estranha situação (não sabem eles que havia se passado tanto tempo). Composto pelos mesmos 4 jovens do primeiro longa; Peter (William Moseley), Lucy(Georgie Henley), Susan (Anna Popplewell) e Edmund (Skandar Keynes) se deparam com o príncipe Caspian, enquanto exploravam a “nova” Nárnia. Inteirando-se da situação e unindo forças com o recém formado exército liderado por Caspian os 4 reis (assim conhecidos pelos “narnianos”) buscam tentar o resgate da terra de Nárnia aos seus antigos donos. No começo, sem a ajuda do leão Aslam eles passam por muitas dificuldades, muito em conta pela disputa de Pedro e Caspian pela liderança do exército.

Como filme, este novo Nárnia está num patamar superior ao primeiro em quase todos os sentidos. É um filme mais dinâmico, com um roteiro mais coeso, porém que ainda precisa ter um corpo mais definido com relação a como conduz a história que se propõe a contar. Mesmo com suas quase 2h30min o filme consegue acabar sem explicar muitas coisas que são importantes para o bom entendimento da história e para quem não acompanhou os livros. Não é nada extremamente comprometedor, mas afeta o fluxo do longa. Nota-se que os atores amadureceram na forma de interpretar, mas ainda precisam evoluir mais para conseguirem convencer bem o público em toda a sua esfera de interpretação.

O ator escalado para interpretar o príncipe Caspian tem pouca empatia e não consegue se firmar bem como líder durante todo o filme, bem como o jovem Peter, não somente por seus personagens serem assim, mas falta mais expressão na interpretação, o mesmo problema afeta a irmã Susan (mais velha) e o irmão Edmund (mais novo, menos que os 2 primeiros) esse problema aflige menos a jovem Lucy, mas muito por conta do papel dado a ela do que por sua interpretação como atriz. Vejamos como ela irá se sair no próximo Nárnia, agendado para 2010 que será centrado nela e no irmão Edmund.

No mais, Crônicas de Nárnia e o Príncipe Caspian é um filme muito bom, mas pode não passar toda aquela boa impressão para alguns telespectadores que se deixarem iludir pela falsa impressão de que se trata de um filme de ação. Não se trata de um filme que quer ser um “Novo Senhor dos Anéis”, mas sim um filme de aventura com um enfoque diferente que tenta trazer boas doses de ação, fantasia, mas muito mais direcionado ao público jovem, por seu pano de fundo leve e pouco complexo do que um épico como Senhor dos Anéis. Não caindo nessa armadilha quem for assistir Nárnia poderá ter certeza que sairá muito satisfeito do cinema com um filme que agrega boas doses de aventura, ação, algumas de comédia, fantasia sem descambar para o excesso de ingenuidade ou complexidade. Um filme que evolui com relação ao primeiro e se consolida ainda mais como nova franquia forte do cinema atual.

Intensidade da força : 8,0