Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Título Original – Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull
Título Nacional – Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Diretor – Steven Spielberg
Roteiro – George Lucas/David Koepp
Gênero – Aventura/Ação
Ano – 2008

– E agora Harrison???

Será que Harrison Ford agüentou o retorno à franquia que mais marcou sua carreira? A resposta é sim. Com muito esforço Harrison Ford retorna em grande estilo como Indiana Jones e consegue manter-se com força durante todo o filme o que era uma das coisas mais difíceis e temerosas com relação ao mesmo antes do lançamento. Shia LaBeouf (Mutt Williams) dá o contraponto a um Indiana Jones mais velho e experiente e consegue provar mais uma vez que tem cancha para seguir no lugar de Harrison Ford caso o plano de formar uma nova Trilogia se confirme. Ao lado de Cate Blanchet (Irina Spalko) e Karen Allen (Marion Ravenwood) o filme conta com um ótimo elenco e todos fazem bem os papéis que lhe são dados. Obviamente Cate Blanchet e Harrison Ford estão num patamar superior (especialmente Cate), mas isso só abrilhanta mais o filme e não causa nenhum efeito negativo nos demais atores, pois todos estão muito bem.

O filme marca o retorno de Indiana Jones que estava mais calmo em suas aventuras desde sua última aparição em 1989. O filme começa já com Indiana se metendo em encrenca com os russos por conta de uma caixa que eles procuravam e acreditavam que Indiana soubesse como achar. Logo no começo já vemos como será o tom do filme, muita loucura, muita coisa surreal acontecendo e Indiana ainda agüentando um ou outro truque mais ousado com seu famoso chicote. Depois dessa abertura cheia de ação o filme dá uma parada e Indiana volta para a universidade e às suas aulas de arqueologia. No entanto essa “paz” acaba no momento que o jovem Mutt Williams chega a ele com a notícia de que uma velha amiga está em apuros e necessita de sua ajuda. Começa toda a caça por mais uma aventura, com direito a toda sorte de lenda e quebra-cabeças históricos malucos para se achar o lugar ao qual sua amiga se referia na carta.

Descoberto este segredo Indiana se depara mais uma vez com Cate Blanchet que no início do filme tinha sido a responsável pelo seu rapto na busca pela estranha caixa que continha uma múmia ainda mais estranha. Daí em diante é ação e muita loucura acontecendo na tela, com algumas cenas muito boas durante a seqüência de fuga de Indiana e seus amigos do acampamento russo na floresta em que sua amiga encontrava-se capturada. Lá Indiana também reencontra um outro amigo antigo, Professor Oxley (John Hurt) e o seu agora, não tão amigo Mac George (Ray Winstone) que passa toda a trama traindo Indiana e sua trupe.

A vilã da trama é interpretada por Cate Blanchet e aqui abro um parênteses para comentar do brilhantismo da melhor atriz da atualidade (minha opinião). Somente Cate conseguiria interpretar com tanta qualidade a fria e implacável Irina Spalko que também dá show nas cenas de ação, especialmente na luta com floretes contra Mutt Williams em cima de um jipe, pessoalmente considero a melhor cena do filme. A sequência de fuga do jipe é excelente e muito bem articulada, cheia da malabarismos e coisas loucas acontecendo numa cena muito divertida e até emocionante.

O que termina afetando negativamente Indiana Jones é a insistência de Spielberg em utilizar a temática de ET em seus filmes. Impressionante como ele não se cansa de repetir isso e coloca essa temática mais uma vez em Indiana o que termina dando um toque de surrealismo exagerado, pois ficou muito forçado e fora de contexto da temática proposta. Além disso o filme tem alguns erros de edição evidentes que são imperdoáveis para um filme que é dirigido por Steven Spielberg, roteirizado e produzido por George Lucas. Sem falar alguns momentos em que os cenários ficaram muito mal acabados dando uma sensação tosca de montagem, inadmissível em se tratando de nomes desse gabarito envolvidos.

O filme cumpre com muita qualidade a proposta que tenta provar. Que Indiana ainda pode viver hoje em dia e agradar muito a platéia. A intenção de manter a fórmula original sem mudar muita coisa dá certo e convence, talvez tenha sido por isso que se percebam alguns erros nos cenários? Proposital? Quem sabe. Poderia ser essa uma explicação bem plausível para tais erros. A impressão final é de que o filme consegue atingir seus objetivos: 1- Mostrar a despedida de Harrison Ford como Indiana Jones original; 2- inserir o jovem Shia LaBeouf na franquia como provável sucessor de Indiana em alguma possível seqüência; 3- reacender a chama dos velhos filmes de aventura que andavam sumidos nos últimos tempos, sem nenhum expoente de valor representando o gênero. Por fim fica aquela impressão de que o filme poderia ter sido melhor em alguns aspectos, poderia não ter insistido em algumas fórmulas que já não encontram tanto apelo hoje em dia ou não possuem a mesma força, ainda sim se trata de uma ótima pedida para quem era fã de Indiana ou curte filmes de aventura de caça tesouros históricos!

Intensidade da Força- 6,5

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