Quebrando a Banca

Título Original – 21
Título Nacional – Quebrando a Banca
Diretor – Robert Luketic
Roteiro – Peter Steinfeld/ Allan Loeb
Gênero – Comédia/Drama
Ano – 2008

-“21”. “Quebrando a Banca?”

Impressionante como os responsáveis pela escolha dos títulos dos filmes em território nacional podem ser tão desprovidos de criatividade em moldar os nomes dos filmes americanos para a nossa língua. Tudo bem, “21” seria um título pouco atraente ao público geral do nosso país, em especial àqueles que pouco contato tem com os jogos de cartas e suas mil e uma possibilidades. Agora de “21” para “Quebrando a Banca”, convenhamos que esta não foi a melhor das escolhas.

O filme é inspirado na história real de 6 estudantes do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) algo assemelhado ao nosso ITA (a grossíssimo modo). Estes garotos superdotados nas ciências exatas, em especial, são treinados para conseguirem burlar a mecânica do Blackjack (jogo de cartas famoso, especialmente nas mesas dos cassinos) contando os valores das cartas e conseguindo assim decifrar a mecânica de quanto apostar e em que momento, maximizando as chances e faturando milhares de dólares com isso.

O filme gira em torno dessa órbita o que é realmente curioso, divertido e interessante por se tratar de uma temática original e muito pouco usada em filmes. Poderia ter sido ainda melhor se tivessem tirado momentos piegas e clichês terríveis que atormentam o filme na sua metade final, abarcando dessa forma um resultado final muito mais compensatório. Nem por isso “Quebrando a Banca” deixa de ser um filme que cumpre bem seu papel, que é o de ser um filme despretensioso, que te renderá algumas horas de diversão sem maiores preocupações. Tipo de filme que agrada bastante o público.

“Quebrando a Banca” possui bons diálogos com momentos divertidos bem coordenados, (apesar de já repetidos em outros filmes que seguem a mesma linha de roteiro) um bom jogo de cena, interpretações de pouco destaque dos atores principais da trama, mas que não comprometem o pacote final, dando ao filme um esboço bem acabado e contornos com poucas arestas a serem aparadas.

O filme gira em torno do jovem estudante Ben Campbell (Jim Sturgess) que é dotado de rara inteligência em cálculos, além de conseguir manter a calma quase todo o tempo. Ele tem o sonho de prestar curso de medicina em Harvard, mas quer concorrer a bolsa de estudos, pois o curso tem um valor total estimado em US$300.000,00 (para quem não sabe Harvard é uma universidade particular). A questão é que várias pessoas com o mesmo perfil dele concorrem a essa bolsa (superdotados) e isso dificulta bastante as coisas. Enquanto ainda conclui seu curso no MIT ele é apresentado ao professor Micky Rosa (Kevin Spacey) que ao perceber a capacidade do jovem resolve recrutá-lo para participar de um grupo, juntamente com outros estudantes, a fim de “faturar uma grana” nos cassinos de Las Vegas explorando a brecha que o jogo de Blackjack possui, mas que só seria possível com a associação a outros estudantes com capacidades semelhantes.

Relutante, a princípio, o jovem cede ao ser “intimado” por uma charmosa integrante desse grupo, Jill Taylor (Kate Bosworth). Aceito o convite, o jovem Ben passa por todas as etapas de treinamento e iniciação providas pelo seu professor Micky Rosa que outrora também já realizara golpes do mesmo estilo em Las Vegas, mas havia se aposentado depois de ter faturado o “bastante” na “arte” da contagem.

Depois dessa parte o filme tem seu momento alto com as vitórias do grupo, o desfrute dos prazeres da vida em Vegas e muito dinheiro no bolso. Passada essa fase o filme que deveria acabar pouco depois disso (tendo um desfecho excelente se bem arquitetado pelos roteiristas e diretor). Termina caindo na armadilha dos clichês repetidos e momentos piegas. O primeiro deles é a fase prepotente que o ator principal passa ao começar a faturar com a “brincadeira”, deixando-se levar pelo jogo e vida extravagante, mas o auge dos momentos fracos do filme são as tentativas frustradas de dar um tom mais sério a trama que começa e ia muito bem seguindo a linha da comédia.

A partir do momento que “Quebrando a Banca” insiste em passar a imagem de filme sério (com tentativas frustradas de dramaticidade e romance) o filme perde seu brilho, inclusive com Kevin Spacey perdendo espaço na trama. Um dos motivos para a queda do filme é justamente esse. Kevin Spacey é personagem importante na primeira metade do filme, mas perde espaço continuamente, chegando a sumir completamente, retornando rapidamente próximo ao final para receber uma espécie de retribuição aos seus erros, agora, dos seus ex-pupilos. Uma pena, pois Spacey faz ótima interpretação com altas doses de humor negro e um cinismo a toda prova. Como se não bastasse, some-se o plágio cretino a filmes como 12 Homens e um Segredo e Italian Job nos momentos finais.

Visivelmente “Quebrando a Banca” é um filme que tenta alavancar a carreira do jovem ator Jim Sturgess e de Kate Bosworth, mas ainda não foi dessa vez que isso aconteceu. Os dois desempenham de forma muito rasa seus personagens e não passam muita química como par romântico, ambos são fracos nas cenas mais sérias do filme, motivo esse que marca o declínio do filme na sua segunda metade.

O filme ainda conta com Laurence Fishburne (Cole Williams) implacável chefe de uma empresa de segurança de alguns cassinos que se vê no fim da carreira e representa o “passado” na forma de conduzir essa segurança que passava ,naquele momento, por toda uma reformulação para um sistema mais computadorizado e menos sujeito às imperfeições humanas, aspecto esse levemente debatido quando esse chefe consegue detectar a fraude ao sistema do Blackjack que os jovens promoviam.

A participação de Fishburne é breve, mas marcante, de fato seu personagem é mais importante que muitos dos demais componentes do grupo. Isso também denota como o restante do elenco é novo e pouco experiente. A escolha de Kevin Spacey e Laurence Fishburne é adotada visivelmente para suprir a pouca fama dos demais e alavancar o interesse pelo filme (funcionou bem comigo!), bem como compensar eventuais deslizes de interpretação dos demais. Infelizmente isso funciona bem enquanto algum destes atores está na tela, pois no momento que a trama se centraliza naqueles que são designados como os protagonistas o que vemos é muita falta de afinamento com os respectivos personagens.

Apesar das falhas, “Quebrando a Banca” é um filme regular e até pode agradar muitos por ser de fácil entendimento, leve, com boas doses de comédia, (mesmo que meio batidas) uma temática nova e baseado numa história real o que adiciona ainda mais diversão ao filme por passar a imagem de como as pessoas são loucas e como histórias curiosas e surpreendentes podem acontecer. Vale a pena assistir, enquanto aguardamos o real começo do ano para o cinema em 2008 (que deverá ser dia 30 de abril). Até a próxima então…

Intensidade da força: 5,5

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