Juno

Título Original– Juno
Título Nacional – Juno
Diretor – Jason Reitman
Roteiro – Diablo Cody
Gênero – Comédia (?)/ Drama/ Romance
Ano- 2007

-Era uma vez…

Uma garotinha chamada Juno, uma adolescente estudando o ensino médio nos EUA, vivendo sua típica vidinha americana de adolescente desmiolado e sem objetivos na vida, até que… algo inesperado acontece. Uma gravidez.

Basicamente Juno é isso. Uma história comum, contada de um jeito comum, sem maquiagens ou requintes típicos de cinema. Esse é seu mérito, mas também seu pecado. Não há nada de tão especial em Juno. Este é aquele típico caso de filme que cai nas graças da crítica sem maiores motivos para isso, e em meio a tanto falatório do meio especializado as pessoas terminam sendo incutidas a assistir.

Confesso que não me empolguei em nenhum momento para assistir à película. Decidi fazê-lo apenas porque escrevo sobre isso e seria um pecado não ter assistido a um filme tão badalado, mas fui ao cinema sem qualquer expectativa em cima do filme e assim saí de lá.

Mais uma vez, não há nada de especial em Juno, inclusive é uma tremenda injustiça da crítica compará-lo a Pequena Miss Sunshine (filme independente sensação do último ano, no caso 2006). Pequena Miss Sunshine, além de contar com personagens extremamente carismáticos (coisa que Juno, sem dúvida alguma não possui), conta também com interpretações muito mais interessantes e bem caracterizadas do que Juno.

Os dois filmes se assemelham apenas por tratarem de contar história de pessoas comuns em situações marcantes, trazendo à tona dilemas familiares e outras questões de relacionamento. Neste ponto Pequena Miss Sunshine é muito mais comédia que Juno. Não consegui sorrir uma vez em Juno em meio aquele monte de palavrões e gírias ridículas que a adolescência americana aprendeu a falar. Todavia, Juno tem a ressalva de contar uma história comum que se repete cada vez mais no mundo de hoje sem quaisquer maquiagens ou “floreamentos” e o conduz muito bem até o final.

Faz com muito boa qualidade uma representação da adolescência vazia americana, mas meio que demonstra a realidade dos adolescentes de classe média do mundo Ocidental. Pessoas sem perspectivas, extremamente egoístas e ignorantes da realidade circundante. Nesse ponto o personagem representado pela atriz Ellen Page é o retrato perfeito de tudo isso. Não consegue perceber a importância de um filho (tratando inclusive como “coisa” em muitos momentos do filme que são pessimamente traduzidos para o português nas legendas, talvez até para não assustar os telespectadores) na vida de uma pessoa nem o verdadeiro significado daquela vida. A fuga da realidade e a recusa em amadurecer, preferindo o caminho mais fácil de entregar o filho à outra pessoa (melhor que abandonar, concordo) do que assumir as responsabilidades de seu ato e criar este filho, assumindo toda a carga de responsabilidade disso.

Neste ponto Juno é perfeito e muito disso se deve ao roteiro da ex-stripper Diablo Cody, todavia como ela mesmo reportou quando perguntada a respeito da euforia em cima de seu roteiro, não via o porque de tamanho estardalhaço e se considerava mais uma sortuda do que realmente competente. Esperta na resposta e humilde ao mesmo tempo, Diablo Cody de fato não quis admitir duas coisas: 1- O fato de seu roteiro não ter nada de original, por contar uma história cotidiana vivida por milhões de pessoas diariamente; 2- Saber medir suas palavras para que não parecesse que desmerecia aos críticos e ao mesmo tempo valorizar sua própria obra.

Fato é que o roteiro de Cody tem o mérito de conseguir manter a teia da história muito bem tecida por todo o tempo, conseguindo dar a um filme com premissa medíocre, uma boa continuidade, com boas interpretações do elenco (até mesmo Jennifer Garner está tragável no filme). Claro que isso também se deve ao bom diretor Jason Reitman.

Ellen Page encarna muito bem o papel e por conta disso mereceu sua primeira indicação ao Oscar, mas não que sua interpretação tenha sido fabulosa, mas há de se destacar que ela conseguiu manter muito bem o ritmo do personagem e a forma de portar-se do mesmo. Ponto para ela nesse quesito. Uma indicação merecida, mas longe de assustar seja Cate Blanchet, seja Marion Cotillard.

Com tudo que falei pode até ter parecido que Juno é um filme ruim. Longe disso! Não é de forma alguma, mas tampouco pode ser comparado a Pequena Miss Sunshine ou ter sido motivo de tanto alarde como foi. É um filme bom, nada mais que isso e muito desse “bom” se deve mais ao roteiro bem encadeado e as boas interpretações, aliado a uma direção segura, do que a história que o filme conta ou a forma com ele a conta (nada cômica, como a crítica insistiu em passar adiante). Juno é aquele típico caso em que a crítica famosa resolve abraçar pelo simples fato de ser um filme independente, assim como é capaz de escrachar outros bons filmes pelo simples fato de serem blockbusters. Vai entender. Eu fico com minha opinião. E vocês o que acham?

Intensidade da força: 7,0

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