Elizabeth: A Era de Ouro

Bom, enquanto não temos novos filmes, posto mais esses dois.
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Título Original: Elizabet: The Golden Age
Título Nacional: Elizabeth: A Era de Ouro
Diretor: Shekkar Kapur
Roteiro: William Nicholson/Michael Hirst
Gênero: Biografia/Drama
Ano: 2007

-Elizabeth na “flor da idade” :

Essa é a primeira impressão que se pode ter do filme ao ver a bela Cate Blanchet interpretando a implacável rainha Elizabeth. Por incrível que pareça a atriz realmente relembra demais a rainha inglesa, inclusive durante o começo do filme podemos ver um retrato (quadro) da rainha em percebe-se o quão parecida Cate Blanchet é com a original. Talvez por isso seja o segundo filme da atriz interpretando a mesma personagem. Dessa vez Elizabeth vive no momento chave para a Grã Betanha em que o país se encontra numa situação delicada, pois a Europa vive um momento conturbado devido a revolta protestante.

Associe-se à isso o fato da Espanha estar vivendo o seu melhor momento histórico por estar dominando a América do Sul com suas campanhas marítimas bem sucedidas. Por que Espanha é uma ameaça a Grã Betanha? Porque a Espanha era contra a revolta protestante (católica tradicional), enquanto a Inglaterra tinha uma postura de tolerância quanto a a coexistência das duas crenças. Isso causava irritação profunda na Espanha. Sem falar que seria um bom pretexto para dominar um inimigo poderoso naquele momento de fragilidade. A desculpa da religião seria o álibi perfeito para se inciar uma guerra.

Em meio a toda esta turbulência externa a Grã Betanha ainda contava com intrigas internas de poder (típicas de regimes monárquicos da época) contribuindo para dissipar ainda mais as forças inglesas, tendo que se preocupar com possíveis atentados à rainha. Some-se a isso, por último, o fato da Grã Betanha estar num momento de impasse econômico, com reservas de riquezas baixas o que trazia ainda mais preocupações.

Feita a análise histórica (a “grossíssimo” modo! EHEH) partamos para o filme propriamente dito. De fato, o filme é cercado pela interpretação impecável de Cate Blanchet (mais uma vez) que não se cansa em nos regozijar com personificações fortes e marcantes em grande parte dos papéis que se propõe a encarar. Ela faz uma Elizabeth humana que vive o dilema de ser uma rainha e por isso ter que tolir seus sentimentos mais comuns, pois isso poderia demonstrar fraqueza aos inimigos. Mostra que nem sempre é fácil estar no poder. Mais do que nunca a frase ;-” O mais díficil é se manter no poder”- faz ainda mais sentido ao assistirmos Elizabeth. Tão boa foi sua interpretação que isso lhe valeu a dupla indicação ao Oscar, juntamente com Bob Dylan nas categorias de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante. Não tive o prazer de assistir a Bob Dylan ainda, mas com certeza deve ter merecido essa indicação tanto quanto fez por merecer em Elizabeth. Blanchet consegue balancear os momentos de fragilidade do personagem com os ímpetos de fúria e capricho de uma aristocrata, como poucas atrizes conseguem ou conseguiriam fazer.

Em contrapartida, temos um filme tecnicamente fraco, não é que Elizabeth: A Era de Ouro cometa falhas técnicas perceptíveis ou muito marcantes, mas não há nada que o destaque, até mesmo o figurino foi contestado por muitos críticos, categoria na qual o filme ganhou o Oscar. Particularmente achei normal a vitória, não é que os figurinos não sejam bonitos (na verdade são. A armadura que Blanchet usa nas cenas de batalha é muito linda!), mas não são totalmente verossímeis à época, além disso concorriam com o filme outros candidatos, senão iguais, um pouco melhor que o próprio Elizabeth (Ex: Sweeney Todd). Ainda assim foi um Oscar relativamente merecido.

As demais caracterizações de personagens não são ruins. Geoffrey Rush (Francis) e Clive Owen (Walter) cumprem bem seus papéis, mesmo que não tenham sido interpretações das mais inspiradas (especialmente Owen). Me reservo a não comentar sobre o aspecto dramalhão que o filme assume ao tratar do “romance” da Rainha com Walter, até porque é algo que não tem devida comprovação, apenas relatos esparsos contados de formas diferentes de acordo com a visão de cada biógrafo que escreveu sobre a rainha. O maior pecado de Elizabeth é a falta de ação e o foco exagerado nessa trama romântica retirando um maior brilho que o filme poderia ter. Um filme que facilmente poderia ter sido muito bom, é apenas bom.

Ainda assim vale à pena ser assistido.

Intensidade da Força: 7,5.

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