AKIRA

Mudando um pouco a tônica dos comentários do blog, resolvi homenagear aquela que é considerada por muitos a maior obra em longa metragem de animação de todos os tempos.

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Título OriginalAkira
Título NacionalAkira
DiretorKatsuhiro Ôtomo
RoteiroKatsuhiro Ôtomo/Izô Hashimoto
Ano – 1988

– 20 Anos de Akira
Akira foi um marco para sua época e continua até hoje com uma legião de fãs que insistem em manter sua fidelidade à grande obra de Katsuhiro Ôtomo. Publicado em parceria com a Marvel no Ocidente, Akira foi um dos responsáveis pela explosão de fãs de animação por estes lados, especialmente a animação japonesa (tratada por aqui por animê). A questão é que Akira difere em muito dos outros representantes do gênero, não só por ser apenas um longa metragem, mas por apresentar uma abordagem bem distinta dos seus irmãos (Dragon Ball, Cavaleiros, Yu Yu Hakusho e outros animês famosos). Katsuhiro não segue a mesma linha de desenho dos autores desses animês apontados. A sua linha é muito mais séria e realista, cada personagem tem sua própria feição, sem muita caricatura, algo mais assemelhado à realidade do que os demais representantes de animê costumam realizar. Não vemos em Akira personagem com olhões, peitões e traços exagerados, tudo é muito sóbrio e busca representar o que cada indivíduo realmente é e não uma assemelhação ao ocidental.

Os autores de outros animes reportam que utilizam traços exagerados normalmente por ser mais fácil destacar emoção em olhos grandes do que nos tradicionais olhos “puxados” dos orientais, além disso comentam que é mais fácil destacar as diferenças entre os personagens utilizando tais recursos do que buscando um retrato do seu próprio povo. Há também o caráter comercial nisso tudo, pois é bem claro que fica muito mais fácil retratar personagens ocidentalizados para um público ocidental do que o retrato do povo oriental. Esse é um método que permite a maior penetração dos animes no ocidente e tem sem mostrado bastante eficaz até hoje.

Todavia, Akira, Cowboy Bebop, Gost in The Shell, Metropolis (um pouco menos) estão aí para provarem o contrário. Que é possível sim fazer sucesso e manter um traço de desenho coerente para cada personagem e não apresentar uma variação mínima entre um e outro como cor de cabelo ou formato do mesmo.

Deixando essa parte mais técnica de lado, o que na verdade não importa muito, pois todos os animes tem seu mérito seja por um motivo ou por outro. O que interessa é que Akira está chegando a idade adulta e mostra que continua muito forte também aqui no Brasil. Foi feita uma nova tiragem do sucesso de animação com opção a uma Edição de Colecionador (para quem quisesse pagar mais) e uma outra versão normal com o DVD do filme tradicional. Nessa Ed. de Colecionador temos o conteúdo composto por duas versões do filme (tradicional da época do lançamento e uma remasterizada e em widescreen), cada versão com seus extras e melhorias, some-se a isso uma camiseta com o logotipo do filme, um poster e alguns cartões. Realmente uma peça que não pode faltar à coleção de alguém que é fã do clássico.

Akira conta a história da cidade de Tóquio algumas décadas depois de ter sido devastada por uma explosão que alguns acreditavam ter sido por conta da terceira guerra mundial e outros por ter sido obra “divina”. No ano de 2019 (cerca de 30 anos após a explosão) temos uma nova Tóquio (Neo Tóquio) recuperada fisicamente do desastre, mas abalada por revoltas civis e caos generalizado em suas ruas, tudo por obra de um crescimento desorganizado patrocinado com muito dinheiro e sem muita preocupação com a sociedade. Nesse mundo caótico está a gangue de Kaneda (personagem dos posteres e capas do filme) que vive badernando pela cidade juntamente com os demais componentes do grupo. Durante uma dessas arruaças a gangue se depara com um estranho jovem que causa um acidente com um dos componentes da gangue de Kaneda, Tetsuo(amigo de Kaneda), a partir daí começa toda uma série de eventos que culminam com a descoberta de que o exército estava por trás de pesquisas com humanos com poderes psíquicos altamente desenvolvidos e que Tetsuo havia despertado este poder no contato com o estranho jovem.

Enquanto isso, Kaneda continua se metendo em confusão e tentando entender o motivo do sumiço de seu amigo, envolve-se com uma jovem (Kei) e acidentalmente termina se aliando a um grupo que está tentando se infiltrar nestas pesquisas e roubar os resultados e cobaias (jovens) da mesma. Muita ação envolve a trama, com críticas à política, à sociedade, ao capitalismo, as pesquisas científicas inescrupulosas. Akira não é uma animação comum justamente por isso. Além da plástica que envolve o longa (há muito apuro técnico na condução do longa) com excelente animação, muito atenta aos detalhes, há uma preocupação com o aspecto crítico da história sempre ligado para não deixar o filme cair na futilidade.

Por tudo isso Akira transcende seu tempo como uma obra genial que sempre estará em alta, seja por sua excelente qualidade de animação (que impressiona até hoje) seja pela história extremamente atual, pois na verdade a história de Akira trata do ser humano e de seus defeitos e não apenas um desenho bobo sem maiores pretensões. Ao assistir da primeira vez provavelmente você não conseguirá captar tudo do filme. É recomendado mais uma ou 2 passadas para poder conseguir tirar tudo que é possível desse incrível desenho.

Akira conseguiu o que muitos filmes tradicionais não conseguiram: Entrar para história, marcar. Pode até ser que alguns não gostem, que alguns não entendam porquê de tanto fervor em torno do filme, mas hão de reconhecer que não é uma obra qualquer, não se trata de apenas mais uma grande animação, que por trás da violência e do sangue em excesso existe toda uma lógica e motivação. O roteiro é muito coeso e não se perde em nenhum momento, tudo é muito bem programado e articulado para ser composto no tempo preciso da forma certa. Por estas e outras que desejamos o nosso parabéns a AKIRA e que mais outros 20 anos venham e possamos estar aqui para homenageá-lo quantas vezes forem necessárias.

Intensidade da Força: 10

Quebrando a Banca

Título Original – 21
Título Nacional – Quebrando a Banca
Diretor – Robert Luketic
Roteiro – Peter Steinfeld/ Allan Loeb
Gênero – Comédia/Drama
Ano – 2008

-“21”. “Quebrando a Banca?”

Impressionante como os responsáveis pela escolha dos títulos dos filmes em território nacional podem ser tão desprovidos de criatividade em moldar os nomes dos filmes americanos para a nossa língua. Tudo bem, “21” seria um título pouco atraente ao público geral do nosso país, em especial àqueles que pouco contato tem com os jogos de cartas e suas mil e uma possibilidades. Agora de “21” para “Quebrando a Banca”, convenhamos que esta não foi a melhor das escolhas.

O filme é inspirado na história real de 6 estudantes do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) algo assemelhado ao nosso ITA (a grossíssimo modo). Estes garotos superdotados nas ciências exatas, em especial, são treinados para conseguirem burlar a mecânica do Blackjack (jogo de cartas famoso, especialmente nas mesas dos cassinos) contando os valores das cartas e conseguindo assim decifrar a mecânica de quanto apostar e em que momento, maximizando as chances e faturando milhares de dólares com isso.

O filme gira em torno dessa órbita o que é realmente curioso, divertido e interessante por se tratar de uma temática original e muito pouco usada em filmes. Poderia ter sido ainda melhor se tivessem tirado momentos piegas e clichês terríveis que atormentam o filme na sua metade final, abarcando dessa forma um resultado final muito mais compensatório. Nem por isso “Quebrando a Banca” deixa de ser um filme que cumpre bem seu papel, que é o de ser um filme despretensioso, que te renderá algumas horas de diversão sem maiores preocupações. Tipo de filme que agrada bastante o público.

“Quebrando a Banca” possui bons diálogos com momentos divertidos bem coordenados, (apesar de já repetidos em outros filmes que seguem a mesma linha de roteiro) um bom jogo de cena, interpretações de pouco destaque dos atores principais da trama, mas que não comprometem o pacote final, dando ao filme um esboço bem acabado e contornos com poucas arestas a serem aparadas.

O filme gira em torno do jovem estudante Ben Campbell (Jim Sturgess) que é dotado de rara inteligência em cálculos, além de conseguir manter a calma quase todo o tempo. Ele tem o sonho de prestar curso de medicina em Harvard, mas quer concorrer a bolsa de estudos, pois o curso tem um valor total estimado em US$300.000,00 (para quem não sabe Harvard é uma universidade particular). A questão é que várias pessoas com o mesmo perfil dele concorrem a essa bolsa (superdotados) e isso dificulta bastante as coisas. Enquanto ainda conclui seu curso no MIT ele é apresentado ao professor Micky Rosa (Kevin Spacey) que ao perceber a capacidade do jovem resolve recrutá-lo para participar de um grupo, juntamente com outros estudantes, a fim de “faturar uma grana” nos cassinos de Las Vegas explorando a brecha que o jogo de Blackjack possui, mas que só seria possível com a associação a outros estudantes com capacidades semelhantes.

Relutante, a princípio, o jovem cede ao ser “intimado” por uma charmosa integrante desse grupo, Jill Taylor (Kate Bosworth). Aceito o convite, o jovem Ben passa por todas as etapas de treinamento e iniciação providas pelo seu professor Micky Rosa que outrora também já realizara golpes do mesmo estilo em Las Vegas, mas havia se aposentado depois de ter faturado o “bastante” na “arte” da contagem.

Depois dessa parte o filme tem seu momento alto com as vitórias do grupo, o desfrute dos prazeres da vida em Vegas e muito dinheiro no bolso. Passada essa fase o filme que deveria acabar pouco depois disso (tendo um desfecho excelente se bem arquitetado pelos roteiristas e diretor). Termina caindo na armadilha dos clichês repetidos e momentos piegas. O primeiro deles é a fase prepotente que o ator principal passa ao começar a faturar com a “brincadeira”, deixando-se levar pelo jogo e vida extravagante, mas o auge dos momentos fracos do filme são as tentativas frustradas de dar um tom mais sério a trama que começa e ia muito bem seguindo a linha da comédia.

A partir do momento que “Quebrando a Banca” insiste em passar a imagem de filme sério (com tentativas frustradas de dramaticidade e romance) o filme perde seu brilho, inclusive com Kevin Spacey perdendo espaço na trama. Um dos motivos para a queda do filme é justamente esse. Kevin Spacey é personagem importante na primeira metade do filme, mas perde espaço continuamente, chegando a sumir completamente, retornando rapidamente próximo ao final para receber uma espécie de retribuição aos seus erros, agora, dos seus ex-pupilos. Uma pena, pois Spacey faz ótima interpretação com altas doses de humor negro e um cinismo a toda prova. Como se não bastasse, some-se o plágio cretino a filmes como 12 Homens e um Segredo e Italian Job nos momentos finais.

Visivelmente “Quebrando a Banca” é um filme que tenta alavancar a carreira do jovem ator Jim Sturgess e de Kate Bosworth, mas ainda não foi dessa vez que isso aconteceu. Os dois desempenham de forma muito rasa seus personagens e não passam muita química como par romântico, ambos são fracos nas cenas mais sérias do filme, motivo esse que marca o declínio do filme na sua segunda metade.

O filme ainda conta com Laurence Fishburne (Cole Williams) implacável chefe de uma empresa de segurança de alguns cassinos que se vê no fim da carreira e representa o “passado” na forma de conduzir essa segurança que passava ,naquele momento, por toda uma reformulação para um sistema mais computadorizado e menos sujeito às imperfeições humanas, aspecto esse levemente debatido quando esse chefe consegue detectar a fraude ao sistema do Blackjack que os jovens promoviam.

A participação de Fishburne é breve, mas marcante, de fato seu personagem é mais importante que muitos dos demais componentes do grupo. Isso também denota como o restante do elenco é novo e pouco experiente. A escolha de Kevin Spacey e Laurence Fishburne é adotada visivelmente para suprir a pouca fama dos demais e alavancar o interesse pelo filme (funcionou bem comigo!), bem como compensar eventuais deslizes de interpretação dos demais. Infelizmente isso funciona bem enquanto algum destes atores está na tela, pois no momento que a trama se centraliza naqueles que são designados como os protagonistas o que vemos é muita falta de afinamento com os respectivos personagens.

Apesar das falhas, “Quebrando a Banca” é um filme regular e até pode agradar muitos por ser de fácil entendimento, leve, com boas doses de comédia, (mesmo que meio batidas) uma temática nova e baseado numa história real o que adiciona ainda mais diversão ao filme por passar a imagem de como as pessoas são loucas e como histórias curiosas e surpreendentes podem acontecer. Vale a pena assistir, enquanto aguardamos o real começo do ano para o cinema em 2008 (que deverá ser dia 30 de abril). Até a próxima então…

Intensidade da força: 5,5

Juno

Título Original– Juno
Título Nacional – Juno
Diretor – Jason Reitman
Roteiro – Diablo Cody
Gênero – Comédia (?)/ Drama/ Romance
Ano- 2007

-Era uma vez…

Uma garotinha chamada Juno, uma adolescente estudando o ensino médio nos EUA, vivendo sua típica vidinha americana de adolescente desmiolado e sem objetivos na vida, até que… algo inesperado acontece. Uma gravidez.

Basicamente Juno é isso. Uma história comum, contada de um jeito comum, sem maquiagens ou requintes típicos de cinema. Esse é seu mérito, mas também seu pecado. Não há nada de tão especial em Juno. Este é aquele típico caso de filme que cai nas graças da crítica sem maiores motivos para isso, e em meio a tanto falatório do meio especializado as pessoas terminam sendo incutidas a assistir.

Confesso que não me empolguei em nenhum momento para assistir à película. Decidi fazê-lo apenas porque escrevo sobre isso e seria um pecado não ter assistido a um filme tão badalado, mas fui ao cinema sem qualquer expectativa em cima do filme e assim saí de lá.

Mais uma vez, não há nada de especial em Juno, inclusive é uma tremenda injustiça da crítica compará-lo a Pequena Miss Sunshine (filme independente sensação do último ano, no caso 2006). Pequena Miss Sunshine, além de contar com personagens extremamente carismáticos (coisa que Juno, sem dúvida alguma não possui), conta também com interpretações muito mais interessantes e bem caracterizadas do que Juno.

Os dois filmes se assemelham apenas por tratarem de contar história de pessoas comuns em situações marcantes, trazendo à tona dilemas familiares e outras questões de relacionamento. Neste ponto Pequena Miss Sunshine é muito mais comédia que Juno. Não consegui sorrir uma vez em Juno em meio aquele monte de palavrões e gírias ridículas que a adolescência americana aprendeu a falar. Todavia, Juno tem a ressalva de contar uma história comum que se repete cada vez mais no mundo de hoje sem quaisquer maquiagens ou “floreamentos” e o conduz muito bem até o final.

Faz com muito boa qualidade uma representação da adolescência vazia americana, mas meio que demonstra a realidade dos adolescentes de classe média do mundo Ocidental. Pessoas sem perspectivas, extremamente egoístas e ignorantes da realidade circundante. Nesse ponto o personagem representado pela atriz Ellen Page é o retrato perfeito de tudo isso. Não consegue perceber a importância de um filho (tratando inclusive como “coisa” em muitos momentos do filme que são pessimamente traduzidos para o português nas legendas, talvez até para não assustar os telespectadores) na vida de uma pessoa nem o verdadeiro significado daquela vida. A fuga da realidade e a recusa em amadurecer, preferindo o caminho mais fácil de entregar o filho à outra pessoa (melhor que abandonar, concordo) do que assumir as responsabilidades de seu ato e criar este filho, assumindo toda a carga de responsabilidade disso.

Neste ponto Juno é perfeito e muito disso se deve ao roteiro da ex-stripper Diablo Cody, todavia como ela mesmo reportou quando perguntada a respeito da euforia em cima de seu roteiro, não via o porque de tamanho estardalhaço e se considerava mais uma sortuda do que realmente competente. Esperta na resposta e humilde ao mesmo tempo, Diablo Cody de fato não quis admitir duas coisas: 1- O fato de seu roteiro não ter nada de original, por contar uma história cotidiana vivida por milhões de pessoas diariamente; 2- Saber medir suas palavras para que não parecesse que desmerecia aos críticos e ao mesmo tempo valorizar sua própria obra.

Fato é que o roteiro de Cody tem o mérito de conseguir manter a teia da história muito bem tecida por todo o tempo, conseguindo dar a um filme com premissa medíocre, uma boa continuidade, com boas interpretações do elenco (até mesmo Jennifer Garner está tragável no filme). Claro que isso também se deve ao bom diretor Jason Reitman.

Ellen Page encarna muito bem o papel e por conta disso mereceu sua primeira indicação ao Oscar, mas não que sua interpretação tenha sido fabulosa, mas há de se destacar que ela conseguiu manter muito bem o ritmo do personagem e a forma de portar-se do mesmo. Ponto para ela nesse quesito. Uma indicação merecida, mas longe de assustar seja Cate Blanchet, seja Marion Cotillard.

Com tudo que falei pode até ter parecido que Juno é um filme ruim. Longe disso! Não é de forma alguma, mas tampouco pode ser comparado a Pequena Miss Sunshine ou ter sido motivo de tanto alarde como foi. É um filme bom, nada mais que isso e muito desse “bom” se deve mais ao roteiro bem encadeado e as boas interpretações, aliado a uma direção segura, do que a história que o filme conta ou a forma com ele a conta (nada cômica, como a crítica insistiu em passar adiante). Juno é aquele típico caso em que a crítica famosa resolve abraçar pelo simples fato de ser um filme independente, assim como é capaz de escrachar outros bons filmes pelo simples fato de serem blockbusters. Vai entender. Eu fico com minha opinião. E vocês o que acham?

Intensidade da força: 7,0

Elizabeth: A Era de Ouro

Bom, enquanto não temos novos filmes, posto mais esses dois.
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Título Original: Elizabet: The Golden Age
Título Nacional: Elizabeth: A Era de Ouro
Diretor: Shekkar Kapur
Roteiro: William Nicholson/Michael Hirst
Gênero: Biografia/Drama
Ano: 2007

-Elizabeth na “flor da idade” :

Essa é a primeira impressão que se pode ter do filme ao ver a bela Cate Blanchet interpretando a implacável rainha Elizabeth. Por incrível que pareça a atriz realmente relembra demais a rainha inglesa, inclusive durante o começo do filme podemos ver um retrato (quadro) da rainha em percebe-se o quão parecida Cate Blanchet é com a original. Talvez por isso seja o segundo filme da atriz interpretando a mesma personagem. Dessa vez Elizabeth vive no momento chave para a Grã Betanha em que o país se encontra numa situação delicada, pois a Europa vive um momento conturbado devido a revolta protestante.

Associe-se à isso o fato da Espanha estar vivendo o seu melhor momento histórico por estar dominando a América do Sul com suas campanhas marítimas bem sucedidas. Por que Espanha é uma ameaça a Grã Betanha? Porque a Espanha era contra a revolta protestante (católica tradicional), enquanto a Inglaterra tinha uma postura de tolerância quanto a a coexistência das duas crenças. Isso causava irritação profunda na Espanha. Sem falar que seria um bom pretexto para dominar um inimigo poderoso naquele momento de fragilidade. A desculpa da religião seria o álibi perfeito para se inciar uma guerra.

Em meio a toda esta turbulência externa a Grã Betanha ainda contava com intrigas internas de poder (típicas de regimes monárquicos da época) contribuindo para dissipar ainda mais as forças inglesas, tendo que se preocupar com possíveis atentados à rainha. Some-se a isso, por último, o fato da Grã Betanha estar num momento de impasse econômico, com reservas de riquezas baixas o que trazia ainda mais preocupações.

Feita a análise histórica (a “grossíssimo” modo! EHEH) partamos para o filme propriamente dito. De fato, o filme é cercado pela interpretação impecável de Cate Blanchet (mais uma vez) que não se cansa em nos regozijar com personificações fortes e marcantes em grande parte dos papéis que se propõe a encarar. Ela faz uma Elizabeth humana que vive o dilema de ser uma rainha e por isso ter que tolir seus sentimentos mais comuns, pois isso poderia demonstrar fraqueza aos inimigos. Mostra que nem sempre é fácil estar no poder. Mais do que nunca a frase ;-” O mais díficil é se manter no poder”- faz ainda mais sentido ao assistirmos Elizabeth. Tão boa foi sua interpretação que isso lhe valeu a dupla indicação ao Oscar, juntamente com Bob Dylan nas categorias de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante. Não tive o prazer de assistir a Bob Dylan ainda, mas com certeza deve ter merecido essa indicação tanto quanto fez por merecer em Elizabeth. Blanchet consegue balancear os momentos de fragilidade do personagem com os ímpetos de fúria e capricho de uma aristocrata, como poucas atrizes conseguem ou conseguiriam fazer.

Em contrapartida, temos um filme tecnicamente fraco, não é que Elizabeth: A Era de Ouro cometa falhas técnicas perceptíveis ou muito marcantes, mas não há nada que o destaque, até mesmo o figurino foi contestado por muitos críticos, categoria na qual o filme ganhou o Oscar. Particularmente achei normal a vitória, não é que os figurinos não sejam bonitos (na verdade são. A armadura que Blanchet usa nas cenas de batalha é muito linda!), mas não são totalmente verossímeis à época, além disso concorriam com o filme outros candidatos, senão iguais, um pouco melhor que o próprio Elizabeth (Ex: Sweeney Todd). Ainda assim foi um Oscar relativamente merecido.

As demais caracterizações de personagens não são ruins. Geoffrey Rush (Francis) e Clive Owen (Walter) cumprem bem seus papéis, mesmo que não tenham sido interpretações das mais inspiradas (especialmente Owen). Me reservo a não comentar sobre o aspecto dramalhão que o filme assume ao tratar do “romance” da Rainha com Walter, até porque é algo que não tem devida comprovação, apenas relatos esparsos contados de formas diferentes de acordo com a visão de cada biógrafo que escreveu sobre a rainha. O maior pecado de Elizabeth é a falta de ação e o foco exagerado nessa trama romântica retirando um maior brilho que o filme poderia ter. Um filme que facilmente poderia ter sido muito bom, é apenas bom.

Ainda assim vale à pena ser assistido.

Intensidade da Força: 7,5.

Tempo Parado, mas voltando!

Antes de tudo gostaria de pedir desculpas aos que já visitaram este blog e que ultimamente não viram novidades. Bom, eu estava sem PC há um bom tempo e escrevia da casa da namorada nos fins de semana, mas finalmente estou com o PC ok em minha casa e poderei atualizar o blog com mais vigor.

Desculpe o sumiço longo, mas além da escassez de filmes atualmente houve mais este percalço.

Abraços e estamos de volta! POWER!!!