Jogos do poder

Título Original – Charlie Wilson’s War
Título Nacional – Jogos de Poder
Diretor – Mike Nichols
Gênero – Biografia
Ano -2007

– A guerra de Charlie?

Sob o título de “Jogos de Poder” (?) estreou no Brasil semana passada o filme que conta a história do congressista Charlie Wilson apontado nesta trama como arquiteto da derrota da União Soviética para os afegãos na guerra empreendida pelos russos ao Afeganistão.

Num filme desse tipo (que conta a história de alguém) pouco se pode falar sobre o enfoque sob o qual se desenrola o filme, mas a sensação que fica é que Jogos de Poder poderia ter sido mais feliz na forma como conta a história.

Charlie Wilson (Tom Hanks) é um congressista bon vivant que tem como principal ponto no currículo o fato de ter sido reeleito 5 vezes até o momento em que a história começa a ser contada. Adepto de uma vida burguesa e ligada aos “prazeres da carne”, Charlie lembra ,até certo ponto, os políticos do nosso país. Faz pouco e usufrui muito do seu status, mas tudo isso muda quando a socialite do Estado do Texas Joanne Herring (Julia Roberts) faz uma proposta a Charlie para que ele ajude a acabar com a guerra no Afeganistão. Utilizando seu charme e sua astúcia (transparece que ela sabe de alguns podres do congressista) ela conduz Charlie a um encontro com o presidente do Afeganistão para que ele se clarifique da situação. Lá chegando, ele se depara com a dura realidade da guerra e se sensibiliza com tudo aquilo, fato este que mudará a vida de Charlie e no final influenciará todo o mundo que conhecíamos.

Este é o ponto alto do filme que é tratado de uma forma mansa e tranqüila, sem exageros ou situações forçadas, que é como certos eventos podem mudar a vida das pessoas e o poder que as pessoas têm de mudar o mundo ao se redor se realmente se dispuserem a isso. Esta é a beleza da história de Charlie Wilson.

Juntando-se ao responsável pela divisão da CIA que cuida das operações no Afeganistão Gust Avrakotos (Philip Seymour Hoffman), Charlie cria todo um plano que consistia em arrecadar dinheiro de forma oblíqua de países inimigos do Afeganistão para que custeasse o armamento das milícias rebeldes. Este é o outro ponto alto do filme, que até justifica seu título nacional (Jogos de Poder), mostra como funciona os bastidores da política e como a imprensa só tem acesso a aquilo que os políticos querem que a imprensa divulgue. Muito interessante.

Mesmo com estes bons momentos. Jogos de Poder peca em alguns pontos de forma forte, como na forma que os diálogos são conduzidos durante a película, contrastando ótimos momentos com outros nem um pouco inspirados e até mesmo sem sentido, fazendo com que a qualidade do produto final ficasse afetada por esta falta de coesão.

Com um roteiro que não foi dos melhores adaptados, Jogos de Poder poderia ter sido mais do que foi (é) não fossem estes deslizes. Com uma atuação muito boa (tanto que mereceu a indicação ao Oscar de coadjuvante) de Philip Seymour Hoffman (algo já comum em suas interpretações) e outra boa de Tom Hanks que mostra sua capacidade de interpretar personagens dos mais variados tipos, o filme esbarra com uma Julia Roberts medíocre que poucas vezes consegue manter a qualidade na qual atuam Hanks e Hoffman. Ainda sim Jogos de Poder é um filme que merece ser visto, nem que seja ao menos por lição de vida ou até mesmo por curiosidade em saber como se arquitetam as artimanhas políticas.

Intensidade da força: 6,5

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